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Cruzadas

Movimentos militares de inspiração cristã

7 min de leitura01/01/2024
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Cruzadas foram uma série de guerras religiosas iniciadas, apoiadas e, às vezes, dirigidas pela Igreja Cristã Latina no período medieval. As mais conhecidas dessas expedições militares são aquelas realizadas na Terra Santa entre 1095 e 1291, que tinham o objetivo de reconquistar Jerusalém e seus arredores do domínio muçulmano, depois que a região foi invadida pelo Califado Ortodoxo séculos antes. Começando com a Primeira Cruzada, que resultou na conquista de Jerusalém em 1099, dezenas de campanhas militares foram organizadas, fornecendo um ponto focal da história europeia por séculos. As cruzadas declinaram rapidamente após o século XV.

Em 1095, após um pedido de ajuda bizantino, o Papa Urbano II proclamou a primeira expedição no Concílio de Clermont. Ele encorajou o apoio militar ao imperador bizantino Aleixo I Comneno e convocou uma peregrinação armada a Jerusalém. Em todos os estratos sociais da Europa Ocidental, houve uma resposta entusiasmada. Os participantes vieram de toda a Europa e tinham motivações variadas. Isso incluía salvação religiosa, satisfação de obrigações feudais, oportunidades de vantagem econômica ou política. Expedições posteriores foram conduzidas por exércitos geralmente mais organizados, às vezes liderados por um rei. Todos receberam indulgências papais. Os sucessos iniciais estabeleceram quatro Estados cruzados: o Condado de Edessa; o Principado de Antioquia; o Reino de Jerusalém e o Condado de Trípoli. A presença europeia permaneceu na região de alguma forma até a queda de Acre em 1291. Depois disso, nenhuma outra grande campanha militar foi organizada.

Outras campanhas sancionadas pela Igreja incluem cruzadas contra cristãos que não obedeciam às decisões papais e hereges, aquelas contra o Império Otomano e outras por motivos políticos. A luta contra os mouros na Península Ibérica – a Reconquista – terminou em 1492 com a Queda de Granada. A partir de 1147, as Cruzadas do Norte foram travadas contra tribos pagãs no norte da Europa. As cruzadas contra os cristãos começaram com a Cruzada Albigense no século XIII e continuaram durante as Guerras Hussitas no início do século XV. As cruzadas contra os otomanos começaram no final do século XIV e incluem a Cruzada de Varna. Cruzadas populares, incluindo a Cruzada das Crianças de 1212, foram geradas espontaneamente pelas massas e não foram sancionadas pela Igreja.

O termo "cruzada" referiu-se inicialmente às expedições militares realizadas pelos cristãos europeus nos séculos XI, XII e XIII para a Terra Santa. Os conflitos aos quais o termo é aplicado foram estendidos para incluir outras campanhas iniciadas, apoiadas e às vezes dirigidas pela Igreja Latina com objetivos variados, principalmente religiosos, às vezes políticos. Estas diferiam das guerras religiosas cristãs anteriores, pois eram consideradas um exercício penitencial e, portanto, garantiam aos participantes o perdão para todos os pecados confessados. O que constituia uma cruzada foi compreendido de diversas maneiras, particularmente em relação às primeiras cruzadas, e a definição precisa continua sendo uma questão de debate entre os historiadores contemporâneos.

Na época da Primeira Cruzada, iter, "viagem" e peregrinatio, "peregrinação" foram termos usados para se referir à campanha. A terminologia dos cruzados permaneceu em grande parte indistinguível daquela da peregrinação cristã durante o século XII. Um termo específico para um cruzado na forma de crucesignatus — "aquele assinado pela cruz" — surgiu no início do século XII, o que levou ao termo francês croisade — o caminho da cruz. Em meados do século XIII a cruz tornou-se o principal descritor das cruzadas com crux transmarina — “a cruz no exterior” — usada para cruzadas no Mediterrâneo oriental e crux cismarina — “a travessia deste lado do mar” — para aquelas ocorrida na Europa. Os Estados cruzados da Síria e da Palestina eram conhecidos como "Outremer", do francês outre-mer, ou "a terra além do mar".

