John Anderson nasceu em Rosneath, na região de Argyll and Bute, em 26 de setembro de 1726. Filho do reverendo James Anderson e neto de outro pastor proeminente da Igreja, ele cresceu num ambiente marcado pela seriedade intelectual e pelo compromisso com valores que iam além do pragmatismo imediato. Após a morte de seu pai, foi criado em Stirling por uma tia, afastando-se do contexto original mas sem perder a solidez moral e a curiosidade intelectual que o definiriam ao longo de toda a vida. Em 1745, formou-se na Universidade de Glasgow, uma das mais antigas e respeitadas instituições de ensino da Escócia.
Ainda no mesmo ano da formatura, Anderson viveu uma experiência que revelava o lado mais concreto de seu caráter: durante a Revolta Jacobita de 1745, serviu como oficial do exército de Hanôver, participando dos conflitos que determinariam o destino da monarquia britânica. A revolta, liderada pelo pretendente Stuart Carlos Eduardo, tentou restaurar a linha católica ao trono, mas foi esmagada pelas forças de Hanôver. A participação de Anderson nesse conflito demonstrava que ele não era um acadêmico alheio ao mundo, mas um homem capaz de envolver-se nas grandes questões de seu tempo com determinação.
Na Universidade de Glasgow, Anderson trilhou uma carreira docente de impressionante longevidade. De 1755 a 1757, ocupou a cátedra de Línguas Orientais. Em seguida, a partir de 1757 e até sua morte em 1796, foi professor de Filosofia Natural, somando quase quatro décadas no mesmo cargo. Essa permanência excepcional tornaria Anderson o professor universitário de filosofia natural com mais tempo de serviço durante o século XVIII britânico, um recorde que refletia tanto sua dedicação quanto a qualidade de seu trabalho. Ao longo desses anos, ele construiu uma reputação de educador rigoroso e de cientista curioso, apaixonado por experimentos e pelas aplicações práticas do conhecimento.
Uma das contribuições mais concretas de Anderson para a história da ciência foi seu apoio a James Watt no aperfeiçoamento da máquina a vapor. Anderson incentivou Watt quando este trabalhava numa versão melhorada do motor de Newcomen, contribuição que seria fundamental para o desenvolvimento industrial. Essa relação entre Anderson e Watt exemplificava perfeitamente a filosofia que o educador defendia: a ciência devia servir à tecnologia, e o conhecimento teórico era tanto mais valioso quanto mais se traduzisse em aplicações práticas que beneficiassem a vida das pessoas. Anderson também foi amigo pessoal de Benjamin Franklin e instalou o primeiro para-raios em Glasgow, demonstrando na prática a ciência que ensinava na teoria.
Em 1786, Anderson publicou o livro "Institutos de Física", obra que alcançou cinco edições ao longo de apenas dez anos, sinalizando o interesse que o público culto da época demonstrava pelos temas que ele explorava. O sucesso do livro também contribuiu para sua eleição como Membro da Royal Society, inserindo-o definitivamente nas redes intelectuais mais importantes da Grã-Bretanha. Esse reconhecimento científico coexistia com um engajamento político que muitos dos seus contemporâneos consideravam radical. Anderson era um admirador declarado da Revolução Francesa, numa época em que esse apoio era visto com grande desconfiança pelas elites britânicas.
A dimensão mais singular de John Anderson estava, contudo, em sua dedicação à educação dos trabalhadores. Além de suas aulas regulares na universidade, ele oferecia palestras noturnas para artesãos, acessíveis e gratuitas, repletas de experimentos e demonstrações que tornavam a ciência viva e compreensível para pessoas sem formação acadêmica formal. O detalhe mais revolucionário dessas palestras era a presença bem-vinda das mulheres, numa época em que o acesso feminino ao conhecimento científico era excepcional. Pela predileção por explosões e fogos de artifício nas demonstrações, Anderson ganhou o apelido carinhoso de "Jolly Jack Fósforo".
Em seu testamento, Anderson tomou uma decisão que superaria em importância tudo o que havia construído em vida: doou sua propriedade para a fundação de uma instituição dedicada à "aprendizagem útil" para a classe trabalhadora em Glasgow. Chamada inicialmente de Instituição de Anderson, ela passou por diversas transformações e fusões ao longo dos séculos seguintes até tornar-se a Universidade de Strathclyde, uma das principais universidades tecnológicas do Reino Unido. A universidade homenageia seu fundador no nome do prédio de Física, na Biblioteca Andersoniana e no Campus John Anderson. Um dos exemplos mais citados do impacto da instituição foi ter possibilitado que David Livingstone, jovem operário sem recursos, tornasse-se médico, missionário e o mais célebre explorador africano de sua época. John Anderson morreu em Glasgow, em 13 de janeiro de 1796, aos 69 anos, e está enterrado no cemitério Ramshorn, ao lado do avô que lhe transmitiu os primeiros valores. Em 1996, representantes da Universidade de Glasgow prestaram homenagem em seu túmulo no bicentenário de sua morte.
