Justin Dwayne Lee Johnson, mais conhecido pelo nome artístico Alyssa Edwards, é uma drag queen, coreógrafa e empresária norte-americana cuja trajetória singular combina competições de beleza drag, televisão de realidade, dança e empreendedorismo. Nascida e criada no Texas, Johnson construiu uma identidade artística marcante que a levou da cena regional de drag pageantry até os palcos nacionais da televisão americana, conquistando um público fiel que transcendeu as fronteiras da comunidade LGBTQ+ e alcançou o mainstream cultural.
O nome artístico Alyssa Edwards foi cuidadosamente escolhido como uma homenagem dupla: à atriz Alyssa Milano, por quem Johnson nutria admiração, e à sua drag mãe Laken Edwards, figura importante na tradição do drag pageantry texano. Essa relação de mentoria e linhagem é central na cultura drag, e Johnson não apenas herdou o legado da família artística Haus of Edwards, como assumiu o papel de drag mãe para novos talentos que surgiriam anos depois, incluindo competidoras que participariam da própria franquia televisiva que a tornaria famosa.
Antes da televisão, Alyssa Edwards construiu uma reputação sólida no circuito de concursos de drag americanos, que tem uma tradição própria distinta dos reality shows. Entre 2004 e 2010, acumulou uma série de títulos regionais e nacionais, incluindo Miss Gay Texas America em 2005, Miss Gay USofA em 2006 e vários outros títulos estaduais e continentais. Em 2010, chegou ao ponto alto desse percurso ao conquistar o título de Miss Gay America, o mais prestigioso concurso nacional de drag nos Estados Unidos.
No entanto, o título não durou: em 9 de dezembro de 2010, Johnson foi destituído da coroa de Miss Gay America por ter negócios em conflito com as obrigações contratuais para com a organização responsável pelo concurso. O primeiro suplente, Coco Montrese, assumiu o título no lugar de Alyssa, criando entre as duas uma rivalidade que se tornaria material rico para os capítulos seguintes de suas trajetórias. A destituição foi um momento público e delicado, mas que não diminuiu o reconhecimento que Alyssa já havia construído na cena drag nacional.
Em novembro de 2012, a Logo TV anunciou que Johnson estava entre as 14 drag queens selecionadas para competir na quinta temporada de RuPaul's Drag Race, o reality show de competição drag mais assistido do mundo. A coincidência de estar no mesmo elenco que Coco Montrese, sua ex-rival de concurso, tornou a temporada especialmente dramática para os espectadores. Durante a competição, Alyssa Edwards confirmou as expectativas, apresentando performances marcantes e vencendo o desafio principal do episódio de temática de balé, intitulado Black Swan: Why It Gotta Be Black, onde demonstrou sua formação em dança de maneira impressionante.
Eliminada no nono episódio após um lip sync contra Coco Montrese, Alyssa terminou a temporada em sexto lugar, mas sua personalidade vibrante e suas expressões faciais exageradas a tornaram uma das favoritas do público muito além do resultado final. A música Can I Get an Amen, lançada como parte do show, foi vendida em benefício do Centro Gay e Lésbico de Los Angeles, adicionando uma dimensão solidária à participação de Johnson na competição.
Em 2016, Alyssa retornou ao RuPaul's Drag Race: All Stars, a temporada de competição especial que reúne ex-participantes, como uma das dez concorrentes da segunda edição. Venceu o desafio principal do terceiro episódio, Herstory of the World, interpretando Annie Oakley em uma apresentação que revisitava mulheres icônicas ao longo da história. Após eliminações e um retorno dramático no quinto episódio, onde venceu um lip sync de Shut Up and Drive de Rihanna, Johnson foi eliminado definitivamente no sétimo episódio, terminando a temporada em quinto lugar no geral.
Fora das competições televisivas, Alyssa Edwards é empresária e coreógrafa bem-sucedida em Mesquite, no Texas, onde dirige a Beyond Belief Dance Company, estúdio de dança premiado que atende crianças e adolescentes. O estúdio tornou-se o foco de Dancing Queen, docuserie lançada em 5 de outubro de 2018 na Netflix, produzida por RuPaul e World of Wonder. A série mostrava o cotidiano de Johnson como instrutor, empresário e artista, revelando ao grande público uma dimensão mais complexa e comovente de sua personalidade além das fantasias e perucas.
A trajetória de Alyssa Edwards é também o retrato de uma transformação cultural mais ampla: a migração da drag queen do underground para o mainstream, do clube para a Netflix, do concurso regional para a televisão global. Nesse processo, Johnson nunca perdeu a autenticidade que construiu nos anos de pageantry texano, mantendo viva a herança do Haus of Edwards enquanto expandia sua influência para públicos que jamais haviam frequentado um bar drag em suas vidas. Esse equilíbrio entre raízes e alcance define o que torna Alyssa Edwards uma figura singular no panorama cultural americano contemporâneo.