biografias

Marco Polo

Mercador, embaixador e explorador veneziano

7 min de leitura01/01/2024
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Por volta de 1254, nasceu em Veneza — ou talvez em Constantinopla, ou na ilha de Korčula, pois até o local de seu nascimento é disputado pelos historiadores — um menino cujo nome se tornaria sinônimo de exploração e maravilha: Marco Polo. Seu pai, Niccolò Polo, era um mercador que construíra fortuna negociando com o Oriente Próximo, e junto com seu irmão Matteo havia partido para uma viagem de negócios antes mesmo do nascimento de Marco. Quando a mãe do menino morreu, ele foi criado pela tia, recebendo uma educação voltada ao comércio: aprendeu sobre moedas estrangeiras, navegação, contabilidade — praticamente nada de latim.

Em 1261, enquanto Niccolò e Matteo se encontravam em Constantinopla, a cidade foi reconquistada por Miguel VIII Paleólogo, que expulsou os venezianos com violência. Os irmãos Polo, precavidos, já haviam liquidado seus bens em joias e se deslocado para leste antes da tomada da cidade — uma decisão que se revelou providencial, pois os venezianos capturados tiveram os olhos furados. Avançando pelo interior da Ásia, os dois mercadores acabaram chegando à corte de Cublai Cã, o soberano mongol fundador da Dinastia Iuã e governante do maior império continental da história humana.

Cublai Cã recebeu os venezianos com hospitalidade e curiosidade, enviando-os de volta à Europa como embaixadores com uma carta destinada ao Papa, solicitando o envio de missionários e de óleo da lâmpada do Santo Sepulcro. Em 1269, Niccolò e Matteo chegaram finalmente a Veneza, onde conheceram Marco pela primeira vez — o menino tinha agora cerca de quinze anos e jamais havia visto o pai. Dois anos depois, em 1271, os três Polo partiram juntos para o Oriente durante o reinado do Doge Lorenzo Tiepolo. Marco tinha dezessete anos.

A jornada durou quatro anos de viagem terrestre e marítima até alcançar a corte de Cublai Cã. O grupo atravessou a Pérsia, cruzou desertos e montanhas, percorreu a Rota da Seda por rotas que poucos europeus jamais haviam trilhado. Marco observava tudo com olhos ávidos: as cidades muradas da Anatólia, os campos de petróleo na Pérsia — que ele descreveu como um óleo negro que não servia para comer mas ardia maravilhosamente —, as planícies da Ásia Central, a grandiosidade do Pamir.

Quando finalmente chegaram à China, Cublai Cã ficou encantado com o jovem veneziano, que demonstrava talento para aprender línguas e para observar costumes locais. Durante cerca de dezessete anos, Marco serviu ao cã em diversas missões diplomáticas, percorrendo províncias da China, da Índia e do Sudeste Asiático como representante do soberano mongol. Visitou Pequim — que chamava de Cambalu —, descreveu o fausto da corte imperial com riqueza de detalhes, maravilhou-se com o uso do papel-moeda, com o sistema postal montado a cavalo, com as cidades de milhões de habitantes que não existiam nada parecido na Europa medieval.

A família Polo retornou à Europa em 1295, após vinte e quatro anos de ausência, trazendo consigo uma fortuna considerável em gemas. A lenda mais famosa — e provavelmente apócrifa — conta que os parentes não os reconheceram ao chegar, e só acreditaram em sua identidade quando rasgaram as roupas surradas de viajantes e deixaram cair uma chuva de rubis, safiras e esmeraldas. Haviam percorrido quase vinte e quatro mil quilômetros.

Veneza vivia então em guerra com Gênova. Marco equipou uma galé com trabucos e se juntou ao conflito. Foi capturado pelos genoveses, provavelmente em 1296, durante uma escaramuça naval próxima à costa da Anatólia — uma tradição posterior, do século XVI, situa sua captura na Batalha de Curzola, mas esta versão é contestada. Na prisão, Marco compartilhou a cela com Rusticiano de Pisa, um escritor que ficou tão impressionado com as histórias que ouvia que as foi anotando e ampliando. Desse convívio nasceu o livro que ficou conhecido como As Viagens de Marco Polo.

O texto se espalhou pela Europa como manuscrito ainda durante a vida de Marco, tornando-se uma das obras mais lidas e discutidas do período medieval. Descrevia a China, a Índia, o Japão, a Indonésia, a África Oriental — um mundo que a maioria dos europeus julgava fantasia. Os leitores oscilavam entre o fascínio e a incredulidade; o próprio Marco ganhou o apelido de "Il Milione", referência às suas supostas milhões de maravilhas ou ao palácio da família no bairro de Corte del Milion, em Veneza.

Libertado em agosto de 1299, Marco voltou a Veneza como homem rico, casou-se com Donata Badoèr e teve três filhas. Continuou ativo como mercador, participou de disputas tributárias da cidade e viveu até o início de 1324, morrendo aos setenta anos aproximadamente. Em seu leito de morte, amigos pediram que recantasse suas histórias, admitindo que havia inventado tudo. Sua resposta, segundo a tradição, foi: "Não contei nem a metade do que vi."

O legado de Marco Polo foi imenso e duradouro. Cristóvão Colombo navegou com uma cópia anotada do livro a bordo de sua caravela, buscando exatamente as riquezas que Marco havia descrito. O mapa-múndi de Fra Mauro, uma das obras cartográficas mais importantes do século XV, foi diretamente influenciado pelos relatos polonianos. Geógrafos, exploradores e aventureiros do Renascimento beberam naquela fonte. Seu livro não era apenas um relato de viagem — era a abertura de um mundo para outro, o primeiro encontro detalhado entre a Europa e a vastidão da Ásia.

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