A Batalha do Atlântico, a mais longa campanha militar contínua da Segunda Guerra Mundial, ocorreu de 1939 até a derrota da Alemanha Nazista em 1945, cobrindo uma parte importante da história naval do conflito. No seu cerne estava o bloqueio naval dos Aliados contra a Alemanha, anunciado no dia seguinte à declaração de guerra, e as subsequentes tentativas alemãs de romper o bloqueio e tentar enfraquecer os britânicos. A campanha atingiu seu auge de meados de 1940 até o final de 1943.
A batalha naval do Atlântico colocou submarinos (U-boats) e outros navios de guerra da Kriegsmarine (Marinha) alemã e aeronaves da Luftwaffe (Força Aérea) contra a Marinha Real Britânica, a Marinha Real Canadense, a Marinha dos Estados Unidos e a navegação mercante civil aliada. Os comboios, vindo principalmente da América do Norte e predominantemente destinados ao Reino Unido e à União Soviética, foram protegidos na maior parte pelas marinhas e forças aéreas britânicas e canadenses. Essas forças foram auxiliadas por navios e aeronaves dos Estados Unidos a partir de 13 de setembro de 1941. Os alemães foram acompanhados por submarinos da Regia Marina (Marinha Real) italiana, após o aliado do Eixo, a Itália, entrar na guerra em 10 de junho de 1940.
Como um país insular, o Reino Unido dependia muito de mercadorias importadas. A Grã-Bretanha precisava de mais de um milhão de toneladas de material importado por semana para sobreviver e lutar. Essencialmente, a Batalha do Atlântico envolveu uma guerra de tonelagem; a luta dos Aliados para abastecer a ilha da Grã-Bretanha e a tentativa do Eixo de impedir o fluxo de navios mercantes que permitia aos britânicos continuar lutando. O racionamento no Reino Unido também foi utilizado com o objetivo de reduzir a demanda, diminuindo o desperdício e aumentando a produção doméstica e a igualdade de distribuição. A partir de 1942, o Eixo também procurou impedir o acúmulo de suprimentos e equipamentos aliados no Reino Unido em preparação para a invasão da Europa ocupada. A derrota da ameaça dos U-boats alemães foi um pré-requisito para repelir o Eixo na Europa Ocidental. O resultado da batalha foi uma vitória estratégica para os Aliados — a guerra de tonelagem alemã falhou — mas a um grande custo: 3 500 navios mercantes e 175 navios de guerra aliados foram afundados no Atlântico pela perda de 783 U-boats e 47 navios de superfície alemães, incluindo quatro navios de guerra (Bismarck, Scharnhorst, Gneisenau e Tirpitz), nove cruzadores, sete invasores e 27 destróieres. Este fronte acabou sendo altamente significativo para o esforço de guerra alemão: a Alemanha gastou mais dinheiro na produção de embarcações navais do que em todos os tipos de veículos terrestres combinados, incluindo tanques e blindados.
A Batalha do Atlântico foi chamada de "a maior, mais longa e mais complexa" batalha naval da história. A campanha começou imediatamente após o início da guerra europeia, durante a chamada "Guerra de Mentira", e durou mais de cinco anos, até a rendição alemã em maio de 1945. Ela envolveu milhares de navios em um teatro cobrindo milhões de milhas quadradas de oceano. A situação mudava constantemente, com um lado ou outro ganhando vantagem, à medida que países participantes se rendiam, aderiam e até mesmo mudavam de lado na guerra, e à medida que novas armas, táticas, contramedidas e equipamentos eram desenvolvidos por ambos os lados. Os Aliados gradualmente ganharam a vantagem, superando os invasores de superfície alemães até o final de 1942 e derrotando os U-boats em meados de 1943, embora as perdas devido aos U-boats continuassem até o fim da guerra. O Primeiro-Ministro Britânico Winston Churchill escreveu mais tarde: "A única coisa que realmente me assustou durante a guerra foi o perigo dos U-boats. Eu estava ainda mais ansioso com essa batalha do que com a gloriosa batalha aérea chamada Batalha da Grã-Bretanha."
