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George Washington

1.° presidente dos Estados Unidos da América de 1789 a 1797

7 min de leitura01/01/2024
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George Washington nasceu em 22 de fevereiro de 1732, no Condado de Westmoreland, Virgínia, numa família que já acumulara considerável prestígio na colônia inglesa. Seus antepassados haviam chegado da Inglaterra décadas antes, adquirindo vastas extensões de terra ao longo do Rio Potomac. O pai de Washington, Augustine, era juiz de paz e figura proeminente na sociedade virginiana, mas morreu quando George tinha apenas onze anos, deixando-o sem a educação formal que seus irmãos mais velhos receberam na Inglaterra.

Essa limitação não impediu Washington de se desenvolver intelectualmente. Aprendeu matemática, trigonometria e agrimensura com dedicação, tornando-se um desenhista e cartógrafo de talento reconhecido. Ainda adolescente, passou um mês levantando terrenos no Vale do Shenandoah a serviço da família Fairfax, influente patrona que lhe abriu portas na elite colonial. Aos dezessete anos, já era agrimensor licenciado pelo Condado de Culpeper, familiarizando-se com o interior da Virgínia e acumulando suas primeiras propriedades de terra.

A carreira militar de Washington teve início no contexto da rivalidade entre ingleses e franceses pelo controle do vale do Ohio. Em 1753, o vice-governador Robert Dinwiddie nomeou-o enviado especial para exigir a retirada francesa do território britânico. Washington cruzou a fronteira no inverno rigoroso, negociou com chefes iroqueses em Logstown e chegou ao Forte Le Boeuf, onde entregou o ultimato aos franceses. Estes recusaram e o mandaram de volta com uma resposta formal — e roupas de inverno para a viagem. Essa missão revelou ao jovem oficial tanto a intransigência do adversário quanto a complexidade das alianças indígenas.

Nos anos seguintes, Washington ganhou experiência de combate na Guerra Franco-Indígena, aprendendo na prática as limitações das táticas europeias em território americano. Com o fim desse conflito, elegeu-se membro da Câmara dos Burgueses da Virgínia e se consolidou como um dos proprietários rurais mais prósperos da colônia, cultivando tabaco em Mount Vernon e administrando centenas de escravos. Esse período moldou nele a ideia de que os colonos americanos mereciam os mesmos direitos que os cidadãos britânicos — e que Londres insistia em negar.

Quando as tensões entre as colônias e a metrópole chegaram ao ponto de ruptura, Washington foi designado delegado ao Congresso Continental. Em junho de 1775, os congressistas o nomearam Comandante em Chefe do Exército Continental, escolha unânime que refletia tanto sua reputação militar quanto sua capacidade de unir as diferentes regiões coloniais. Diante dele estava uma missão aparentemente impossível: enfrentar o mais poderoso exército do mundo com tropas inexperientes, mal equipadas e frequentemente sem pagamento.

O que se seguiu foi uma guerra de mais de seis anos, marcada por derrotas dolorosas — a perda de Nova York em 1776, a travessia glacial do Rio Delaware no Natal daquele ano e a chegada desesperada em Valley Forge no inverno de 1777. Washington aprendeu a transformar retiradas em recuos estratégicos, a manter o exército vivo mesmo quando não podia vencer. Sua travessia do Delaware, seguida da surpreendente vitória em Trenton, devolveu a moral às tropas e ao público civil numa hora crítica.

A aliança com a França, negociada após a vitória americana em Saratoga, transformou o equilíbrio da guerra. Em 1781, Washington coordenou com o general francês Rochambeau uma marcha secreta de mais de 450 quilômetros até Yorktown, onde o general britânico Cornwallis foi cercado por terra e por mar. O cerco durou três semanas. Quando Cornwallis se rendeu em 19 de outubro de 1781, a independência americana estava na prática garantida, consolidada dois anos depois pelo Tratado de Paris.

Washington surpreendeu o mundo ao renunciar ao comando militar em dezembro de 1783, devolvendo sua comissão ao Congresso num gesto que o rei britânico George III considerou o mais grandioso ato de um homem público em toda a história. A renúncia voluntária ao poder, num momento em que poderia ter-se transformado num monarca ou ditador, estabeleceu um precedente republicano de consequências duradouras para a democracia ocidental.

Retirado a Mount Vernon, Washington não tardou a perceber que os Estados Unidos enfrentavam uma crise diferente: o governo sob os Artigos da Confederação era fraco demais para manter a união. Em 1787, presidiu a Convenção Constitucional na Filadélfia, conduzindo os debates que produziram a Constituição federal. Sua mera presença emprestava legitimidade ao processo, e os delegados sabiam que o homem que ocuparia a presidência moldaria o cargo para sempre.

Em 1789, o Colégio Eleitoral o elegeu presidente por unanimidade, repetindo o feito em 1793. Washington estabeleceu os fundamentos do governo federal: criou o gabinete executivo, definiu o título "Sr. Presidente" em vez de tratamentos monárquicos, e proclamou neutralidade durante a Revolução Francesa ao sancionar o Tratado de Jay. Equilibrou com dificuldade a rivalidade profunda entre seu secretário de Estado Thomas Jefferson e seu secretário do Tesouro Alexander Hamilton, cujos debates sobre o papel do governo central ecoariam por gerações.

Seu discurso de despedida, em 1796, ao recusar um terceiro mandato, alertou para os perigos das facções políticas e dos laços permanentes com potências estrangeiras. Esse texto tornou-se um dos documentos fundadores do pensamento político americano. Sobre a escravidão, Washington manteve uma posição contraditória durante a vida pública: proprietário de dezenas de escravos em Mount Vernon, apoiou legislações que protegiam a instituição por entender que a unidade nacional dependia do compromisso com os estados sulistas. Mas em seu testamento de 1799 determinou que seus escravos fossem libertados após a morte de sua esposa Martha.

Washington morreu em 14 de dezembro de 1799 em Mount Vernon, aos 67 anos, vítima de uma infecção na garganta agravada por sangrias excessivas que os médicos da época insistiam em aplicar. A nação inteira entrou em luto. O elogio fúnebre proferido por Henry Lee o imortalizou como "o primeiro na guerra, primeiro na paz e primeiro no coração de seus compatriotas". Monumentos, estados, cidades, a própria capital federal e incontáveis escolas, bibliotecas e instituições carregam seu nome — tributos a um homem que, mais do que ninguém, deu forma ao que os Estados Unidos viriam a ser.

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