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Mao Tsé-Tung

1.º Presidente do Comitê Central do Partido Comunista da China e fundador e líder da República Popular da China (1893–1976)

7 min de leitura01/01/2024
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Mao Tsé-Tung(Ou Mao Zedong )(Shaoshan, 26 de dezembro de 1893 – Pequim, 9 de setembro de 1976) foi um político, teórico, líder comunista e revolucionário chinês. Liderou a Revolução Chinesa e foi o arquiteto e fundador da República Popular da China, governando o país desde a sua criação em 1949 até sua morte em 1976. Sua contribuição teórica para o marxismo-leninismo, estratégias militares, e suas políticas comunistas são conhecidas coletivamente como maoísmo.

Mao chegou ao poder comandando a Longa Marcha, formando uma frente unida com Kuomintang (KMT) durante a Guerra Sino-japonesa para repelir uma invasão japonesa, e posteriormente conduzindo o Partido Comunista Chinês até à vitória contra o generalíssimo Chiang Kai-shek do KMT na Guerra Civil Chinesa. Mao restabeleceu o controle central sobre os territórios fraturados da China, com exceção de Taiwan, e com sucesso suprimiu os opositores da nova ordem. Ele promulgou uma reforma agrária, derrubou latifundiários antes de tomar suas grandes propriedades e dividir as terras em comunas populares. O triunfo definitivo do Partido Comunista aconteceu depois de décadas de turbulência na China, que incluiu uma invasão brutal pelo Japão (Segunda Guerra Sino-Japonesa) e uma prolongada guerra civil. O Partido Comunista de Mao finalmente atingiu um grau de estabilidade na China, apesar do seu período no governo ser marcado pela crise de eventos como o Grande Salto em Frente e a Revolução Cultural, com seus esforços para fechar a China ao comércio de mercado e erradicar a cultura tradicional chinesa, o que tem sido amplamente rejeitado pelos seus sucessores.

Mao se intitulava "O Grande Timoneiro" e partidários continuam a sustentar que ele foi responsável por uma série de mudanças positivas que vieram à China durante seu governo de três décadas. Estas incluíram a duplicação da população escolar, proporcionando a habitação universal, abolindo o desemprego e a inflação, aumentando o acesso dos cuidados a saúde, e elevando drasticamente a expectativa de vida. O seu Partido Comunista ainda domina na China continental, detém o controle dos meios de comunicação e da educação e oficialmente celebra o seu legado. Como resultado desses fatores, Mao ainda possui alta consideração por muitos chineses como um grande estrategista político, mentor militar e "salvador da nação". Os maoístas também divulgam seu papel como um teórico, estadista, poeta e visionário, e os antirrevisionistas continuam a defender a maioria de suas políticas. Em 1950, ele enviou o Exército de Libertação Popular para o Tibete para impor a reivindicação da China na região do Himalaia; esmagou uma revolta ali em 1959; e em 1962, Mao lançou a Guerra sino-indiana. Na política externa, Mao apoiou a "revolução mundial" e, inicialmente, procurou alinhar a China com a União Soviética de Josef Stalin, o envio de forças para a Guerra da Coreia e a Primeira Guerra da Indochina, bem como auxiliando movimentos comunistas na Birmânia, Camboja, e em outros países. A China e a União Soviética divergiram após a morte de Stalin, e pouco antes da morte de Mao, a China começou sua abertura comercial com o Ocidente.

Mao continua sendo uma figura controversa na atualidade, com um legado importante e igualmente contestado. Muitos chineses acreditam também que, através de suas políticas, ele lançou os fundamentos econômicos, tecnológicos e culturais da China moderna, transformando o país de uma ultrapassada sociedade agrária em uma grande potência mundial. Além disso, Mao é visto por muitos como um poeta, filósofo e visionário. Como consequência, seu retrato continua a ser caracterizado na Praça Tiananmen e em todos as notas Renminbi.

