tragedias

Chris Hipkins

Político neozelandês; 41.° primeiro-ministro da Nova Zelândia

7 min01/01/2024
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Christopher John Hipkins nasceu em 5 de setembro de 1978 no Vale de Hutt, em Wellington, filho de Rosemary Hipkins, pesquisadora-chefe do Conselho de Pesquisa Educacional da Nova Zelândia. Desde cedo demonstrou interesse por política e questões sociais, percurso que o levaria a se tornar uma das figuras mais influentes da vida pública neozelandesa nas décadas seguintes.

Hipkins frequentou escolas locais no Vale de Hutt antes de ingressar na Universidade Victoria de Wellington, onde concluiu o Bacharelado em Política e Criminologia. Na universidade, seu engajamento foi além das salas de aula: em setembro de 1997, ainda no primeiro ano, ele se encontrava entre as dezenas de pessoas presas durante um protesto pacífico contra o Projeto de Lei de Revisão Terciária no Parlamento. O caso chegou aos tribunais, e uma década depois os 41 manifestantes receberam um pedido oficial de desculpas e dividiram uma indenização superior a 200 mil dólares, após o juiz concluir que o protesto era pacífico e que não havia razão legítima para as prisões. Entre 2000 e 2001, Hipkins presidiu o corpo estudantil da universidade, consolidando sua vocação para a vida pública.

Após a graduação, Hipkins acumulou experiências diversas: trabalhou como consultor de políticas para a Industry Training Federation e como gerente de treinamento da Todd Energy em Taranaki. Mais reveladora de sua trajetória futura foi a passagem pelo Parlamento como conselheiro dos parlamentares Trevor Mallard e Helen Clark, a então primeira-ministra, onde conheceu de perto os mecanismos do poder executivo e legislativo neozelandês.

Em 2008, Hipkins foi selecionado pelo Partido Trabalhista para disputar o eleitorado de Rimutaka — mais tarde renomeado Remutaka em 2020 — após a aposentadoria do parlamentar Paul Swain. A escolha fez parte de um esforço deliberado de Helen Clark para rejuvenescer o partido: Hipkins, com 29 anos, venceu a seleção interna sobre Paul Chalmers, de 54 anos e apoiado por Swain. Nas eleições gerais daquele ano, conquistou a cadeira com uma maioria de 753 votos, resultado que ele ampliaria progressivamente em todas as eleições subsequentes. Em 2020, sua maioria foi a segunda maior entre todos os candidatos vitoriosos, superado apenas pela própria primeira-ministra Jacinda Ardern.

Nos primeiros nove anos como parlamentar, o Partido Trabalhista permaneceu na oposição, e Hipkins exerceu funções de porta-voz em áreas como serviços internos, educação e serviço público. Foi nesse período que construiu sua reputação como crítico incisivo das políticas educacionais do governo nacional, opondo-se com firmeza à introdução das chamadas escolas charter no país. Em abril de 2013, votou a favor da lei que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Nova Zelândia, posição coerente com seus valores progressistas.

A virada na carreira de Hipkins chegou com a formação do Sexto Governo Trabalhista, em 2017, após a eleição de Jacinda Ardern. Nomeado Ministro da Educação, promoveu a abolição dos Padrões Nacionais e das escolas charter, herdadas do governo anterior, além de sinalizar uma revisão do sistema de certificação do ensino médio. Sua capacidade de resolver problemas complexos o tornaria um ministro de múltiplas pastas ao longo dos anos seguintes.

Foi durante a pandemia de COVID-19 que Hipkins se tornou verdadeiramente conhecido pela população neozelandesa. Exerceu o cargo de Ministro da Saúde entre julho e novembro de 2020, período crítico na gestão sanitária do país, e depois assumiu a pasta de Ministro da Resposta à COVID-19, função que ocupou de novembro de 2020 a junho de 2022. Sua presença constante nas comunicações públicas, aliada a uma postura direta e acessível, rendeu-lhe o apelido informal de "Chippy" e ampla simpatia popular.

Em 19 de janeiro de 2023, Jacinda Ardern anunciou sua renúncia inesperada à liderança do Partido Trabalhista e ao cargo de primeira-ministra, surpreendendo o país e o mundo. No processo de sucessão que se seguiu, Hipkins emergiu como o único candidato a disputar a liderança do partido, resultado de um consenso interno que refletia sua trajetória sólida e sua credibilidade acumulada. Em 22 de janeiro de 2023 foi eleito líder trabalhista, e três dias depois, em 25 de janeiro, foi escolhido pela governadora-geral como o 41.º primeiro-ministro da Nova Zelândia.

Seu governo enfrentou os desafios típicos de uma gestão em período pós-pandêmico: pressões econômicas, inflação e demandas sociais acumuladas. Hipkins conduziu o país até as eleições gerais de outubro de 2023, nas quais o Partido Trabalhista foi derrotado pelo Partido Nacional, encerrando seu mandato como primeiro-ministro em novembro daquele ano. Apesar da derrota eleitoral, Hipkins permaneceu como líder do Partido Trabalhista, conduzindo a oposição no Parlamento.

A trajetória de Chris Hipkins ilustra a ascensão de uma geração de políticos neozelandeses forjados tanto nas salas de aula universitárias quanto nos corredores do poder parlamentar. De estudante preso num protesto pacífico a primeiro-ministro, sua história é marcada pela consistência de valores e pela disposição de assumir responsabilidades nos momentos mais difíceis da vida pública do país. Seu legado mais imediato permanece associado à gestão da pandemia, episódio que revelou ao país inteiro a competência de um político que havia construído sua carreira longe dos holofotes, mas sempre próximo das questões que afetam a vida cotidiana dos neozelandeses.

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