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Tornado

Coluna de ar em rotação violenta em contato com a superfície da Terra e uma nuvem cumulonimbus

6 min de leitura01/01/2024
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Um tornado é um dos fenômenos meteorológicos mais impressionantes e devastadores que a natureza pode produzir. Definido como uma coluna de ar que gira de forma violenta estando em contato simultâneo com a superfície da Terra e com a base de uma nuvem, geralmente do tipo cumulonimbus, o tornado representa a manifestação mais concentrada do poder atmosférico. Sua imagem característica — um cone de nuvem escura afunilando-se em direção ao solo, envolto por uma nuvem de detritos e poeira — é ao mesmo tempo uma das mais reconhecíveis e uma das mais temidas da natureza.

A palavra "tornado" tem origem na língua espanhola. Deriva da palavra "tronada", que significa tempestade de trovões, ela própria oriunda do latim "tonare", trovejar. Ao longo do tempo, o termo parece ter sido influenciado também pela palavra "tornar", que significa girar, chegando à forma atual que combina os dois sentidos — a tempestade que gira. Os falantes de inglês também utilizam o informal "twister" para se referir ao fenômeno, e ambas as denominações capturam aspectos distintos do fenômeno: a violência da tormenta e o movimento rotacional que a define.

Os tornados se apresentam em tamanhos, formas e intensidades variados. A maioria conta com ventos entre 65 e 180 quilômetros por hora, diâmetro aproximado de 75 metros e percorre alguns quilômetros antes de se dissipar. Contudo, os espécimes mais extremos desafiam a imaginação: ventos superiores a 480 km/h, diâmetros de até 1.500 metros e trajetórias que podem ultrapassar 100 quilômetros. Para classificar essa diversidade de intensidades, utiliza-se a escala de Fujita, que avalia o tornado pelos danos que causa. Um tornado F0 ou EF0, o mais fraco, é capaz de derrubar árvores, mas poupa estruturas maiores. Um F5 ou EF5, o mais poderoso, pode arrancar edificações inteiras de suas fundações e causar danos severos mesmo em construções robustas.

A formação de um tornado envolve uma cadeia de condições atmosféricas que raramente se alinham de forma completa, o que explica por que menos de 1% das células de tempestade chegam a gerar um. O processo começa, em geral, com o encontro de duas grandes massas de ar com temperaturas e pressões contrastantes. Nas planícies centrais dos Estados Unidos, por exemplo, o ar quente e úmido vindo do Golfo do México choca-se frequentemente com ar frio e seco proveniente do Canadá ou das Montanhas Rochosas. Esse contraste gera instabilidade atmosférica intensa, condição necessária mas não suficiente para a formação de um tornado.

O passo seguinte envolve o cisalhamento do vento: uma mudança na direção e na velocidade do vento com o aumento da altitude, que cria uma tendência de rotação horizontal na baixa atmosfera. Quando o ar ascendente da tempestade engole essa rotação horizontal e a converte em vertical, começa a se formar uma área de rotação com vários quilômetros de extensão — o chamado mesociclone. A base da nuvem nessa região rotacional é conhecida como "wall cloud", geralmente visível como uma área mais baixa e escura, normalmente livre de chuva, que pode ser o prenúncio visual de um tornado iminente. Pesquisas realizadas em 2018 no Oklahoma e no Kansas trouxeram evidências de que os ventos em espiral dos tornados se desenvolvem primeiro próximo ao solo, contrariando a teoria anterior segundo a qual a rotação nasce nas alturas e desce até a superfície.

Embora os tornados possam ocorrer em todos os continentes exceto a Antártida, sua distribuição geográfica é marcadamente desigual. A região do globo mais propensa ao fenômeno é o chamado "Corredor dos Tornados", no centro dos Estados Unidos, que inclui estados como Oklahoma, Kansas, Texas e Nebraska. A configuração geográfica dessa região — planícies abertas que facilitam o encontro das massas de ar contrastantes — cria condições quase ideais para a formação de supercélulas tempestuosas, as nuvens de cumulonimbus altamente organizadas que são a principal fábrica de tornados. Ocorrências significativas também são registradas no centro-leste e sul da Ásia, nas Filipinas, na América do Sul, na África do Sul, em partes da Europa e no sudeste da Austrália e Nova Zelândia. No Brasil, a região sul é historicamente a mais afetada.

Existem variações do fenômeno que merecem distinção. As trombas marinhas formam-se sobre corpos d'água, conectando-se a nuvens cumulus ou cumulonimbus, e são tratadas como uma subcategoria dos tornados por compartilharem a mesma estrutura rotacional em forma de cone. Em geral, são menos intensas que os tornados terrestres, mas representam perigo real para embarcações e para as costas próximas. Os landspouts são tornados mais fracos que se formam sem a estrutura de uma supercélula tempestuosa, e os tornados de vórtices múltiplos apresentam dois ou mais centros de rotação girando ao redor de um eixo central comum, podendo causar padrões de dano irregulares que confundem investigadores. Redemoinhos de poeira e redemoinhos de fogo são fenômenos visualmente similares, mas de natureza distinta.

A detecção e o monitoramento dos tornados evoluíram enormemente nas últimas décadas. O radar de impulsos Doppler permite que meteorologistas identifiquem a rotação interna das tempestades antes mesmo que qualquer funil seja visível do solo, aumentando significativamente o tempo de alerta disponível para populações em risco. Complementarmente, uma rede de caçadores de tempestades — observadores treinados que seguem as células tempestuosas em campo — fornece dados em tempo real sobre o desenvolvimento e o comportamento dos tornados. A combinação de tecnologia e observação humana reduz, mas não elimina, o perigo inerente a um fenômeno que pode se formar em minutos e mudar de trajetória de maneira imprevisível.

O impacto humano e econômico dos tornados é considerável. Os mais violentos da história americana destruíram cidades inteiras em questão de minutos, mataram centenas de pessoas e geraram prejuízos de bilhões de dólares. A construção de abrigos subterrâneos e a implementação de sistemas de alerta precoce em comunidades vulneráveis são respostas práticas desenvolvidas ao longo das décadas. Mas diante de um tornado EF5 em plena atividade, toda arquitetura humana enfrenta seus limites. O tornado permanece, afinal, como um lembrete de que a atmosfera obedece a suas próprias leis, e que compreendê-las é a melhor defesa que o ser humano pode construir.

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