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Cleópatra

Rainha do Reino Ptolemaico do Egito de 51 a 30 a.C.

7 min de leitura01/01/2024
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Cleópatra VII Filopátor (em grego clássico: Κλεοπᾰ́τρᾱ Φιλοπάτωρ; romaniz.: Kleopátrā Philopátōr; Alexandria, 69 a.C. – Alexandria, 10 ou 12 de agosto de 30 a.C.) foi a última governante ativa do Reino Ptolemaico do Egito. Como membro da dinastia ptolemaica, foi descendente de Ptolemeu I Sóter, um general greco-macedônio e companheiro de Alexandre, o Grande. Sua primeira língua era o grego koiné, e ela é a única governante de sua dinastia conhecida por ter aprendido a língua egípcia. Após sua morte, o Egito passou a ser uma província do Império Romano, marcando o fim do Período Helenístico que começou com o reinado de Alexandre (r. 336–323 a.C.).

É possível que tenha acompanhado seu pai Ptolemeu XII em 58 a.C. durante seu exílio em Roma, depois que uma revolta no Egito permitiu que a filha mais velha de Ptolemeu XII, Berenice IV, reivindicasse o trono. Esta última foi morta em 55 a.C., quando o faraó retornou ao país com assistência militar romana. Quando morreu em 51 a.C., Ptolemeu XII foi sucedido por Cleópatra e seu irmão mais novo, Ptolemeu XIII, como governantes conjuntos, mas um desentendimento entre ambos levou ao início de uma guerra civil. Depois de perder a Batalha de Farsalos na Grécia contra seu rival Júlio César durante a Segunda Guerra Civil, o estadista romano Pompeu fugiu para o Egito, um estado cliente. Ptolemeu XIII ordenou a emboscada e morte de Pompeu enquanto César ocupava Alexandria em busca dele. César, um cônsul da República Romana, tentou reconciliar Ptolemeu XIII com sua irmã. Potino, o conselheiro-chefe do faraó, considerou os termos do cônsul favoráveis à rainha, e assim suas forças, que eventualmente caíram sob o controle de sua irmã mais nova, Arsínoe IV, cercaram César e Cleópatra. O cerco foi levantado por reforços no início de 47 a.C. e Ptolemeu XIII morreu pouco depois na Batalha do Nilo. Arsínoe IV foi exilada em Éfeso, e César, agora ditador eleito, declarou Cleópatra e seu irmão mais novo Ptolemeu XIV como governantes conjuntos. O ditador manteve um caso com a rainha, que gerou um filho, Cesarião. Ela viajou para Roma como rainha cliente em 46 e 44 a.C., ficando numa vila local. Após os assassinatos de César e Ptolemeu XIV (este por ordem da própria Cleópatra) em 44 a.C., esta tentou fazer de Cesarião o herdeiro do ditador.

Na Terceira Guerra Civil entre 43 e 42 a.C., ficou ao lado do Segundo Triunvirato, formado por Otaviano, Marco Antônio e Lépido. Após um encontro em Tarso, em 41 a.C., a rainha teve um caso com Antônio. Ele realizou a execução de Arsínoe a pedido dela e tornou-se cada vez mais dependente de Cleópatra para financiamento e ajuda militar durante suas invasões ao Império Parta e ao Reino da Armênia. As Doações de Alexandria declararam seus filhos Alexandre Hélio, Cleópatra Selene II e Ptolemeu Filadelfo, governantes de vários territórios antigos, sob sua autoridade triunviral. Esse evento, seu casamento e o divórcio de Marco Antônio da irmã de Otaviano, Otávia, a Jovem, levaram à Última Guerra Civil da República Romana. Otaviano se engajou numa guerra de propaganda, forçou os aliados de Antônio no Senado a fugirem de Roma em 32 a.C. e declarou guerra contra Cleópatra. Depois de derrotar a frota naval da ambos na Batalha de Áccio em 31 a.C., as forças de Otaviano invadiram o Egito em 30 a.C. e derrotaram Antônio, o levando ao suicídio. Quando soube que o invasor romano planejava levá-la à sua procissão triunfal, cometeu suicídio por envenenamento, ao contrário da crença popular de que foi mordida por uma víbora.

