Thomas Taylor nasceu em 29 de janeiro de 1932, em Barnsley, uma cidade industrial do Yorkshire marcada pelas mineradoras de carvão que definiam a vida de suas comunidades. Antes de se tornar uma das mais promissoras revelações do futebol inglês, Tommy trabalhou em uma pequena equipe local de mineração, o mesmo ambiente que havia moldado gerações de trabalhadores na região. Era um jovem de constituição física robusta, dotado de um instinto goleador que chamaria atenção dos olheiros do Barnsley quando ele tinha apenas dezesseis anos.
Convidado a fazer um teste no clube de sua cidade natal, Tommy ingressou no Barnsley em julho de 1949 e fez sua estreia oficial em 7 de outubro do ano seguinte, numa vitória por 3 a 1 sobre o Grimsby Town. A impressão que causou naquela partida foi reforçada quatro semanas depois, quando, em 4 de novembro, marcou um hat-trick na goleada por 7 a 0 sobre o Queens Park Rangers. No total de sua primeira temporada, anotou sete gols em doze partidas, uma média que já revelava um atacante acima da média. Ao longo de quatro temporadas com o Barnsley, marcou 26 gols em 44 jogos, mas a equipe fracassou em conseguir o acesso à primeira divisão do futebol inglês.
A transferência para o Manchester United chegou como consequência natural de tanto talento em uma equipe de divisão inferior. Matt Busby, o técnico do United, era conhecido por sua sagacidade tanto dentro quanto fora de campo, e revelou um gesto curioso ao fechar o negócio: pagou 29.999 libras por Taylor, e não as 30.000 libras que o mercado teria justificado. A razão era deliberada. Busby não queria que Taylor entrasse no clube carregando o peso de ser "o primeiro atleta a custar trinta mil libras", um título que poderia gerar pressão excessiva sobre um jovem que precisava se adaptar ao nível mais alto do futebol inglês. A cortesia daquele gesto revela muito sobre a inteligência de Busby como gestor humano.
A estreia de Tommy Taylor no Manchester United não poderia ter sido mais feliz: marcou dois gols no jogo inaugural e, até o final daquela temporada, acrescentou mais sete tentos em onze partidas. Era como se o futebol do mais alto nível fosse apenas a extensão natural de tudo que ele havia construído antes. Naquele mesmo período, foi convocado para a seleção inglesa, com a qual disputaria a Copa do Mundo de 1954. Nos dezenove jogos que realizou pela equipe nacional, marcou dezesseis gols, uma média extraordinária que o colocava entre os mais eficientes atacantes de sua geração e que o estabelecia como o grande sucessor de Nat Lofthouse na camisa da Inglaterra.
No Manchester United, Tommy Taylor foi peça fundamental nas conquistas do bicampeonato inglês, vencendo a Football League First Division nas temporadas 1955-1956 e 1956-1957, além de duas Supercopas da Inglaterra em 1956 e 1957. Também esteve na final da Copa da Inglaterra, perdida para o Aston Villa por 2 a 1. Seu desempenho no Campeonato Inglês e na Taça dos Campeões Europeus atraiu a atenção de grandes clubes do continente, e a Internazionale de Milão chegou a oferecer 65 mil libras por sua contratação, um valor que bateria o recorde de transferências da época. Matt Busby recusou a proposta, convicto de que Taylor era insubstituível para os planos do clube.
Essa recusa, que parecia o gesto de um técnico confiante na grandeza de seu projeto, acabaria tendo consequências trágicas que ninguém poderia prever. Em 6 de fevereiro de 1958, o avião que transportava a delegação do Manchester United de regresso da Iugoslávia, após a classificação para as semifinais da Taça dos Campeões, tentou decolar do aeroporto de Munique em condições climáticas adversas. Na terceira tentativa, a aeronave colidiu com obstáculos no fim da pista. Tommy Taylor estava entre os oito jogadores do United que não sobreviveram ao desastre, morrendo aos 26 anos, no auge de uma carreira que prometia muito mais. O futebol inglês perdeu naquele dia não apenas um goleador de elite, mas um dos personagens centrais de uma geração que havia colocado a Inglaterra de volta no mapa do futebol europeu.