Desde o início das hostilidades, os alemães estavam cientes de que o domínio aliado dos mares era uma potencial ameaça aos seus planos de guerra. Para comandar a frota de U-boats alemães, Hitler nomeou Karl Dönitz – que já possuía experiência como submarinista na Primeira Guerra Mundial, portanto compreendia as necessidades dos marinheiros e o potencial do submarino como arma de guerra. Mas a avidez do Führer por iniciar o conflito pegou Doenitz de surpresa: ele contava com mais alguns anos de paz, até que pudesse dispor de uma frota com poder de fogo para ameaçar o comércio entre britânicos e norte-americanos. Em setembro de 1939, início da Segunda Guerra Mundial, o almirante comandava 57 submarinos – bem menos do que as 300 embarcações com as quais um bloqueio contra a Grã-Bretanha seria efetivo.
A vida a bordo de um submarino alemão é descrita por alguns que sobreviveram à guerra como, no mínimo, insalubre. Dentro de um casco pressurizado um tanto quanto frágil (e de tanques de lastro responsáveis pela submersão ou emersão da nave), apenas o capitão tinha uma acomodação individual; o restante da tripulação tinha de se virar entre tubos, torpedos, aparelhos medidores e equipamentos da nave, para comer, operar as máquinas e até mesmo fazer suas necessidades fisiológicas. Como os U-Boats não possuíam ventilação interna, os marinheiros eram obrigados a andar com passos leves e a não fazer muito esforço físico – pois, do contrário, corriam o risco de consumir todo o oxigênio.
Um U-Boat era movido por enormes motores a Diesel, os quais precisavam de ar da superfície e funcionando recarregavam as baterias que alimentavam os motores eletricos que movimentava o U-Boat quando submerso, durante ao menos quatro horas todos os dias. Nesse meio tempo, portanto, era grande o risco de o submarino ser atacado por aviões inimigos – lugar comum no final do conflito, quando os Aliados lograram desenvolver um sistema de radar centimétrico que reduziria drasticamente o poder dos U-Boats.
As principais armas usadas pelos submarinos eram os torpedos. Um torpedo poderia ser facilmente descrito como um micro-submarino, a partir do momento em que era lançado. Em seu bico, continha uma carga de explosivos que era acionada no contato com o casco do navio inimigo; entretanto, não era uma tarefa simples lançá-los. O comandante tinha que calcular bem a distância entre seu submarino e a nave inimiga, para então lançar o torpedo, de preferência a pouca profundidade. Uma vez na água, os propulsores dos torpedos deixavam um rastro de bolhas que poderia facilitar ao inimigo sua presença e dar-lhe tempo de desviar; com o recrudescimento do conflito, os alemães lograram desenvolver um torpedo movido a querosene, que minimizava esse rastro. Além dos torpedos, muitos submarinos possuíam canhões em seu deque – muitas vezes para afundar pequenas embarcações ou dar um coup d'grâce sem precisar usar torpedos.
Doenitz compreendera astutamente o poderio de seus submarinos por uma razão simples: a dificuldade dos aliados em combatê-los sem se limitar ao uso de comboios de navios. O sistema ASDIC (Allied Submarine Detection and Investigation Committee, traduzido: Comitê Aliado de Pesquisa e Detecção Submarina), composto de frequências de áudio que poderiam captar a presença de um submarino, era inútil contra submarinos que disparassem seus torpedos da superfície. Assim sendo, os comandantes dos U-Boats – alcunha dada aos submarinos alemães pelos ingleses, onde o U referia-se a Unterseeboot, ou submarino em alemão; a nomenclatura U-número era usada para identificar cada submarino (por ex. U-47, U-386, U-571, etc.) – foram instruídos a atacar à tona d'água. Desde petroleiros, com sua carga facilmente incendiável, até navios com carregamentos militares, muitos não escapavam aos U-Boats.