Seu legado sobrevive em numerosas obras de arte, tanto antigas quanto modernas. A historiografia romana e a poesia latina produziram uma visão predominantemente polêmica e negativa da rainha que permeou as posteriores literaturas medieval e renascentista. Nas artes visuais, representações antigas de Cleópatra incluem a moeda romana e ptolemaica, estátuas, bustos, relevos, vidros e esculturas de camafeus e pinturas. Foi tema de muitas obras na arte renascentista e barroca, incluindo esculturas, pinturas, poesia, dramas teatrais, como Antônio e Cleópatra, de William Shakespeare, e óperas como Giulio Cesare in Egitto, de Georg Friedrich Händel. Nos tempos modernos, tem aparecido nas artes aplicadas e belas artes, na sátira burlesca, em produções cinematográficas e em imagens de marcas para produtos comerciais, tornando-se um ícone popular da egitomania desde o século XIX.

O nome Cleópatra é originário do grego antigo Kleopatra (em grego: Κλεοπάτρα), que significa "glória de seu pai" na forma feminina. É derivado de kleos (em grego: κλέος), "glória", combinado com pater (em grego: πατήρ), "antepassados", usando a forma genitiva patros (em grego: πατρός). A forma masculina teria sido escrita como Kleopatros (em grego: Κλεόπατρος) ou Patroklos (em grego: Πάτροκλος). Cleópatra era o nome da irmã de Alexandre, o Grande, bem como Cleópatra Alcíone, esposa de Meleagro na mitologia grega. O nome entrou na dinastia ptolemaica pelo casamento de Ptolemeu V Epifânio e Cleópatra I Sira (uma princesa selêucida). Seu título adotivo, Tea Filópator (em grego: Θεά Φιλοπάτωρα), significa "deusa que ama seu pai".

Os faraós ptolemaicos eram coroados pelo sumo sacerdote de Ptá em Mênfis, mas residiam na cidade multicultural e em grande parte grega de Alexandria, fundada por Alexandre, o Grande da Macedônia. Eles falavam grego e governavam o Egito como monarcas helenísticos, recusando-se a aprender a língua nativa. Em contraste, Cleópatra dominava vários idiomas na idade adulta e foi a primeira governante de sua dinastia a aprender a língua egípcia. Plutarco sugere que ela também falava etíope, troglodita, hebraico (ou aramaico), árabe, a língua síria (talvez siríaca), meda, parta e latim, embora seus contemporâneos romanos preferissem falar com ela em grego koiné nativo. Afora o grego, egípcio e latim, essas línguas refletiam seu desejo de restaurar os territórios do norte da África e da Ásia Ocidental que pertenciam ao Reino Ptolemaico.

O intervencionismo romano no Egito é anterior ao seu reinado. Quando Ptolemeu IX Látiro morreu no final de 81 a.C., foi sucedido por sua filha Berenice III. No entanto, com a crescente oposição na corte real contra a ideia de uma única monarca reinante, Berenice III aceitou o domínio conjunto e o casamento com seu primo e enteado Ptolemeu XI Alexandre II, um arranjo feito pelo ditador romano Sula. Ptolemeu XI matou sua esposa logo após o casamento em 80 a.C., mas foi linchado logo depois no tumulto resultante do assassinato. Ptolemeu XI, e talvez seu tio Ptolemeu IX ou pai Ptolemeu X Alexandre I, legaram o Reino Ptolemaico a Roma como garantia para empréstimos, de modo que os romanos tivessem bases legais para assumir o Egito, seu estado cliente, após o assassinato de Ptolemeu XI. Os romanos preferiram dividir o reino entre os filhos ilegítimos de Ptolemeu IX, concedendo o Chipre a Ptolemeu do Chipre e o Egito a Ptolemeu XII Auleta.

Cleópatra Filópator nasceu no início de 69 a.C. como a filha do faraó Ptolemeu XII e uma mãe desconhecida, presumivelmente Cleópatra VI Trifena (também conhecida como Cleópatra V Trifena), a mãe de sua irmã mais velha, Berenice IV. Cleópatra Trifena desapareceu dos registros oficiais alguns meses após o nascimento de sua filha em 69 a.C. Os três filhos mais novos de Ptolemeu XII, a irmã de Cleópatra, Arsínoe IV, e os irmãos Ptolemeu XIII Téo Filópator e Ptolemeu XIV, nasceram na ausência de sua esposa. Seu tutor de infância foi Filóstrato, com quem aprendeu as artes gregas da oratória e filosofia. Presume-se que durante sua infância estudou no Museu e na Biblioteca de Alexandria.

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