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Yane Marques

Atleta

5 min de leitura01/01/2024
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Yane Márcia Campos da Fonseca Marques nasceu em 7 de janeiro de 1984, em Afogados da Ingazeira, no sertão de Pernambuco, região que moldou o caráter determinado que a acompanharia durante toda a carreira. Caçula de quatro irmãos, mudou-se para Recife aos onze anos de idade e iniciou sua trajetória esportiva na natação, competindo pelo Clube Náutico Capibaribe. Ali chegou a dividir as raias com a futura nadadora olímpica Joanna Maranhão, demonstrando desde cedo a qualidade técnica que a distinguia entre as demais competidoras.

A virada que moldaria toda sua carreira aconteceu em 2003, quando Yane foi convidada para uma competição de biatlo, combinação de natação e corrida, organizada pela recém-fundada Federação de Pentatlo do Recife. Após vencer a competição, foi convidada pelo militar Alexandre França, um dos fundadores da entidade, a praticar o pentatlo moderno, modalidade que combina esgrima, natação, hipismo, tiro e corrida. A descoberta foi imediata: na primeira competição que disputou, já se sagrou campeã de uma etapa do campeonato nacional, em Porto Alegre. O pentatlo havia encontrado uma das maiores atletas que o Brasil produziria.

A evolução de Yane foi impressionante. Em 2004 e 2006, conquistou o Campeonato Sul-Americano, estabelecendo-se como a principal representante feminina do esporte na América do Sul. Em 2007, nos Jogos Pan-Americanos realizados no Rio de Janeiro, conquistou a medalha de ouro, tornando-se conhecida em âmbito nacional em um esporte praticamente ignorado pelo grande público brasileiro. No ano seguinte, representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, onde terminou em décimo oitavo lugar geral após uma prova de hipismo prejudicada por um cavalo que se recusou a obedecer.

Em 2009, Yane passou a integrar as Forças Armadas, recebendo o apoio institucional do Exército Brasileiro para os treinamentos, como terceiro-sargento da Comissão de Desportos do Exército no Rio de Janeiro. O suporte permitiu que se dedicasse com ainda mais profissionalismo à carreira. Em 2011, chegou à terceira colocação no ranking mundial, tornando-se a sul-americana mais bem colocada na história do esporte até aquele momento. Nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara daquele mesmo ano, conquistou a medalha de prata, embora tenha reclamado publicamente das condições estruturais das provas.

Os Jogos Olímpicos de Londres 2012 representaram o ponto mais alto da trajetória de Yane Marques e um marco para todo o esporte latino-americano. Ao longo das provas, ela foi construindo uma campanha de consistência notável: sexto lugar na esgrima, sexto lugar na natação com o tempo de 2 minutos e 12 segundos, nono lugar no hipismo. No combinado final de corrida e tiro, Yane foi a primeira atleta a acertar todos os tiros e partir para a corrida. Apesar de perder duas posições para a lituana Laura Asadauskaite e para a britânica Samantha Murray, cruzou a linha de chegada na terceira colocação, conquistando a medalha de bronze. Tornava-se assim a primeira latino-americana a conquistar uma medalha olímpica no pentatlo moderno. Fora da Europa, apenas Estados Unidos, China e Cazaquistão haviam até então alcançado pódio na modalidade, historicamente dominada por Hungria e Suécia.

Após as Olimpíadas de Londres, Yane ascendeu ao segundo lugar no ranking mundial, atrás apenas da campeã olímpica Asadauskaite. Em 2013, confirmou seu status de potência mundial ao vencer a Copa Kremlin, na Rússia, derrotando as duas últimas campeãs olímpicas, e ao conquistar a medalha de prata no Campeonato Mundial em Kaohsiung, Taiwan, a primeira prata brasileira na competição. Em outubro do mesmo ano, adicionou o bronze no torneio Campeão dos Campeões, no Qatar.

Em 2014, conquistou o ouro nos Jogos Sul-Americanos disputados no Chile e repetiu o título no Campeonato Pan-Americano, na Cidade do México. Em 2015, voltou ao pódio do Campeonato Mundial, conquistando o bronze em Berlim, e coroou o ano tornando-se bicampeã dos Jogos Pan-Americanos ao vencer em Toronto. Naquela competição, quebrou o recorde mundial de esgrima no pentatlo moderno, com 18 vitórias, três derrotas e 277 pontos, superando a marca percentual da própria campeã mundial de Berlim.

Em julho de 2016, Yane foi escolhida, por votação popular na internet, para ser a porta-bandeira da delegação brasileira na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, homenagem que reconhecia tanto seus títulos quanto o simbolismo de uma atleta pernambucana carregando a bandeira em solo nacional. Na competição em si, terminou em vigésimo segundo lugar, resultado abaixo do esperado, mas que não diminui em nada o conjunto de conquistas acumulado ao longo de mais de uma década de dedicação ao esporte.

Após os Jogos do Rio, Yane reduziu o ritmo competitivo e aceitou o convite para assumir a Secretaria Executiva de Esportes de Recife, devolvendo à cidade que a formou parte do conhecimento adquirido ao longo de anos de alto rendimento. Formada em educação física pela UNINASSAU, ela se tornou também secretária-executiva de Esportes Educacionais na Secretaria de Educação de Recife. Em 2019, nasceu sua filha. Yane Marques ocupa ainda o cargo de vice-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, consolidando uma trajetória que vai muito além das provas e das medalhas: é a de uma atleta que se tornou símbolo de representatividade, persistência e amor ao esporte no Brasil.

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