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Quénia

País da África

7 min01/01/2024
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O Quênia é um país da África Oriental que ocupa uma posição geográfica singular: atravessado pela linha do equador, tem o oceano Índico a leste, a Tanzânia ao sul, Uganda a oeste, o Sudão do Sul e a Etiópia ao norte, e a Somália a nordeste. Com uma área de 581 309 quilômetros quadrados e uma população estimada em cerca de 45 milhões de habitantes, o país reúne em seu território uma extraordinária diversidade de paisagens, climas e povos, desde as praias tropicais da costa suaíli até os picos permanentemente cobertos de neve do Monte Quênia — a segunda montanha mais alta do continente africano e a origem do próprio nome do país.

O nome "Quênia" remonta ao século XIX, quando o explorador alemão Johann Ludwig Krapf, viajando com uma caravana liderada pelo comerciante Chefe Quivoi, avistou o pico da imponente montanha e perguntou como era chamada. A resposta que ouviu — "ĩ-Nyaa" ou "Kĩlĩma-Kĩinyaa" — provavelmente descrevia os contrastes de rocha negra e neve branca nos picos, evocando as penas do avestruz macho. Os quicuias, que habitam as encostas da montanha, a chamam de Kĩrĩma Kĩrĩnyaga, "a montanha com brilho". Krapf registrou o nome como "Kenia", e um mapa de 1882 elaborado pelo geólogo escocês Joseph Thomson já o identificava como referência geográfica. O nome foi adotado para o país, primeiro como "África Oriental Britânica", depois como "Quênia Britânico" a partir de 1920, até chegar à denominação definitiva com a independência.

As raízes humanas do território queniano são antigas e profundas. Fósseis encontrados na região sugerem que primatas percorreram a área há mais de 20 milhões de anos, e descobertas nas margens do Lago Turkana apontam para a presença de hominídeos como o Homo habilis e o Homo erectus no período Pleistoceno. A expansão bantu, proveniente da África Ocidental-Central, chegou à região no primeiro milênio da era comum, misturando-se com populações de línguas nilo-saarianas e afro-asiáticas já estabelecidas, resultando num mosaico étnico e linguístico de rara complexidade.

Na costa, os suaílis construíram Mombasa como uma grande cidade portuária e estabeleceram laços comerciais com a Pérsia, a Arábia e a Índia. Comerciantes árabes oriundos da Arábia do Sul colonizaram o litoral, fundando cidades-Estado autônomas e introduzindo o islamismo na região. Essa mistura produziu a cultura suaíli, que ainda hoje caracteriza a costa queniana com sua língua, arquitetura e tradições próprias.

A presença europeia em Mombasa remonta ao início do período moderno. Portugal garantiu bases navais ao longo de dois séculos por meio de acordos com líderes locais que se tornavam vassalos nominais do rei português. Nem todas as alianças foram pacíficas: em 1589, 1610 e 1612, rebeliões forçaram os portugueses a recorrer a outras alianças tribais para se manter. Em 1698, os portugueses foram finalmente expulsos pelos omani, que passaram a dominar a costa suaíli por um longo período.

O Império Britânico estabeleceu o Protetorado da África Oriental Britânica em 1895 e, em 1920, a região passou a ser formalmente chamada de Colônia Quênia. A ocupação britânica transformou profundamente as estruturas sociais, econômicas e políticas locais: introduziu a agricultura comercial em larga escala, construiu uma ferrovia que ligava Mombasa ao interior e fomentou a chegada de colonos europeus que se apossaram das terras mais férteis dos planaltos.

Em dezembro de 1963, o Quênia proclamou sua independência. O país tornou-se república em 1964, com Jomo Kenyatta como primeiro presidente. Nas décadas seguintes, enfrentou os desafios típicos das nações africanas pós-coloniais: instabilidade política, tensões étnicas e as dificuldades de construir instituições democráticas sólidas. Em agosto de 2010, um referendo aprovou uma nova Constituição que dividiu o país em 47 condados semiautônomos governados por governadores eleitos, um dos mais significativos avanços institucionais de sua história recente.

A economia queniana é a maior da África Oriental e Central. A agricultura emprega grande parte da população e o país é tradicional exportador de chá e café. Nas últimas décadas, as flores frescas tornaram-se um importante produto de exportação para a Europa, e o setor de serviços — especialmente o turismo e as telecomunicações — ganhou peso crescente. Nairobi consolida-se como o principal centro financeiro e comercial da região, sede de numerosas organizações internacionais.

O Quênia é também mundialmente famoso por seus safáris e pela extraordinária riqueza de sua fauna. O Masai Mara, a Reserva Nacional de Tsavo e o Parque Nacional Aberdares atraem visitantes de todo o mundo para ver os famosos "Big Five" e assistir à grande migração de gnus e zebras. O Lago Nakuru, parte do sistema do Rift Valley, é habitat de flamingos e rinocerontes. A cidade histórica de Lamu, na costa, é Patrimônio Mundial da UNESCO, e as praias de Kilifi sediaram competições internacionais de iatismo. Em seu território, o Lago Vitória — o segundo maior lago de água doce do mundo e o maior lago tropical do planeta — é compartilhado com Uganda e Tanzânia, simbolizando a interdependência que une o Quênia à África Oriental de forma indissolúvel.

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