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Apollo 14

A Apollo 14 foi um voo espacial tripulado norte-americano responsável pelo terceiro pouso

7 min de leitura01/01/2024
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No final de janeiro de 1971, o Cabo Kennedy, na Flórida, voltou a vibrar com o rugido ensurdecedor de um foguete Saturno V elevando-se para o céu noturno. Era o lançamento da missão Apollo 14, o terceiro pouso tripulado na Lua e uma missão carregada de significados especiais tanto pela tripulação que conduzia quanto pelos desafios que precisaria superar. A bordo estavam Alan Shepard, Stuart Roosa e Edgar Mitchell, três astronautas com histórias distintas que se uniam para completar uma tarefa que a missão anterior, a Apollo 13, havia precisado abandonar dramaticamente.

O caminho até aquele lançamento foi marcado por contratempos. A Apollo 14 havia sido originalmente programada para outubro ou novembro de 1970, mas o acidente da Apollo 13 em abril daquele ano — quando uma explosão no módulo de serviço forçou o aborto da missão a apenas dois dias da alunissagem — gerou uma investigação exaustiva que revelou a necessidade de modificações significativas na espaçonave. Thomas Paine, o administrador da NASA, anunciou em maio de 1970 que a Apollo 14 não seria lançada antes de dezembro, e uma revisão posterior postergou o lançamento para 31 de janeiro de 1971. A NASA precisava ter certeza de que o tipo de falha que quase custou três vidas no espaço não se repetiria.

Alan Shepard, o comandante da missão, carregava uma história pessoal extraordinária que tornava sua presença naquele foguete ainda mais significativa. Ele havia sido o primeiro norte-americano a ir ao espaço, em um voo suborbital em 5 de maio de 1961, apenas vinte e três dias após o soviético Yuri Gagarin ter completado a primeira órbita tripulada da Terra. Mas logo depois desse feito histórico, Shepard foi diagnosticado com a Doença de Ménière, um problema no ouvido interno que causava vertigens e comprometia seu equilíbrio, retirando-o da condição de astronauta ativo e confinando-o a funções administrativas como Astronauta Chefe. Em 1968, uma cirurgia experimental corrigiu o problema, e Shepard conseguiu recuperar sua certificação de voo. Tinha 47 anos no momento do lançamento da Apollo 14, tornando-se o astronauta norte-americano mais velho a ir ao espaço até então, e continua até hoje como a pessoa mais velha a ter pisado na superfície lunar.

Stuart Roosa, o piloto do módulo de comando com 37 anos, tinha um histórico profissional peculiar: começou a carreira como bombeiro paraquedista antes de ingressar na Força Aérea dos Estados Unidos em 1953 e se tornar piloto de caça. Sua trajetória o levou à Escola de Pilotos de Pesquisa Aeroespacial na Base Edwards, na Califórnia, passo que abriu o caminho para sua seleção no Grupo 5 de astronautas da NASA em 1966. Edgar Mitchell, piloto do módulo lunar com quarenta anos, havia servido na Marinha dos Estados Unidos desde 1952 e construído sua carreira como aviador embarcado antes de seguir o mesmo caminho acadêmico de Roosa pela escola de Edwards.

A viagem para a Lua exigiu que a tripulação superasse uma série de falhas que poderiam ter forçado um segundo aborto consecutivo. O sistema de acoplamento entre o módulo de comando Kitty Hawk e o módulo lunar Antares apresentou problemas repetidos antes de finalmente funcionar. Um defeito no computador de bordo do módulo lunar ativava falsamente o sinal de aborto, o que poderia ter encerrado a missão prematuramente. As equipes em terra trabalharam com a tripulação para reprogramar o sistema, inserindo uma solução de contorno que neutralizava o sinal antes que ele pudesse ser processado. Foram momentos de alta tensão que demonstraram a capacidade de improvisação técnica desenvolvida ao longo de anos de programa espacial.

Alan Shepard e Edgar Mitchell pousaram o módulo Antares na região de Fra Mauro em 5 de fevereiro, enquanto Roosa permanecia em órbita lunar no Kitty Hawk conduzindo experimentos e fotografando a superfície, incluindo a área que seria usada como local de pouso pela Apollo 16. Nos dois dias seguintes, Shepard e Mitchell realizaram duas atividades extraveiculares, caminhando sobre a superfície lunar por períodos prolongados, coletando ao todo 42 quilogramas de rochas e amostras de solo. Um dos objetivos científicos mais ambiciosos era alcançar a borda da cratera Cone, de onde poderiam obter amostras de material mais profundo e antigo da crosta lunar. Apesar de terem chegado relativamente perto, a fadiga e a dificuldade do terreno impediram que completassem o trajeto, frustrando parte do planejamento geológico da missão.

Roosa levou consigo centenas de sementes de diferentes espécies arbóreas durante a viagem. Essas sementes, que orbitaram a Lua sem germinar, foram posteriormente distribuídas pela NASA ao longo dos anos seguintes para serem plantadas em vários pontos dos Estados Unidos, tornando-se conhecidas como "árvores lunares", um experimento botânico único e uma forma poética de conectar a memória da missão à paisagem terrestre. No último momento de sua caminhada na superfície, Shepard produziu um dos momentos mais memoráveis de todo o programa Apollo: usou uma cabeça de taco de golfe adaptada a um dos instrumentos científicos e deu duas tacadas em bolas que havia trazido consigo da Terra, mandando-as voar por longas distâncias na baixa gravidade lunar, entre sorrisos e comentários bem-humorados que chegaram ao mundo inteiro pela transmissão de rádio. Foi um gesto espontâneo e humano que humanizou aquela aventura tecnológica e entrou para sempre na história da exploração espacial. A missão encerrou-se com o amerissagem bem-sucedida no Oceano Pacífico em 9 de fevereiro, devolvendo os três astronautas sãos e salvos a uma Terra que os aguardava com admiração.

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