No final do século XI, o período de expansão territorial árabe islâmica já havia terminado há séculos. O afastamento da Terra Santa do foco das disputas de poder islâmicas permitiu relativa paz e prosperidade na Síria e na Palestina. O contato entre muçulmanos e europeus ocidentais foi apenas mais do que mínimo no conflito na Península Ibérica. O Império Bizantino e o mundo islâmico foram centros históricos de riqueza, cultura e poder militar. O mundo árabe-islâmico tendia a encarar a Europa Ocidental como uma região atrasada que apresentava pouca ameaça organizada. Em 1025, o imperador bizantino Basílio II estendeu a recuperação territorial ao máximo. As fronteiras se estendiam para o leste até o atual Irã. A Bulgária e grande parte do sul da Itália estavam sob controle e a pirataria foi reprimida no Mar Mediterrâneo. As relações dos bizantinos com seus vizinhos islâmicos não eram mais conflituosas do que suas relações com os eslavos ou os cristãos ocidentais. Os normandos na Itália; os pechenegues, os sérvios e os cumanos a norte e os turcos seljúcidas a leste, todos competiam com os bizantinos e os imperadores recrutavam mercenários — mesmo ocasionalmente entre os seus próprios inimigos — para enfrentar este desafio.

A situação política na Ásia Ocidental foi alterada por ondas posteriores de migração turca, em particular a chegada dos turcos seljúcidas no século X. Anteriormente um clã governante menor da Transoxiana, eles haviam se convertido recentemente ao islamismo e migrado para o Irã. Duas décadas após sua chegada, eles conquistaram o Irã, o Iraque e o Oriente Próximo. Os seljúcidas e seus seguidores eram da tradição sunita, o que os levou a entrar em conflito na Palestina e na Síria com os fatímidas, que eram xiitas. Os seljúcidas eram nômades, falantes de turco e ocasionalmente xamanistas, muito diferentes de seus súditos sedentários, falantes de árabe. Esta diferença e a governação do território baseada na preferência política e na competição entre príncipes independentes em vez da geografia enfraqueceram as estruturas de poder existentes. Em 1071, o imperador bizantino Romano IV Diógenes tentou um confronto para suprimir os ataques esporádicos dos seljúcidas, o que levou à sua derrota na Batalha de Manzicerta. Os historiadores já consideraram este um evento crucial, mas agora Manzicerta é considerado apenas mais um passo na expansão do Grande Império Seljúcida.

A evolução de uma teologia cristã da guerra desenvolveu-se a partir da ligação da cidadania romana ao cristianismo, segundo a qual os cidadãos eram obrigados a lutar contra os inimigos do império. Essa doutrina da guerra santa data do teólogo Santo Agostinho, do século IV. Ele defendia que a guerra agressiva era pecaminosa, mas reconheceu que uma "guerra justa" poderia ser racionalizada se fosse proclamada por uma autoridade legítima, fosse defensiva ou para a recuperação de terras e sem um grau excessivo de violência. Os atos violentos eram normalmente utilizados para a resolução de litígios na Europa Ocidental e o papado tentou atenuar esta situação. Os historiadores pensaram que os movimentos de Paz e Trégua de Deus restringiram o conflito entre cristãos do século X; a influência é aparente nos discursos de Urbano II. Outros historiadores afirmam que a eficácia era limitada e que já tinha desaparecido na época das cruzadas. O Papa Alexandre II desenvolveu um sistema de recrutamento através de juramentos para recursos militares que o seu sucessor, o Papa Gregório VII, estendeu por toda a Europa. No século XI, o conflito cristão com os muçulmanos nas periferias meridionais da cristandade foi patrocinado pela Igreja, incluindo o cerco de Barbastro e a conquista normanda da Sicília. Em 1074, Gregório VII planejou uma demonstração de poder militar para reforçar o princípio da soberania papal. A sua visão de uma guerra santa em apoio aos bizantinos contra os seljúcidas foi o primeiro protótipo de cruzada, mas não teve apoio.

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