Idina Kim Mentzel nasceu em 30 de maio de 1971 em Long Island, Nova York, numa família judaica de classe média. O sobrenome artístico que adotaria — Menzel — seria sua única grande simplificação num percurso profissional que se recusou a facilitar qualquer outra coisa. Desde a infância, mostrou aptidão para o canto e desenvolveu sua voz de forma disciplinada, iniciando treinamento clássico aos oito anos. Na adolescência, porém, afastou-se dos moldes do canto lírico tradicional e mergulhou no R&B, no jazz e no rock, construindo um estilo híbrido que combinava técnica rigorosa com uma expressividade emocional de alcance popular raro.
Para financiar seus estudos musicais na Universidade de Nova York, Menzel trabalhou como cantora em casamentos e eventos sociais, experiência que acabou sendo pedagogicamente valiosa de um modo inesperado: para agradar a públicos diferentes, ela precisava improvisar arranjos, adaptar tonalidades e manter a energia vocal mesmo em condições adversas. Essa capacidade de improviso vocal, forjada nas recepções de casamento do interior novaiorquino, seria depois evidente nas versões alternativas que ela oferecia nas apresentações ao vivo.
O início da carreira profissional no teatro levou-a à Broadway no final dos anos 1990, e foi lá que sua primeira grande virada aconteceu. O musical Rent, revolucionário espetáculo rock sobre jovens artistas atingidos pela epidemia de AIDS no Manhattan dos anos 1980, estreou em 1996 e rapidamente se tornou fenômeno cultural. Menzel interpretou a personagem Maureen Johnson, uma performática ativista cuja cena de protesto se tornaria uma das mais memoráveis da Broadway daquela geração. A performance rendeu-lhe um Tony Award de indicação e uma reputação sólida no circuito teatral.
O papel que definiria sua carreira viria em 2003, quando ela assumiu o papel de Elphaba, a bruxa verde incompreendida do musical Wicked, baseado na releitura do clássico O Mágico de Oz. A canção Defying Gravity, interpretada por Menzel no final do primeiro ato, tornou-se um hino de auto-afirmação e resistência, encarnando a voz de quem se recusa a se curvar às expectativas alheias. Em 2004, o Tony Award de Melhor Atriz em Musical chegou como consagração formal de uma atuação que já era reconhecida pelo público como transformadora. Em 2005, ela repetiu o papel de Maureen na adaptação cinematográfica de Rent, introduzindo seu trabalho a audiências que nunca haviam frequentado um teatro.
Fora da Broadway, Menzel expandiu sua presença para a televisão, com participações na série musical Glee, onde interpretou Shelby Corcoran, a mãe biológica da personagem de Lea Michele. O papel permitiu que sua voz alcançasse audiências televisivas durante a popularidade da série, ampliando sua base de fãs para além do público de teatro. Em 2014, voltou à Broadway com o musical If/Then, num papel que exigia uma abrangência emocional diferente das suas interpretações anteriores.
O alcance global de Idina Menzel seria determinado por uma produção de animação. Em 2013, ela emprestou sua voz à Rainha Elsa no filme Frozen, da Disney, interpretando a personagem que precisava aceitar e controlar seus poderes de gelo. A canção Let It Go, que Elsa entoa no ponto de virada da narrativa, tornou-se um fenômeno cultural de proporções raras, chegando ao quinto lugar do ranking Billboard Hot 100 e sendo cantada por crianças em dezenas de idiomas ao redor do mundo. O filme venceu o Oscar de Melhor Animação e a canção levou o Oscar de Melhor Canção Original, consolidando Menzel como uma das artistas de voz mais reconhecidas do início do século XXI.
Sua voz, classificada como mezzo-soprano com alcance de aproximadamente três oitavas, foi descrita pelo compositor de Wicked como um instrumento que combina calor vulnerável nas notas graves com uma potência crescente e irresistível nas notas agudas. Andrew Gans, da publicação Playbill, definiu-a como uma voz única de sua geração, capaz de transitar da delicadeza feminina ao registro de poder com naturalidade desconcertante. Menzel associou sua trajetória artística às canções de auto-capacitação, com Defying Gravity e Let It Go funcionando como hinos pessoais que transbordavam os limites das histórias que habitavam.
Na vida pessoal, Menzel foi casada com o ator Taye Diggs de 2003 a 2013, com quem teve um filho, Walker Nathaniel, nascido em setembro de 2009. Depois do divórcio, passou a namorar o ator Aaron Lohr, com quem se casou em setembro de 2017. Ela se identificou publicamente como feminista, declarando admiração por personagens que combinam força exterior com vulnerabilidade interior, numa visão que ecoa os papéis que escolheu ao longo da carreira.
O acúmulo de reconhecimentos formais ao longo das décadas confirmou a dimensão de sua contribuição às artes cênicas: Tony Award, American Music Award, Billboard Music Award, Daytime Emmy Award, estrela na Calçada da Fama de Hollywood em 2019, nomeação como Lenda da Disney em 2022 e doutorado honorário da Universidade da Pensilvânia em 2023. Esses títulos descrevem uma trajetória que começou nos salões de casamento de Long Island e chegou às mais altas esferas do entretenimento global, guiada por uma voz que, conforme sobe, fica cada vez mais forte e mais poderosa.

