Nascida em 2 de novembro de 1755 no Palácio Imperial de Hofburg, em Viena, Maria Antonieta era a décima quinta entre os dezesseis filhos da imperatriz Maria Teresa da Áustria e do imperador Francisco I. Crescer na corte mais poderosa da Europa Central significava conviver com uma etiqueta rigorosa e com a consciência de que cada filho era, antes de tudo, um instrumento da política dinástica dos Habsburgos. Mas a infância de Antonia — como era chamada em família — foi, nos primeiros anos, surpreendentemente despreocupada, marcada por uma governanta indulgente, a condessa Brandeiss, que fazia todas as suas vontades e deixava o tempo de estudos encolher a ponto de que, aos doze anos, a menina não escrevia nem falava corretamente nem o francês nem o alemão, dominando apenas o italiano.
Tudo mudou com a morte repentina do imperador Francisco I em agosto de 1765, em Innsbruck, vitimado por um derrame durante os festejos do casamento de um dos filhos. O luto desfigurou Maria Teresa: de mãe já distante pelo excesso de responsabilidades, a imperatriz tornou-se vigilante e exigente com os filhos que restavam, consciente de que precisava encaminhar as alianças dinásticas antes que novas tragédias as impedissem. Dois anos depois, uma epidemia de varíola dizimou várias possibilidades matrimoniais dentro da família imperial, e Maria Teresa acelerou seus planos.
O alvo era a França — o arquiinimigo secular da Áustria, com quem a diplomacia havia costurado uma aproximação décadas antes. Para selar essa aliança com um laço humano, Maria Teresa escolheu a filha mais jovem disponível: Antonia, com seus catorze anos. As negociações foram comandadas pelo duque de Choiseul pelo lado francês e pelo príncipe de Starhemberg pelo lado austríaco. O dote foi fixado em duzentas mil coroas mais o equivalente em joias. Em 19 de abril de 1770, realizou-se o casamento por procuração; dois dias depois, num cortejo de cinquenta e sete carruagens, a arquiduquesa deixou Viena para sempre, passando por uma cerimônia de "entrega" na fronteira em que foi literalmente despida de todas as suas roupas austríacas e revestida de peças francesas — um ritual que simbolizava a completa transferência de identidade exigida dela.
Casada com Luís Augusto, então delfim de França, Maria Antonieta logo percebeu que a corte de Versalhes era um campo minado. Sua sogra, a duquesa de Chartres, e outras damas da nobreza a hostilizavam abertamente. O jovem marido era tímido, introvertido e desajeitado; o casamento levou anos para ser consumado, o que alimentou rumores e panfletos obscenos que circulavam por toda a França. Chamada pejorativamente de L'Autrichienne — num jogo de palavras cruel que combinava "austríaca" com "outra cadela" em francês —, ela foi o alvo preferido de uma campanha difamatória que cresceu em intensidade ao longo dos anos.
Com a morte de Luís XV em maio de 1774, o casal ascendeu ao trono. Rainha aos dezoito anos, Maria Antonieta mergulhou na vida da corte com uma energia que seus inimigos interpretariam como devassidão e seus defensores como a busca de uma jovem sozinha em terra estranha. Seus bailes noturnos, seus penteados monumentais criados pelo cabeleireiro Leonard Autié, seus vestidos encomendados à modista Rose Bertin e seu apego ao Petit Trianon, o pequeno palácio que fez remodelar segundo seu gosto pessoal, tornaram-se símbolo de um suposto desprezo pelo sofrimento do povo francês. A frase "que comam brioche", que jamais foi documentada como sua, cristalizou uma imagem que a perseguiu por séculos.
A Revolução Francesa transformou Maria Antonieta de rainha em prisioneira. A tomada da Bastilha em julho de 1789 inaugurou um processo de desmoronamento da autoridade real que a família tentou deter sem sucesso. Em junho de 1791, o chamado episódio da Fuga de Varennes — a tentativa fracassada da família real de fugir da França disfarçada — foi um golpe fatal para o que restava da legitimidade da monarquia. Capturados e trazidos de volta a Paris, Luís XVI e Maria Antonieta foram confinados progressivamente, primeiro no Palácio das Tulherias e depois, após a abolição da monarquia em setembro de 1792, na sombria Torre do Templo.
Em janeiro de 1793, Luís XVI foi guilhotinado. Nos meses seguintes, Maria Antonieta foi submetida a humilhações crescentes: seu filho, o pequeno Luís Carlos, foi retirado de seus braços e entregue a um sapateiro republicano para ser reeducado. Em outubro de 1793, foi levada ao Tribunal Revolucionário, onde foi acusada de traição, de enviar informações militares ao inimigo estrangeiro e, numa infâmia que chocou até alguns revolucionários, de abusar sexualmente do próprio filho. Quando instada a responder a essa última acusação, ela apelouu à natureza de toda mãe presente na sala — uma das cenas mais dramáticas e perturbadoras do período revolucionário.
Em 16 de outubro de 1793, Maria Antonieta foi guilhotinada na Praça da Revolução, em Paris. Tinha trinta e sete anos. Nos dias que se seguiram, relatou-se que ela havia pedido desculpas ao carrasco por ter pisado acidentalmente em seu pé ao subir ao cadafalso. Verídico ou não, o episódio tornou-se emblema de sua figura: uma mulher que buscou manter a dignidade até o fim numa situação que a destruiu.
A historiografia do século XX e XXI tendeu a reavaliar Maria Antonieta com olhos mais compassivos, reconhecendo nela menos a vilã frívola da memória revolucionária e mais uma jovem transplantada por razões políticas para um ambiente hostil, transformada em bode expiatório de tensões sociais que estavam muito além de sua compreensão ou controle.