Inversamente, no Ocidente, Mao é acusado de com seus programas sociais e políticos, como o Grande Salto Adiante e a Revolução Cultural, de causar grave fome e danos a cultura, sociedade e economia da China. Embora Mao tenha incentivado o crescimento populacional e a população chinesa quase tenha duplicado durante o período de sua liderança (de cerca de 550 a mais de 900 milhões), suas políticas e os expurgos políticos de seu governo entre 1949 a 1976, provocaram a morte em massa de 50 a 80 milhões de pessoas. A fome severa durante a Grande Fome Chinesa, o suicídio em massa, como resultado das Campanhas Três-Anti e Cinco-Anti, e perseguição política durante a reforma agrária chinesa, movimento Zhen Fan, movimento Sufan, Campanha Antidireitista e Campanha de Educação Socialista resultaram em um grande número de mortes. Suas campanhas e suas variadas consequências catastróficas são posteriormente culpadas por danificar a cultura chinesa e a sociedade, como as relíquias históricas que foram destruídas e os locais religiosos que foram saqueados. Apesar dos objetivos declarados de Mao de combater a burocracia, incentivar a participação popular e sublinhar na China a autoconfiança serem geralmente vistos como louváveis e a rápida industrialização, que começou durante o governo de Mao, é reconhecida por estabelecer bases para o desenvolvimento da China no final do século XX, os duros métodos que ele usou para persegui-los, incluindo tortura e execuções, têm sido amplamente repreendidos como sendo cruéis e autodestrutivos. Desde que Deng Xiaoping assumiu o poder em 1978, muitas políticas maoístas foram abandonadas em favor de reformas econômicas.

Mao é visto como uma das figuras mais influentes na história do mundo moderno, e foi nomeado pela revista Time como uma das cem personalidades mais influentes do século XX.

Juventude e a Revolução Xinhai: 1893–1911

Mao nasceu a 26 de dezembro de 1893, na aldeia de Shaoshan, Hunan. O seu pai, Mao Yichang, era um camponês, anteriormente empobrecido, que se tinha tornado um dos agricultores mais ricos de Shaoshan. Crescendo em Hunan rural, Mao descreveu o seu pai como um disciplinador severo, que lhe batia e aos seus três irmãos, os rapazes Zemin e Zetan, bem como a uma rapariga adotada, Zejian. A mãe de Mao, Wen Qimei, era uma budista devota que tentava temperar a atitude rigorosa do seu marido. Mao também se tornou budista, mas abandonou esta fé no meio da adolescência. Aos 8 anos, Mao foi enviado para a Escola Primária de Shaoshan. Aprendendo os sistemas de valores do confucionismo, admitiu mais tarde que não gostava dos textos clássicos chineses que pregavam a moral confucionista, preferindo romances clássicos como o Romance dos Três Reinos e a Margem da Água. Aos 13 anos, Mao terminou o ensino primário, e o seu pai uniu-o num casamento arranjado com Luo Yixiu de 17 anos, unindo assim as suas famílias proprietárias de terras. Mao recusou-se a reconhecê-la como sua esposa, tornando-se um crítico feroz do casamento arranjado e mudando-se temporariamente. Luo perdeu o respeito da comunidade, e morreu em 1910.

Enquanto trabalhava na quinta do seu pai, Mao lia vorazmente e desenvolveu uma "consciência política" da brochura de Zheng Guanying que lamentava a deterioração do poder chinês e defendia a adoção de uma democracia representativa. Interessado em história, Mao inspirava-se na proeza militar e no fervor nacionalista de George Washington e Napoleão Bonaparte. As suas opiniões políticas foram moldadas pelos protestos liderados pelos Gelaohui, que irromperam após uma fome em Changsha, a capital de Hunan; Mao apoiou as reivindicações dos manifestantes. As forças armadas suprimiram os dissidentes e executaram os seus líderes. A fome espalhou-se por Shaoshan, onde camponeses famintos apreenderam os cereais do seu pai. Ele desaprovou as suas ações como moralmente erradas, mas reivindicou simpatia pela sua situação. Aos 16 anos, Mao mudou-se para uma escola primária superior na vizinha Dongshan, onde sofreu bullying pela sua origem camponesa.

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