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Revolução Russa de 1917

Revolução na Rússia que levou à abolição da monarquia e à criação da União Soviética

4 min de leitura01/01/2024
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A Revolução Russa de 1917 foi um período de conflitos internos na Rússia Imperial, iniciado em 1917, que derrubou a monarquia russa e levou ao poder o Partido Bolchevique, de Vladimir Lênin. Recém-industrializada e sofrendo com a Primeira Guerra Mundial, a Rússia tinha uma grande massa de operários e camponeses trabalhando muito e ganhando pouco. Além disso, o governo absolutista do Czar Nicolau II desagradava o povo que queria uma liderança menos opressiva e mais democrática. A soma dos fatores levou a manifestações populares que fizeram o monarca renunciar ao poder e, no fim do processo, deram origem à União Soviética, o primeiro país socialista do mundo, que durou até o final do ano de 1991.

A Revolução compreendeu duas fases distintas:

A Revolução de Fevereiro (março de 1917, pelo calendário ocidental), que derrubou a monarquia do Czar Nicolau II, o último Czar a governar, e procurou estabelecer em seu lugar uma república de cunho liberal;

A Revolução de Outubro (novembro de 1917, pelo calendário ocidental), na qual o Partido Bolchevique derrubou o Governo Provisório apoiado pelos partidos socialistas moderados e impôs o governo socialista soviético.

Até 1917, o Império Russo foi uma monarquia absolutista. A monarquia era sustentada principalmente pela nobreza rural, dona da maioria das terras cultiváveis. Das famílias dessa nobreza saíam os oficiais do exército e os principais dirigentes da Igreja Ortodoxa Russa.

Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, a Rússia tinha a maior população da Europa, com cerca de 171 milhões de habitantes em 1904. Defrontava-se também com o maior problema social do continente: a extrema pobreza da população em geral. Enquanto isso, as ideologias liberais e socialistas penetravam no país, desenvolvendo uma consciência de revolta contra os nobres. Entre 1860 e 1914, o número anual de estudantes universitários cresceu de 5 mil para 69 mil, e o número de jornais diários cresceu de 13 para 856.

A população do Império Russo era formada por povos de diversas etnias, línguas e tradições culturais. Cerca de 80% desta população era rural e 90% não sabiam ler e escrever, sendo submetida pelos senhores feudais, em troca de proteção, ideia vigorada na concepção dos Três Estamentos, as castas da sociedade: nobreza, clero e servos. Com a industrialização foi-se estabelecendo progressivamente uma classe operária, que possuía aspirações para melhorar sua condição de vida, perspectiva esta aproveitada mais tarde pelos bolcheviques. A situação de extrema pobreza em que vivia a população tornou-se assim um campo fértil para o florescimento de ideias socialistas.

Para entender as causas da Revolução Russa é fundamental conhecer o desenvolvimento básico das estruturas socioeconômicas na Rússia durante o governo dos três últimos czares.

Alexandre II da Rússia tinha consciência da necessidade de se promover reformas modernizadoras no país para aliviar as tensões sociais internas e transformar a Rússia num Estado mais respeitado internacionalmente. Com sua política reformista, Alexandre II promoveu, por exemplo:

a abolição da servidão agrária, beneficiando cerca de 40 milhões de camponeses que ainda permaneciam numa relação de pertencimento à terra, com ideias ainda associadas ao feudalismo dos séculos antecessores;

o incentivo ao ensino elementar e a concessão de autonomia acadêmica às universidades;

a concessão de maior autonomia administrativa aos diferentes governos das províncias.

Mesmo sem provocar alterações significativas na estrutura social existente na Rússia, a política reformista do czar encontrou forte oposição das classes conservadoras da aristocracia, extremamente sensíveis a quaisquer perdas de privilégios sociais em favor de concessões ao povo.

Apesar das medidas reformistas, o clima de tensão social continuava aumentando entre os setores populares. A terra distribuída aos camponeses era insuficiente, estando fortemente concentrada nas mãos de uma aristocracia latifundiária. A esta faltavam, no entanto, recursos técnicos e financeiros para uma modernização da agricultura. Esses problemas se traduziam na baixa produtividade agrícola, que provocava frequentes crises de abastecimento alimentar, afetando tanto os camponeses quanto a população urbana.

Em 1881, o czar Alexandre II foi assassinado por um dos grupos de oposição política (os Pervomartovtsky) que lutavam pelo fim da monarquia vigente, responsabilizada pela situação de injustiça social existente.

Após o assassinato de Alexandre II, as forças conservadoras russas uniram-se em torno do novo czar, Alexandre III, que retomou o antigo vigor do regime monárquico absolutista.

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