biografias

Fernão de Magalhães

Navegador português conhecido por organizar e iniciar a primeira viagem de circum-navegação ao globo

8 min de leitura01/01/2024
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Fernão de Magalhães nasceu por volta de 1480 no norte de Portugal, numa família nobre cujos membros serviam à Coroa em cargos administrativos e militares. Embora cidades como Porto, Vila Nova de Gaia e Ponte da Barca reivindiquem sua naturalidade, e a vila de Sabrosa tenha durante muito tempo sido apontada como seu berço, pesquisas posteriores demonstraram que essa última reivindicação se baseava em documentação falsificada por um pretenso herdeiro. Seu pai, Rui de Magalhães, exerceu cargos de juiz e vereador no Porto, cidade onde a família está documentada entre 1472 e 1488.

A carreira de Magalhães começou sob a bandeira portuguesa, potência então dominante nas rotas marítimas do Índico. Com cerca de dez anos, tornou-se pajem da Corte da Rainha Dona Leonor, consorte de Dom João II, iniciando uma formação que mesclava a etiqueta cortesã com o conhecimento náutico e militar que definia a elite portuguesa da época das Grandes Navegações. Em março de 1505, aos vinte e cinco anos, alistou-se na Armada da Índia de Dom Francisco de Almeida, primeiro vice-rei da Índia, numa frota de vinte e dois navios.

Durante os oito anos que passou no Oriente a serviço de Portugal, Magalhães adquiriu uma experiência militar e náutica incomparável. Esteve em Goa, Cochim e Quíloa, participou da batalha naval de Cananor em 1506 — onde foi ferido —, e combateu na decisiva batalha de Diu. Em 1509, partiu com Diogo Lopes de Sequeira na primeira embaixada portuguesa a Malaca, onde estreitou laços com Francisco Serrão, seu grande amigo e possível primo. A captura desta cidade em 1511 abriu o caminho para as Molucas, as lendárias Ilhas das Especiarias que eram o objetivo final de todo esse esforço naval.

Numa expedição de 1512 ao comando de António de Abreu, Magalhães embarcou em busca das Molucas. A expedição chegou ao arquipélago de Banda, produtor de noz-moscada e maça, mas apenas um navio — o de Francisco Serrão, separado por um temporal — alcançou as Molucas do norte, as de Ternate e Tidore, produtoras do cravo mais valorizado. Magalhães, portanto, não chegou às ilhas mais importantes economicamente. Serrão, contudo, foi-lhe enviando cartas que descreviam as Molucas e sua posição geográfica, informações que plantariam a semente de uma ideia revolucionária.

De volta a Portugal, Magalhães caiu em desgraça com o rei Dom Manuel I, em parte por acusações de negociar irregularmente com os mouros durante uma campanha em Marrocos. Recusado pelo próprio rei quando pediu autorização para liderar uma expedição às Molucas pelo caminho do ocidente, Magalhães fez o que outros navegadores portugueses frustrados haviam feito antes: cruzou a fronteira e ofereceu seus serviços à Espanha. Em Sevilha, em dezembro de 1517, casou-se com Beatriz Barbosa, filha de um funcionário espanhol, e começou a negociar com a Coroa castelhana.

O acordo com o rei Carlos I da Espanha, que era também o imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, foi firmado em 1518. Magalhães comprometia-se a encontrar uma rota ocidental até as Molucas, chegando às especiarias sem violar o tratado de Tordesilhas com Portugal. Em setembro de 1519, uma frota de cinco navios e cerca de duzentos e setenta homens — portugueses, espanhóis, gregos, italianos e de outras nacionalidades — partiu de Sanlúcar de Barrameda. Os navios se chamavam Trinidad, San Antonio, Concepción, Victoria e Santiago.

A viagem enfrentou obstáculos terríveis desde o início. A desconfiança mútua entre o capitão-mor português e os capitães espanhóis culminou numa motim em Porto São Julião, na Patagônia, em abril de 1520. Magalhães sufocou a rebelião com mão de ferro, executando o líder e abandonando outro conspirador na costa árida. Meses depois, em outubro e novembro de 1520, encontrou o estreito que buscava no extremo sul da América, um labirinto de canais e fiordes entre ventos uivantes que durou trinta e oito dias para ser atravessado. Magalhães chorou ao ver o oceano que se abria do outro lado, batizando-o de Pacífico pela calmaria com que o recebeu.

A travessia do Pacífico foi uma provação de meses sem terra à vista, com tripulantes morrendo de escorbuto e fome, forçados a comer biscoitos apodrecidos e couros de vaca. Em março de 1521, a frota chegou às Filipinas, onde Magalhães estabeleceu relações com reis locais e se comprometeu, num gesto de aliança política que excedeu seu mandato, a ajudar militarmente um deles. Em 27 de abril de 1521, numa batalha na ilha de Mactan contra o chefe Lapulapu, Magalhães foi morto em combate — trespassado por lanças e flechas, no raso da água, enquanto protegia a retirada de seus homens.

A expedição continuou sob outros comandantes e o que restava de dois navios — o Victoria e o Trinidad — tentou alcançar as Molucas. Apenas o Victoria, sob o comando do basco Juan Sebastián Elcano, completou a circunavegação, chegando a Sevilha em setembro de 1522 com dezoito sobreviventes e uma carga de especiarias que cobriu os custos de toda a expedição. A primeira volta ao mundo estava feita, provando definitivamente a esfericidade da Terra e a vastidão do Pacífico. Magalhães não viveu para ver o feito completado, mas seu nome ficou para sempre associado à maior façanha náutica da história — e a um pinguim, a uma nebulosa, a crateras na Lua e em Marte, e a um estreito no fim do mundo.

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