Lin-Manuel Miranda nasceu em 16 de janeiro de 1980 no bairro de Washington Heights, no norte de Manhattan, Nova York, filho de pai porto-riquenho que atuou como conselheiro político do prefeito Ed Koch e de mãe psicóloga, também de origem porto-riquenha. Cresceu no bairro de Inwood, área adjacente e igualmente marcada pela cultura latina, e passava um mês por ano na casa dos avós em Vega Alta, em Porto Rico, experiência que aprofundou sua conexão com a herança cultural caribenha que se tornaria o centro de sua obra artística. Seu próprio nome foi inspirado em um poema sobre a Guerra do Vietnã escrito pelo autor porto-riquenho José Manuel Torres Santiago, um detalhe que ilustra o quanto a literatura e a identidade cultural estavam presentes desde o início de sua trajetória.
A educação formal de Miranda passou pelo Hunter College Elementary School e pelo Hunter College High School, instituições de prestígio em Nova York. Antes de ingressar na Wesleyan University em Connecticut, Lin ajudou a criar jingles publicitários, incluindo um que foi utilizado na campanha de Eliot Spitzer, mostrando precocidade criativa que ia além dos palcos. Na Wesleyan, onde se formou em 2002, co-fundou uma trupe de comédia hip-hop chamada Freestyle Love Supreme, que combinava improvisação, rap e teatro de maneira que antecipava o gênero híbrido que definiria seus trabalhos futuros.
O primeiro rascunho de In the Heights foi escrito em 1999, quando Miranda cursava o segundo ano da faculdade. O musical foi aceito pela Second Stage, companhia estudantil de teatro da Wesleyan, e apresentado em abril daquele ano, com Miranda trabalhando ativamente para incorporar freestyles de rap e números de salsa à estrutura inicial. Ao se graduar em 2002, Miranda continuou desenvolvendo o projeto junto com o diretor Thomas Kail e o escritor John Buffalo Mailer, revisando e aprimorando o texto ao longo de vários anos.
Após o sucesso off-Broadway, In the Heights estreou na Broadway em março de 2008 no teatro Richard Rogers. O musical, ambientado no próprio Washington Heights, o bairro onde Miranda cresceu, narrava a vida de imigrantes latinos em Nova York com uma combinação inédita de hip-hop, salsa, merengue e pop. A recepção foi calorosa tanto do público quanto da crítica, e a temporada rendeu ao musical os prêmios Tony de Melhor Musical e de Melhor Trilha Sonora Original em 2008, além do Grammy de Melhor Álbum de Teatro Musical em 2009. A atuação de Miranda no papel principal de Usnavi lhe rendeu uma indicação ao Tony de Melhor Ator em Musical.
Miranda reprisou o papel de Usnavi em diferentes momentos ao longo dos anos seguintes, incluindo a turnê nacional que passou por Los Angeles em 2010 e chegou a San Juan, Porto Rico, onde o contexto cultural carregava um peso emocional ainda maior. O musical encerrou sua temporada original na Broadway em janeiro de 2011, após 1.185 apresentações regulares, além de 29 prévias, consolidando-se como uma das obras mais significativas do teatro americano dos anos 2000.
Durante esse período, Miranda também colaborou com Stephen Sondheim na tradução de letras de West Side Story para o espanhol, para uma produção em português que estreou na Broadway em 2009, e contribuiu com novas músicas para uma versão revisada do musical Working, a convite do compositor Stephen Schwartz. Trabalhou ainda como professor de inglês em sua antiga escola do ensino médio e como colunista e crítico de restaurantes do Manhattan Times, demonstrando uma versatilidade que ia muito além dos palcos.
Em 2014, ganhou um Emmy por co-compor com Tom Kitt a música Bigger, número de abertura da cerimônia de entrega dos prêmios Tony de 2013, com performances de mais de cem artistas de musicais como Kinky Boots, Matilda e Newsies. Naquele mesmo ano, também escreveu 21 Chump Street: The Musical, baseado em uma reportagem jornalística, para um evento ao vivo do podcast This American Life.
O segundo grande projeto de Miranda para a Broadway foi Hamilton, musical inspirado na biografia do fundador americano Alexander Hamilton, escrita em 2004 pelo historiador Ron Chernow. O espetáculo utilizava o hip-hop, o R&B e o rap como linguagem central para narrar a história dos fundadores da nação americana, subvertendo as expectativas sobre quem conta a história dos Estados Unidos ao escalar atores negros e latinos para interpretar os personagens históricos. Miranda escreveu o libreto, a música e as letras, além de interpretar o próprio Hamilton no papel principal.
Hamilton estreou na Broadway em 2015 e tornou-se um fenômeno cultural sem precedentes. Em 2016, venceu o Prêmio Pulitzer de Drama, o Grammy de Melhor Álbum de Teatro Musical e foi indicado a 16 prêmios Tony, número recorde na história do prêmio, vencendo 11 deles, incluindo Melhor Musical. Miranda ganhou pessoalmente os Tonys de Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Libreto de Musical, além do Drama League por Atuação Notável. A soma de um Prêmio Pulitzer, cinco Grammys, um Emmy e três Tonys colocaram Miranda no seleto grupo dos criadores artísticos que conquistaram os quatro maiores prêmios americanos das artes, o chamado EGOT.
O legado de Lin-Manuel Miranda no teatro americano é o de alguém que expandiu as fronteiras do musical de Broadway tanto em termos de linguagem artística quanto de representatividade cultural. Ao trazer o hip-hop para o palco e ao colocar histórias latinas e africanas americanas no centro da narrativa nacional americana, Miranda redefiniu o que um musical pode ser e a quem ele pode pertencer, deixando uma herança que moldará as criações teatrais americanas por décadas.