Nascido em 18 de dezembro de 1878 na cidade de Gori, então parte do Império Russo no que hoje é a Geórgia, Ioseb Jughashvili veio ao mundo numa família de origens humildes. Seu pai, Besarion, era sapateiro e alcoólatra que espancava a esposa e o filho; sua mãe, Ekaterine, conhecida como Keke, era uma mulher determinada que lavava roupas e limpava casas de família para sustentar o lar depois que o marido mergulhou definitivamente na bebida. Foi ela quem, contra todas as probabilidades, garantiu ao filho uma vaga na Escola da Igreja de Gori em 1888, normalmente reservada aos filhos do clero, graças à intervenção de um padre amigo da família.
O jovem Stalin — apelidado de Soso desde criança — destacou-se academicamente, revelou talentos em teatro e poesia, e cantou como corista. Mas sua vida carregava marcas físicas permanentes: em 1884, a varíola deixou cicatrizes em seu rosto, e aos doze anos foi gravemente ferido por uma charrua puxada por cavalos, o que provavelmente causou a deformação no braço esquerdo que o acompanharia para sempre. Apesar disso, em 1894 ingressou no Seminário Espiritual de Tíflis com uma bolsa de estudos e continuou a se destacar nos estudos, chegando a publicar poemas num jornal local.
No seminário, porém, a formação religiosa cedeu espaço ao radicalismo político. Entrando em contato com o marxismo, Stalin aderiu ao Partido Operário Social-Democrata Russo e passou a combinar os estudos com a militância clandestina. Em 1899, foi expulso do seminário antes de concluir o curso — as razões exatas são disputadas — e mergulhou de vez na vida revolucionária. Durante a primeira década do século XX, tornou-se um dos organizadores mais eficazes da facção bolchevique de Lênin, editando o jornal Pravda e levantando fundos por meio de assaltos a bancos e outros métodos que a historiografia eufemisticamente chama de "expropriações". Foi preso e exilado na Sibéria várias vezes, mas escapou de forma sistemática.
A Revolução de Outubro de 1917 transformou Stalin de agitador clandestino em figura do alto escalão bolchevique. Ingressou no Comitê Central e no Politburo, participou da Guerra Civil Russa entre 1918 e 1921 e foi nomeado Secretário-Geral do Partido Comunista em 1922 — um cargo que seus rivais subestimaram, mas que ele transformou num instrumento de controle sem precedentes sobre o aparato partidário. Quando Lênin adoeceu e morreu em 1924, Stalin se posicionou habilmente contra Trotsky, Zinoviev, Bukharin e outros concorrentes, eliminando-os um por um do poder ao longo dos anos seguintes.
Consolidado como líder supremo no final dos anos 1920, Stalin lançou o primeiro Plano Quinquenal em 1928, impondo uma industrialização forçada e acelerada e a coletivização compulsória da agricultura. As fazendas particulares foram abolidas e os camponeses agrupados em colétivos estatais. A resistência foi esmagada com deportações em massa para campos de trabalho no sistema Gulag. As interrupções na produção agrícola resultantes das políticas de coletivização contribuíram para uma fome devastadora entre 1932 e 1933, que matou milhões de pessoas na Ucrânia, no Cazaquistão e em outras regiões. No caso ucraniano, o evento ficou conhecido como Holodomor.
Para eliminar qualquer oposição real ou imaginária dentro do partido e do exército, Stalin desencadeou o Grande Expurgo entre 1936 e 1938. Mais de um milhão de pessoas foram presas, cerca de setecentas mil foram executadas, e o Exército Vermelho perdeu grande parte de sua cúpula militar, o que se revelaria desastroso nos primeiros meses da guerra contra a Alemanha. As terríveis sessões de tortura e os julgamentos espetáculo nos quais os acusados confessavam crimes impossíveis tornaram esse período num dos mais traumáticos da história soviética.
Em 1939, Stalin assinou com Hitler o Pacto Molotov-Ribbentrop, um tratado de não agressão que incluía cláusulas secretas dividindo a Europa Oriental em esferas de influência. A Polônia foi invadida pela URSS e pela Alemanha Nazi semanas depois. Em junho de 1941, Hitler quebrou o pacto e lançou a Operação Barbarossa, a maior invasão militar da história. A surpresa foi catastrófica para os soviéticos: nos primeiros meses, o Exército Vermelho sofreu perdas inimagináveis em homens e território. Mas Stalin, que havia fugido de Moscou num momento de pânico antes de retornar, reorganizou a resistência, mobilizou a indústria de guerra para os Urais e acabou por conduzir a URSS a uma vitória que custou estima-se entre vinte e vinte e sete milhões de vidas soviéticas.
O fim da Segunda Guerra Mundial em 1945 colocou Stalin como um dos dois líderes mais poderosos do mundo. Nos anos seguintes, a URSS expandiu sua esfera de influência pela Europa Central e Oriental, desenvolveu a bomba atômica em 1949 e se envolveu na Guerra da Coreia. Internamente, uma nova onda de repressão atingiu grupos específicos, culminando na chamada conspiração dos médicos em 1952, numa campanha de tom claramente antissemita.
Stalin morreu em 5 de março de 1953, em Moscou, provavelmente de um derrame cerebral. Tinha setenta e quatro anos. Seu sucessor, Nikita Khrushchev, denunciou seus crimes num discurso secreto em 1956 e iniciou o processo de desestalinização. Mas o debate sobre o legado de Stalin nunca foi resolvido de forma consensual: na Rússia contemporânea, pesquisas de opinião consistentemente o colocam entre as figuras históricas mais respeitadas, enquanto para as vítimas de seu terror e seus descendentes ele permanece símbolo de um dos regimes mais mortíferos do século XX.