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Desembarques na Normandia

Operações de desembarque na Segunda Guerra Mundial

7 min de leitura01/01/2024
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Na madrugada de 6 de junho de 1944, antes que o sol rompesse o horizonte sobre o Canal da Mancha, mais de 13 mil paraquedistas americanos, britânicos e canadenses saltaram de aviões em direção à escuridão da Normandia francesa. Eram as primeiras ondas da maior invasão anfíbia da história, uma operação que havia levado mais de um ano para ser planejada, envolveu milhares de embarcações, dezenas de divisões e um dos mais elaborados esquemas de engodo da guerra. Quando o sol finalmente se levantou, a costa da Normandia estava marcada pelo sangue de milhares de homens que desembarcaram sob fogo em cinco praias com nomes de código que entrariam para sempre nos livros de história: Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword.

A decisão de abrir uma segunda frente na Europa Ocidental havia sido tomada sob pressão soviética. Desde a invasão da União Soviética pela Alemanha em junho de 1941, Stalin vinha insistindo que seus aliados abrissem uma frente que aliviasse a pressão sobre o Exército Vermelho, que sozinho enfrentava a maior parte do poder de combate alemão. Em maio de 1942, americanos e soviéticos fizeram anúncio conjunto de entendimento sobre a urgência de uma segunda frente — mas Winston Churchill convenceu Franklin Roosevelt a adiar, argumentando que os Aliados ainda não tinham força suficiente. Em vez disso, optou-se por campanhas no Mediterrâneo: Norte da África, Sicília em julho de 1943, depois a Itália em setembro. Só na Conferência de Teerã, em novembro de 1943, Roosevelt e Churchill comprometeram-se formalmente com Stalin: a invasão da França ocorreria em maio de 1944.

O planejamento foi de uma complexidade sem precedentes. Quatro locais foram considerados para os desembarques: Bretanha, a Península de Cotentin, Normandia e Pas-de-Calais. As duas primeiras eram penínsulas onde os alemães poderiam cortar o avanço aliado facilmente. Pas-de-Calais era o ponto mais próximo da Inglaterra — e por isso mesmo fortemente defendido, pois os alemães esperavam que fosse o alvo mais provável. A Normandia foi escolhida por oferecer praias adequadas, possibilidade de ameaçar simultaneamente o porto de Cherbourg e os portos bretões, e uma rota terrestre em direção a Paris e à Alemanha. O Plano Fortitude, batizado de Operação Guarda-Costas, criou um exército fictício no sudeste da Inglaterra com rádios, tanques inflável e agentes duplos para convencer os alemães de que o ataque principal viria em Pas-de-Calais — e não na Normandia.

O general Dwight D. Eisenhower foi nomeado comandante supremo das forças aliadas. O general Bernard Montgomery comandaria todas as forças terrestres na invasão. A data foi fixada para 1 de junho de 1944, depois deslocada para 5 de junho, mas o tempo fechou — ventos fortes, nuvens baixas, mar agitado. O meteorologista James Stagg informou uma janela de melhora para 6 de junho. Eisenhower tomou a decisão em questão de minutos: era agora ou esperar pelo menos duas semanas, dadas as exigências de lua, maré e horário do dia. O Dia D seria em 6 de junho.

A operação foi precedida por bombardeios aéreos e navais intensos que vararam a noite. Os paraquedistas, que deveriam pousar em zonas de aterragem específicas, foram dispersos pelos ventos — muitos caíram em lugares errados, alguns afogaram-se em campos alagados pelos alemães, mas a confusão em si gerou desorientação nas defesas alemãs. Às 6h30, a infantaria e as divisões blindadas começaram a desembarcar nas cinco praias, tendo como obstáculos não apenas o fogo alemão mas também minas, estacas de madeira, tripés de metal e arame farpado nas praias.

As experiências variaram enormemente de praia para praia. Em Utah, o desvio causado pelo vento levou as tropas para uma zona menos defendida — paradoxalmente, os erros de navegação resultaram em menores baixas. Em Omaha, o cenário foi um pesadelo: as bombas que deveriam ter destruído as defesas alemãs caíram longe demais para o interior, os tanques anfíbios afundaram no mar agitado, e os soldados desembarcaram sob fogo implacável de metralhadoras em falésias. As baixas em Omaha foram as mais pesadas de qualquer praia naquele dia, com centenas de americanos mortos nas primeiras horas. Em Gold, Juno e Sword, britânicos e canadenses libertaram cidades com combates casa-a-casa e desativaram posições de artilharia usando os chamados "Hobart's Funnies" — tanques especialmente modificados para limpar praias, lançar pontes e escalar paredões.

Ao final do Dia D, os Aliados não haviam alcançado nenhum de seus objetivos originais. Carentan, St. Lô, Bayeux, Caen — todas permaneciam em mãos alemãs. Caen só seria capturada em 21 de julho. As cinco praias só foram unidas em 12 de junho. As baixas aliadas chegaram a 10 mil, com 4 414 mortos confirmados; as baixas alemãs estimadas em 4 a 9 mil. Mas uma cabeça de praia havia sido estabelecida, e nos meses seguintes seria expandida inexoravelmente.

O Dia D marcou o início do fim para o Terceiro Reich. Até o final de agosto de 1944, Paris havia sido libertada. Em setembro, as tropas aliadas haviam chegado à fronteira alemã. Em maio de 1945, a Alemanha capitulou. A Normandia representa hoje um dos maiores cemitérios militares do mundo — e um lembrete permanente do que custou aquele único dia de junho em que a liberdade da Europa foi disputada metro a metro nas areias do Canal da Mancha.

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