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Carlos Magno

Imperador dos Romanos (800–814), Rei dos Lombardos (774–814), Rei dos Francos (768–814)

8 min de leitura01/01/2024
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Carlos Magno ou Carlos, o Grande (em latim: Carolus Magnus, em alemão: Karl der Große, em francês: Charlemagne) (2 de abril de 742 – Aachen, 28 de janeiro de 814) foi Rei dos Francos a partir de 768, Rei dos Lombardos a partir de 774 e Imperador dos Romanos a partir do ano 800. Durante o início da Idade Média, Carlos Magno uniu a maior parte da Europa ocidental e central. Ele foi o primeiro imperador reconhecido a governar a Europa Ocidental desde a queda do Império Romano do Ocidente cerca de três séculos antes. O Estado franco expandido que Carlos Magno fundou é conhecido como o Império Carolíngio. Mais tarde, ele foi canonizado pelo antipapa Pascoal III, ato considerado inválido. Atualmente é objeto de debate se o imperador teria sido ou não pelo menos beatificado, o que seria um passo no caminho da santidade segundo a Igreja Católica tradicional.

Carlos Magno era o filho mais velho de Pepino, o Breve e Berta de Laon, nascido antes de seu casamento canônico. Ele se tornou rei dos francos em 768 após a morte de seu pai, inicialmente como co-governante ao lado de seu irmão Carlomano I, até a morte deste último em 771. Como único governante, ele continuou a política de seu pai em relação ao papado e se tornou seu protetor, removendo os lombardos do poder no norte da Itália e liderando uma incursão na Espanha muçulmana. Ele fez campanha contra os saxões a leste, cristianizando-os sob ameaça de pena de morte. Ele atingiu o auge de seu poder em 800, quando foi coroado "imperador dos romanos" pelo Papa Leão III no dia de Natal na Antiga Basílica de São Pedro, em Roma.

Carlos Magno foi chamado de "Pai da Europa" (Pater Europae), pois uniu a maior parte da Europa ocidental pela primeira vez desde o Império Romano e uniu partes da Europa que nunca estiveram sob domínio franco ou romano. Seu governo estimulou o Renascimento carolíngio, um período de atividade cultural e intelectual enérgica dentro da Igreja Ocidental. A Igreja Ortodoxa Oriental via Carlos Magno menos favoravelmente devido ao seu apoio ao filioque e ao fato de o Papa o ter preferido como imperador ao invés de Irene de Atenas, a primeira monarca mulher do Império Bizantino. Essas e outras disputas levaram à eventual divisão posterior de Roma e Constantinopla no Grande Cisma de 1054.

Carlos Magno morreu em 814. Ele foi sepultado na Catedral de Aachen, em sua capital imperial de Aachen. Ele se casou pelo menos quatro vezes e teve três filhos legítimos que viveram até a idade adulta. Apenas o mais jovem deles, Luís, o Piedoso, sobreviveu para sucedê-lo. Ele também teve vários filhos ilegítimos com suas concubinas.

O verdadeiro nome de Carlos Magno é Karl, transcrito em latim Carolus (latim clássico) ou Karolus (uso de chancelaria franca, moeda, etc.). Este nome de Karl vem da palavra, em alto alemão antigo, Karal, que significa "homem" (do sexo masculino). Carlos Magno é a transcrição francesa de Carolus Magnus ("Carlos, o Grande"). Desde a época de Carlos Magno, encontra-se em alguns textos Karolus seguido de magnus, mas este último em posição de adjetivo em relação a um outro nome: Karolus magnus rex Francorum ("Carlos, o grande rei dos francos"), Karolus Magnus imperator ("Carlos, o grande imperador"). O uso de Carolus Magnus mais curto é uma denominação literária, cujo primeiro exemplo é em um texto Nithard (cerca de 840), várias décadas depois da morte do requerente. Esse epíteto está gradualmente generalizado nos documentos da Chancelaria dos Breves Apostólicos.

Na Canção de Rolando, em francês antigo, o imperador é nomeado de diferentes formas: Carles (verso 1) ou Charles (28, verso 370), Carles li magnes (68, verso 841) ou Charles li Magnes (93, verso 1195), tradução de Carolus Magnus, mas também Carlemagnes (33, verso 430) ou Charlemaignes (138 verso 1842). O adjetivo grant é comum na Canção de Rolando, mas não é usado para nomear o imperador. Depois disso, é a forma contraída que surgiu: a fórmula "Charles, o Grande" é rara em uso corrente, ao contrário da alemã (Karl der Große).

