A Líbia ocupa uma vasta extensão do norte africano, com quase 1,8 milhão de quilômetros quadrados que a tornam o décimo sétimo maior país do mundo. Banhada pelo mar Mediterrâneo ao norte, tem fronteiras com o Egito a leste, o Sudão ao sudeste, o Chade e o Níger ao sul, e a Argélia e a Tunísia ao oeste. Suas três regiões históricas — a Tripolitânia a noroeste, a Cirenaica a nordeste e a Fazânia ao sul — moldaram durante séculos as distintas identidades culturais e políticas de seus habitantes, e seu nome foi dado pelos colonizadores gregos ainda no século II antes da era comum.
As raízes antigas do território líbio são profundas. Fenícios e gregos chegaram ao país por volta do século VII antes de Cristo: os fenícios fixaram-se na Tripolitânia, os gregos na Cirenaica. Os cartagineses, herdeiros das colônias fenícias, organizaram a Tripolitânia como uma província, e no século I a.C. o Império Romano se impôs sobre toda a região, deixando monumentos de extraordinária grandiosidade — os sítios de Léptis Magna, Sabrata e Cirene figuram entre os mais bem preservados do mundo antigo. A Líbia permaneceu sob domínio romano até a conquista pelos vândalos em 455 d.C., sendo reconquistada pelo Império Bizantino entre 533 e 534.
A chegada do islamismo, no século VII, transformou permanentemente a cultura e a organização social da região. O Califado Almóada dominou por mais de três séculos a área tripolitana, enquanto a Cirenaica esteve vinculada ao controle egípcio. Em 1551, Solimão I, o Magnífico, incorporou a Líbia ao Império Otomano, estabelecendo o poder central em Trípoli. A autoridade turca, no entanto, mal se estendia além da faixa costeira. No século XVIII, a dinastia Karamanli dominou Trípoli por cento e vinte anos, alcançou maior autonomia e transformou a região em base para corsários — o que levou à primeira intervenção militar americana na África, a chamada Guerra Berbere, travada entre 1801 e 1805. Em 1835, o Império Otomano restabeleceu o controle direto sobre a Líbia, embora a confraria muçulmana dos sanussis mantivesse na prática o domínio sobre a Cirenaica e a Fazânia.
Em 1911, a Itália declarou guerra ao Império Otomano sob o pretexto de proteger colonos na Tripolitânia, dando início à Guerra Ítalo-Turca e à invasão do território líbio. A resistência foi liderada pela seita sanussi, que dificultou por décadas a penetração italiana no interior. Em 1912, a Turquia cedeu seus direitos sobre a Líbia à Itália pelo Tratado de Lausana. Durante a Primeira Guerra Mundial, os líbios retomaram o controle de boa parte do território, mas ao fim das hostilidades os italianos empreenderam uma brutal reconquista. A resistência liderada por Omar Mukhtar foi finalmente esmagada em 1932, após anos de repressão sistemática. A guerra colonial italiana provocou a morte de aproximadamente 225 mil pessoas na Cirenaica. Os crimes de guerra incluíram o uso de armas químicas, a execução de combatentes rendidos e o massacre de civis. Cerca de 100 mil beduínos foram expulsos à força de suas terras, que foram entregues a colonos italianos. Em 1939, a Líbia foi incorporada formalmente ao reino da Itália.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o solo líbio foi palco de combates que decidiram o destino do conflito no teatro norte-africano. Entre 1940 e 1943, o Afrikakorps do general alemão Erwin Rommel e as tropas britânicas travaram a chamada Campanha da Líbia, uma série de avanços e recuos que se tornou um dos episódios mais estudados da história militar moderna. Com a derrota do Eixo, a Grã-Bretanha assumiu o governo da Cirenaica e da Tripolitânia, enquanto a França administrou a Fazânia.
Em 24 de dezembro de 1951, a Líbia proclamou sua independência como o Reino Unido da Líbia, monarquia constitucional e hereditária. O líder religioso sanussi, emir Saíde Idris Senussi, foi coroado rei com o nome de Idris I, único monarca da história do país. Em 1952, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou formalmente a independência. A admissão na Liga Árabe em 1953 foi seguida por acordos de concessão de bases militares a norte-americanos e britânicos, cuja influência econômica cresceu rapidamente. A descoberta de enormes jazidas de petróleo em 1959 mudou radicalmente a equação: a Líbia, até então um dos países mais pobres do mundo, passou a acumular renda petrolífera e a exigir termos mais favoráveis de seus parceiros estrangeiros.
Em 1969, um golpe liderado por jovens oficiais do exército, entre eles o tenente Muamar Gadafi, derrubou a monarquia. Gadafi governou a Líbia por mais de quarenta anos, transformando o país numa experiência singular de socialismo árabe, financiada pelo petróleo e marcada por violações sistemáticas dos direitos humanos, pelo patrocínio ao terrorismo internacional e pelo isolamento alternado com esforços de aproximação ao Ocidente. Em 2011, em meio à Primavera Árabe, uma guerra civil eclodiu no país. Com o apoio de uma intervenção militar da OTAN, as forças rebeldes avançaram sobre Trípoli e capturaram Gadafi, que foi morto em outubro daquele ano. O regime de quatro décadas desabou, deixando no lugar uma profunda instabilidade política que o Conselho Nacional de Transição tentou administrar enquanto o país avançava lentamente em direção a um novo arranjo institucional. Eleições para o Congresso Geral Nacional foram realizadas em 7 de julho de 2012, e o CNT entregou o poder à nova assembleia em agosto — um passo frágil, mas simbólico, numa transição que o país ainda percorria com dificuldade.

