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Che Guevara

Revolucionário marxista argentino (1928–1967)

7 min de leitura01/01/2024
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Ernesto Guevara de la Serna, mais conhecido como Che Guevara (Rosário, 14 de maio de 1928 – La Higuera, 9 de outubro de 1967), foi um revolucionário marxista, médico, escritor, guerrilheiro, diplomata e teórico militar argentino. Uma figura importante da Revolução Cubana, seu rosto estilizado tornou-se um símbolo contracultural de rebeldia e insígnia global na cultura popular.

Quando ainda era um jovem estudante de Medicina, viajou por toda a América do Sul e radicalizou suas posições após testemunhar a pobreza, a fome e as doenças que assolavam o continente. Seu crescente desejo de ajudar a derrubar o que ele viu como resultado da exploração capitalista da América Latina levou ao seu envolvimento nas reformas sociais da Guatemala governada pelo presidente Jacobo Árbenz, onde presenciou o Golpe de Estado contra Árbenz apoiado, entre outros, pela CIA e a United Fruit Company e que solidificou a ideologia política de Guevara. Mais tarde, na Cidade do México, conheceu Raúl e Fidel Castro, juntou-se ao Movimento 26 de Julho e partiu para Cuba a bordo do iate Granma com a intenção de derrubar o ditador cubano Fulgencio Batista, apoiado pelos Estados Unidos. Guevara logo ganhou destaque entre os insurgentes, foi promovido a segundo comandante e desempenhou um papel fundamental na vitoriosa guerrilha que, após dois anos, depôs o regime de Batista.

Após a Revolução Cubana, desempenhou vários papéis-chave no novo governo, incluindo a revisão dos apelos e dos esquadrões de fuzilamento para os condenados como criminosos de guerra durante os tribunais revolucionários, a instituição da reforma agrária como ministro das indústrias, a liderança exercida em uma campanha de alfabetização nacional bem-sucedida, serviu tanto como presidente do banco nacional e diretor de instrução das Forças Armadas de Cuba e atravessou o globo como diplomata em nome do socialismo cubano. Tais posições também lhe permitiram desempenhar um papel central no treinamento das forças da milícia que repeliu a invasão da Baía dos Porcos, e levando mísseis balísticos soviéticos com armas nucleares para Cuba, o que precipitou a crise dos mísseis de 1962. Além disso, foi um prolífico escritor e diarista, compondo um manual seminal sobre guerrilhas, junto com um livro de memórias best-seller sobre sua jornada de motocicleta pelo continente sul-americano. Suas experiências e estudos sobre o marxismo-leninismo levaram-no a afirmar que o subdesenvolvimento e dependência do Terceiro Mundo eram resultados intrínsecos do imperialismo, do neocolonialismo e do capitalismo monopolista, que só poderiam ser solucionados pelo internacionalismo proletário e a revolução mundial. Deixou Cuba em 1965 para fomentar a revolução no exterior, primeiro sem sucesso no Congo-Kinshasa e depois na Bolívia, onde foi capturado por forças bolivianas assistidas pela CIA e sumariamente executado.

Guevara continua a ser uma figura histórica venerada e desprezada, polarizada no imaginário coletivo em uma infinidade de biografias, memórias, ensaios, documentários, canções e filmes. Como resultado de seu martírio percebido, suas invocações poéticas para a luta de classes e seu desejo de criar a consciência de um "Novo Homem" impulsionada por incentivos morais e não materiais, Guevara tornou-se um ícone por excelência de vários movimentos de esquerda. A revista Time nomeou-o uma das 100 pessoas mais influentes do século XX, enquanto uma fotografia de Alberto Korda, intitulada Guerrillero Heroico, foi citada pela Maryland Institute of Art como "a mais famosa fotografia do mundo".

Ernesto Guevara nasceu em 14 de maio de 1928 em Rosário, Argentina, filho de Ernesto Guevara Lynch e Celia de la Serna e Llosa. Em sua certidão consta a data 14 de junho, mas, segundo o livro do biógrafo Jon Lee Anderson, Che Guevara: A Revolutionary Life, sua mãe confiou a um amigo astrólogo que Che nasceu em 14 de maio de 1928. O engano foi feito para evitar o escândalo de já estar grávida de três meses antes do casamento. De acordo com essa explicação, os Guevara deixaram Buenos Aires durante a gravidez e depois foram intencionalmente para Rosário para evitar que descobrissem a verdadeira data do parto. Anderson apoia sua versão nos dados fornecidos por Julia Constenla, biógrafa de Celia, como resultado de suas conversas com ela e nas inconsistências da certidão de nascimento de Ernesto. Ernesto Guevara foi por vezes apresentado durante a sua vida como sietemesino, um termo que à época era considerado "o resultado de uma relação pré-matrimonial".

Ernesto foi o mais velho de cinco filhos de uma família de classe média argentina de ascendência espanhola (incluindo basca e cantábrica) e irlandesa, através de seu ancestral patrilinear Patrick Lynch. Um bisavô paterno, Patricio Julián Lynch y Roo, chegou a ser considerado o homem mais rico da América do Sul. Embora muitas das biografias e relatos da família atribuírem sua mãe como sendo descendente de José de la Serna e Hinojosa, último vice-rei espanhol de Lima, não é verídico, visto que o vice-rei José de la Serna morreu sem deixar descendentes. Celia de la Serna também descendia do espanhol Juan Manuel de la Serna y de la Quintana (de origem cantábrica, nascido em Ontón, municipio de Castro-Urdiales) que se mudou para o Vice-Reino do Rio da Prata no final do século XVIII, mudando-se para a cidade de Montevidéu, onde se casou em 1802 com Paula Catalina Rafaela Loaces y Arandía. Segundo o genealogista Narciso Binayán Carmona, era um descendente do conquistador, explorador e colonizador espanhol Domingo Martínez de Irala (1509-1556) e Leonor "Iboty-I Yu" Moquiracé, uma indígena guarani integrante do seuharém pessoal. De acordo com a flexibilidade permitida na língua espanhola, seu nome legal, Ernesto Guevara, às vezes aparece com "de la Serna" e/ou "Lynch" acompanhando-o. Referindo-se à natureza "inquieta" de Che, seu pai declarou que "a primeira coisa a notar é que nas veias do meu filho fluía o sangue dos rebeldes irlandeses".

Muito cedo na vida, Ernestito (como era então chamado) desenvolveu uma "empatia pelos pobres". Crescendo em uma família com tendências esquerdistas, foi apresentado a um amplo espectro de perspectivas políticas, mesmo quando menino. Seu pai, um forte defensor dos republicanos da Guerra Civil Espanhola, várias vezes recebeu muitos veteranos do conflito em sua casa. O pai de Ernesto conseguiu organizar durante a Segunda Guerra Mundial um pequeno grupo para espionar as atividades nazistas em Córdoba, do qual Ernestito também participou.

Em 1942, iniciou seus estudos secundários na Escola Deán Funes, localizada na esquina das ruas Peru e Independencia, no bairro Nueva Córdoba (na cidade de Córdoba). Córdoba, que na época tinha cerca de 350 mil habitantes, começava a sofrer transformações decisivas devido a um notável processo de industrialização, chegando a ser chamada de "Detroit argentina". Esteve na escola entre 1942 e 1946, em um momento de grandes mudanças e transformações políticas na Argentina. Nesta época, o peronismo emergia com o apoio maciço da classe trabalhadora e, inversamente, uma rejeição massiva das classes média e alta. Os estudantes foram um dos grupos que mais ativamente se mobilizaram contra o peronismo nascente, sob o lema "não à ditadura das alpargatas".

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