Em junho de 323 antes de Cristo, um homem de trinta e dois anos morreu na Babilônia. Era rei da Macedônia, faraó do Egito, senhor da Pérsia e conquistador dos territórios que chegavam às margens do Rio Indo. Seu nome era Alexandre III da Macedônia, e a extensão do que ele havia realizado em pouco mais de uma década de campanhas ininterruptas era tão extraordinária que a posteridade acrescentaria ao nome o epíteto simples e definitivo: o Grande.
Alexandre nasceu em Pela, capital do reino da Macedônia, por volta de 20 de julho de 356 antes de Cristo. Era filho do rei Filipe II — o homem que havia transformado a Macedônia de um reino periférico numa potência militar dominante — e de Olímpia, princesa do Epiro, mulher de temperamento impetuoso e profunda devoção religiosa. Desde o nascimento, lendas o cercavam: dizia-se que naquela mesma noite o Templo de Ártemis em Éfeso — uma das sete maravilhas do mundo antigo — havia sido destruído pelo fogo, como se a deusa estivesse longe, ocupada testemunhando o nascimento de algo maior do que ela.
A educação do príncipe foi cuidadosamente planejada. Na infância, foi tutelado por Leônidas do Epiro, parente de sua mãe, que lhe ensinou resistência física e frugalidade. Mas a figura que moldaria sua mente de maneira mais profunda foi Aristóteles de Estagira, o maior filósofo de seu tempo, contratado por Filipe para instruir o filho a partir dos treze anos. Durante cerca de três anos, no santuário das Ninfas em Mieza, Aristóteles ensinou ao jovem príncipe filosofia, retórica, medicina, botânica e, acima de tudo, o amor pelo conhecimento. Alexandre carregaria a Ilíada pelo resto da vida, dormindo com um exemplar anotado pelo próprio Aristóteles sob o travesseiro, ao lado de uma adaga.
Quando Alexandre tinha dez anos, demonstrou uma das características que o definiriam: enquanto todos recuavam diante de Bucéfalo, um cavalo poderoso que ninguém conseguia domar, o menino percebeu que o animal estava assustado com sua própria sombra. Posicionou-o de frente para o sol, montou-o e percorreu o campo ao galope. Filipe, impressionado, declarou que a Macedônia era pequena demais para o filho. Bucéfalo acompanharia Alexandre até as planícies da Índia, e quando morreu — de velhice ou ferimentos, segundo as fontes —, o conquistador fundou uma cidade com o nome do animal, Bucéfala.
Com a morte de Filipe II em 336 antes de Cristo, assassinado por um guarda-costas cujas motivações ainda são debatidas pelos historiadores, Alexandre ascendeu ao trono com vinte anos. Agiu com brutalidade calculada para consolidar o poder: eliminou rivais ao trono, suprimiu revoltas nas cidades gregas — destruindo Tebas até os alicerces como aviso às demais — e assumiu o comando da liga pan-helênica que seu pai havia criado. Em 334 antes de Cristo, cruzou o Helesponto com um exército de cerca de quarenta e cinco mil homens para iniciar a guerra de conquista contra o Império Aquemênida da Pérsia, o maior Estado do mundo conhecido.
As primeiras vitórias foram espetaculares. No Rio Granico, em 334 antes de Cristo, rompeu a linha defensiva persa numa carga de cavalaria que quase lhe custou a vida — dois generais persas o atingiram antes de serem abatidos. Em seguida, libertou as cidades gregas da costa da Ásia Menor, apresentando-se como libertador e não como conquistador. Em 333 antes de Cristo, na batalha de Isso, no sul da atual Turquia, enfrentou o próprio rei persa Dario III à frente de um exército muito maior e o derrotou em combate, capturando a família do rei — sua mãe, esposa e filhas — e tratando-as com respeito exemplar como instrumento de propaganda.
Em vez de perseguir Dario imediatamente, Alexandre virou para o sul, conquistando a Fenícia e o Egito. A tomada de Tiro, uma ilha-fortaleza considerada inexpugnável, exigiu sete meses de cerco e a construção de uma causeway artificial até a ilha. No Egito, foi recebido como libertador do jugo persa e saudado como filho de Amon, o deus supremo egípcio, pelos sacerdotes do oráculo de Siwa. Fundou Alexandria em 331 antes de Cristo — uma cidade que logo se tornaria o maior centro intelectual do mundo mediterrâneo.
A batalha decisiva contra Dario ocorreu em Gaugamela, também em 331 antes de Cristo, na Mesopotâmia. O rei persa havia escolhido o terreno plano para dar vantagem numérica às suas forças. Alexandre respondeu com uma manobra oblíqua que criou uma brecha na linha inimiga, pela qual lançou uma carga de cavalaria direto em direção a Dario. O rei persa fugiu novamente, e seu exército desmoronou. Alexandre tomou Babilônia, Susa e Persépolis — queimando o palácio desta última, possivelmente em retaliação pela destruição dos templos atenienses durante as Guerras Pérsicas, ou numa festa embriagada, dependendo da fonte consultada.
Dario seria assassinado em 330 antes de Cristo por Besso, um de seus próprios sátrapas. Alexandre, ao encontrar o corpo, honrou o rei morto com funerais dignos de um monarca, e passou a apresentar-se como seu legítimo sucessor. Nos anos seguintes, conquistou os territórios orientais do antigo império persa — a Báctria e a Sogdiana, equivalentes ao atual Afeganistão e Uzbequistão —, onde encontrou a resistência mais tenaz de sua campanha. Foi também lá que casou com Roxana, filha de um chefe local, um ato que chocou seus generais macedônios, acostumados à hierarquia racial helênica.
Em 326 antes de Cristo, cruzou o Rio Indo e entrou na Índia, derrotando o rei Poro numa batalha em que os elefantes de guerra indianos inicialmente assustaram os cavalos macedônios. Mas ao alcançar o Rio Hífasis, no atual Punjab, as tropas simplesmente se recusaram a avançar. Eram soldados que marchavam havia mais de uma década, a milhares de quilômetros de casa, sem perspectiva de retorno. Alexandre, pela única vez registrada, cedeu. A volta para o ocidente foi marcada por uma brutal campanha no vale do Indo e por uma travessia catastrófica do deserto de Gedrósia que custou muitas vidas.
Alexandre chegou à Babilônia em 323 antes de Cristo, planejando novas campanhas — possivelmente a conquista da Arábia. Em junho, adoeceu após um banquete e morreu em poucos dias, com trinta e dois anos. A causa da morte permanece incerta: febre tifóide, envenenamento ou complicações de feridas anteriores são as hipóteses mais discutidas. Quando seus generais lhe perguntaram a quem deixaria o reino, teria respondido: "ao mais forte". A resposta profética desencadeou décadas de guerras entre seus sucessores, os diádocos, que despedaçaram o império.
O legado de Alexandre transformou civilizações. Ele fundou cerca de vinte cidades com seu nome — a mais importante sendo Alexandria no Egito, que se tornaria o lar da maior biblioteca da Antiguidade e do maior aglomerado de sábios do mundo. A difusão da língua e da cultura grega pelo Oriente Médio, Ásia Central e norte da Índia criou a civilização helenística, uma síntese sem precedentes entre o mundo grego e as tradições orientais que moldou o contexto em que surgiria o cristianismo, o judaísmo rabínico e parte do budismo. Alexandre permanece não apenas uma figura histórica, mas um arquétipo: a encarnação do homem que acreditou — e por muito tempo confirmou — ser possível conquistar o mundo.