Quanto ao nome de seu irmão Carlomano, é uma transcrição Francesa de Karlmann em que Mann também significa "homem"; o "-mano" de Carlomano, portanto, não tem nenhuma ligação com o "-magne" de Carlos Magno. Além disso, assim como em alemão e nas outras línguas, "César" (Kaiser) tornou-se sinónimo de imperador, o nome de Carlos Magno, sob a forma de Karl ou Karolus, levou em Húngaro (király) e nas línguas eslavas ao significado do rei: король ("korol") em russo, král em checo, Król em poloco, kralj em croata, etc.

A data mais provável para o nascimento de Carlos Magno pode ser inferida a partir de uma série de fontes. A data de 742 pode ser calculada a partir da informação de Eginhardo sobre a morte de Carlos em janeiro de 814 aos 72 anos, mas ela tem a deficiência de localizar o nascimento antes do casamento de seus pais, que teria sido em 744. O ano que aparece nos Annales Petaviani como sendo 747 seria mais provável se não contradissesse Eginhardo e outras fontes ao alegar que Carlos seria menos do que septuagenário. Um calendário da Abadia de Lorsch afirma que teria sido o dia 2 do mês de abril. Em 747, esta data caiu na Páscoa, uma coincidência que certamente seria lembrada, mas não foi. Se a Páscoa estivesse sendo usada como o início do ano-calendário, então 2 de abril de 747 pode ter sido, pelos padrões modernos, 2 de abril de 748 (que não caiu na Páscoa). A data que se suporta melhor pelas evidências é 2 de abril de 742, baseando-se principalmente pelo fato de Carlos ser um septuagenário quando morreu.

Eginhardo, o seu biógrafo, nos conta sobre os primeiros anos da vida de Carlos Magno:

Portanto, as informações sobre o seu nascimento são escassas. Carlos Magno é pela primeira vez mencionado num diploma de 760 sobre a abadia de Saint-Calais. Carlos Magno foi o filho mais velho de Pepino, o Breve, que foi o primeiro rei carolíngio, e de Berta de Laon. Berta era filha de Cariberto de Laon, cuja mãe era Bertrada de Prüm com quem fundou a Abadia de Prüm. Foi irmão da Senhora Berta, mãe de Rolando, marquês da Bretanha. Sua ascendência paterna chega até Arnulfo de Métis, um bispo cuja filiação é incerta. Pepino, o Breve empossou o monopólio da cunhagem da moeda, decidindo sobre a atividade das casas de cunhagem, o peso das moedas, o seu valor e os caracteres representados.

No que concerne ao período de reinado de seu pai, sabe-se que Carlos Magno integrou uma série de acontecimentos. Ele encabeçou a delegação que acolheu o papa Estêvão III em Champanhe em 754, e foi consagrado pelo papa juntamente com seu irmão Carlomano. Ele participou numa operação na Aquitânia em 767-768 e estava com a sua mãe na procissão que trazia Pepino, o Breve para Saint Denis. No que concerne à sua educação, concorda-se que não aprendeu a escrever enquanto jovem. Mas talvez seja apenas a caligrafia, e não a escrita básica. Contudo, sabia ler e conhecia o latim. A sua língua materna é a da Francônia.

Com a morte de Pepino, o reino foi dividido entre Carlos Magno e o seu irmão Carlomano (que governou a Austrásia). Carlomano morreu em 5 de dezembro de 771, deixando Carlos Magno como líder de um reino Franco reunificado. Carlos Magno esteve envolvido constantemente em batalhas durante o seu reinado. Conquistou a Saxónia no século VIII, um objetivo que foi o sonho inalcançável de Augusto. Foram necessárias mais de dezoito batalhas para que Carlos Magno conseguisse esta vitória definitiva. Procedeu à conversão forçada ao cristianismo dos povos conquistados, massacrando os que se recusavam a converter-se. Um dos seus objetivos era, também conquistar a Península Ibérica, mas nunca o alcançou.

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