guerras

Batalha de Stalingrado

Combate entre as forças armadas da Alemanha Nazista e do Eixo contra as da União Soviética em 1942–1943

7 min de leitura01/01/2024
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No verão de 1942, Adolf Hitler cometeu o que muitos historiadores consideram o erro estratégico decisivo da Segunda Guerra Mundial: dividiu suas forças na Frente Oriental entre duas metas simultâneas — os campos de petróleo do Cáucaso e a cidade de Stalingrado, às margens do rio Volga. Uma cidade que levava o nome do líder soviético tinha valor simbólico que transcendia qualquer importância militar. Para Hitler, tomá-la seria um golpe no moral inimigo. Para Stalin, perdê-la era impensável. Essa equação de vaidade e prestígio transformou Stalingrado no campo de batalha mais mortífero da história humana.

O contexto que levou à batalha começou um ano antes, com a Operação Barbarossa, o ataque alemão à União Soviética em 22 de junho de 1941. As forças da Wehrmacht avançaram com uma velocidade que parecia tornar a rendição soviética inevitável: em poucos meses capturaram Kiev, cercaram Leningrado e chegaram às portas de Moscou. Mas o inverno russo e a resistência soviética detiveram o avanço. Em dezembro de 1941, os soviéticos contra-atacaram na Batalha de Moscou, rechaçando as tropas alemãs exaustas que não estavam equipadas para o frio extremo. Quando a primavera chegou em 1942, os alemães haviam estabilizado a frente, mas perdido a iniciativa estratégica que parecia irresistível.

Para a campanha de 1942, Hitler optou por um ataque setorial no sudoeste. A Operação Azul, iniciada em 28 de junho, enviou o Grupo de Exércitos Sul em direção ao Cáucaso e ao Volga. No início o avanço foi rápido: as estepes abertas favoreciam a tática Blitzkrieg, e as forças soviéticas recuaram desordenadamente. Mas Stalingrado estava no caminho, e a cidade se tornaria o ponto onde o ímpeto alemão se partiu.

O bombardeio aéreo inicial, em 23 de agosto de 1942, destruiu grande parte da cidade, matando milhares de civis e transformando os bairros em campos de ruínas. Paradoxalmente, as ruínas favoreciam os defensores: o 6º Exército alemão, com seus tanques e artilharia projetados para guerra de movimento, encontrou-se forçado a combater em ambientes fechados, onde a vantagem mecânica era anulada. Cada prédio se tornava uma fortaleza. Cada andar, uma batalha separada. Os soldados soviéticos chamavam esse tipo de combate de "Rattenkrieg" — guerra de ratos.

O general Vasili Chuikov, comandante do 62º Exército soviético, adotou uma tática inteligente e brutal: manter as linhas de frente tão próximas das posições alemãs que a aviação da Luftwaffe não podia bombardear sem risco de atingir os próprios soldados. Snipers soviéticos tornaram-se lendários, com Vassili Záitsev acumulando dezenas de mortes confirmadas. A luta pelo complexo fabril Barrikady, pela Mamãe-Colina de Mamaiev Kurgan, pela Estação Ferroviária Central — cada ponto geográfico tornou-se nome de campanhas sangrentas que duravam semanas.

Em meados de novembro, os alemães haviam empurrado os defensores para uma faixa de poucos quilômetros na margem oeste do Volga. A vitória parecia questão de dias. Mas enquanto o 6º Exército se consumia na batalha urbana, o estado-maior soviético preparava algo diferente. Em 19 e 20 de novembro de 1942, a Operação Urano se desencadeou com força devastadora: dois grupos de exércitos atacaram simultaneamente os flancos do 6º Exército, defendidos por tropas romenas e húngaras muito menos equipadas que os alemães. Em quatro dias, as pinças soviéticas se fecharam, cercando entre 250 mil e 300 mil soldados do Eixo em torno de Stalingrado.

O general Friedrich Paulus pediu autorização para romper o cerco enquanto isso ainda era possível. Hitler recusou categoricamente, prometeu que a Luftwaffe reabasteceria o exército cercado por via aérea e ordenou que Paulus se mantivesse. O reabastecimento aéreo nunca chegou ao nível necessário — os aviões enviados eram interceptados ou abatidos, e o inverno tornava as operações ainda mais difíceis. Em dezembro, uma força de alívio comandada pelo marechal Erich von Manstein tentou romper o cerco por fora mas foi detida a menos de 50 quilômetros das posições do 6º Exército.

Dentro do cerco, o inverno e a fome matavam tanto quanto os projéteis soviéticos. Os soldados alemães, acostumados às rações regulares e aos equipamentos para frio que nunca chegaram em quantidade suficiente, padeciam em temperaturas que chegavam a 40 graus negativos. A situação era de colapso gradual. Em 31 de janeiro de 1943, Paulus — promovido a marechal-de-campo por Hitler na véspera, talvez esperando que um oficial de tão alta patente preferisse morrer a se render — capitulou. Os últimos focos de resistência alemã se encerraram em 2 de fevereiro de 1943.

Dos mais de 2,2 milhões de combatentes envolvidos, entre 1,8 e 2 milhões foram mortos, feridos ou capturados — o que torna Stalingrado não apenas a maior batalha da Segunda Guerra Mundial, mas provavelmente a mais sangrenta da história registrada. Dos 91 mil soldados alemães capturados, apenas cerca de 6 mil chegaram a ver a Alemanha novamente; a maioria morreu nos campos soviéticos antes de serem repatriados, em 1955. A derrota obrigou o Alto Comando alemão a realocar divisões inteiras da Frente Ocidental para compensar as perdas — enfraquecendo exatamente as defesas que seriam necessárias quando o Dia D chegasse em 1944. Stalingrado foi o momento em que a Frente Oriental virou de vez.

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