Ramessés II, terceiro faraó da décima nona dinastia egípcia, governou o Egito por sessenta e seis anos — um dos reinados mais longos da história —, e deixou no país uma presença física tão avassaladora que os séculos posteriores o chamaram simplesmente de "o Grande". De todos os onze soberanos que carregaram o nome Ramessés, apenas ele mereceu esse epíteto. Nascido filho do faraó Seti I e da rainha Tuia, e neto de Ramessés I — um general elevado ao trono pelo último faraó da décima oitava dinastia —, o príncipe cresceu num ambiente de poder militar e ambição expansionista que moldaria cada aspecto de seu reinado.
Desde os dez anos, o príncipe Ramessés recebeu o título de "filho primogênito do rei", reconhecimento formal de que seria o herdeiro do trono. Seu pai o introduziu cedo nas campanhas militares, levando-o contra os líbios e para operações em Canaã e Sinai. Essa educação prática no campo de batalha não era meramente cerimonial: os faraós egípcios precisavam demonstrar competência militar para manter a coesão do exército e justificar as campanhas de conquista que sustentavam o prestígio e a riqueza do Egito. Ramessés subiu ao trono por volta de 1279 a.C., com cerca de vinte e quatro anos, herdando um império em disputa com os hititas pela hegemonia no corredor sírio.
A campanha mais famosa de seu reinado, e uma das batalhas mais documentadas da Antiguidade, foi a Batalha de Cades, travada no ano cinco de seu reinado contra o rei hitita Muwatali II. Ramessés avançou com seu exército dividido em quatro divisões — Amom, Rá, Ptá e Seti — em direção à cidade de Cades, no rio Orontes, na Síria. Dois "desertores" hititas, que na verdade eram espiões, convenceram-no de que os hititas ainda estavam longe. Ramessés avançou com apenas a divisão de Amom, sendo surpreendido por uma emboscada hitita que cercou suas tropas.
O que aconteceu a seguir foi registrado em versões tão divergentes que separam a história da propaganda. Segundo o "Poema de Cades", gravado nas paredes de Carnaque, Luxor, Abidos, Abu Simbel e o Ramesseum, o faraó foi abandonado pelos soldados e, sozinho em sua carruagem, fez uma prece ao deus Amom, que o transformou num guerreiro invencível capaz de derrotar os hititas por conta própria. A realidade foi provavelmente mais prosaica: o exército egípcio foi forçado a recuar sem tomar Cades, mas reforços chegaram a tempo de evitar uma catástrofe. Nenhum dos dois lados reivindicou vitória convincente — e o conflito continuou por anos.
Nos anos seguintes, as campanhas contra os hititas prosseguiram na Síria e na Palestina, sem resolução definitiva. No décimo sexto ano do reinado de Ramessés, uma crise na sucessão hitita levou o deposto Mursil III a buscar refúgio no Egito, o que azedou as relações entre os dois impérios. A tensão persistiu até que, no ano vinte e um de seu reinado, Ramessés e o novo rei hitita Hatusil III assinaram um tratado de paz — o mais antigo tratado internacional de que há registro escrito, com versões em hieróglifos e em cuneiforme acadiano. O acordo estabelecia fronteiras, regulava extradições e prometia auxílio mútuo em caso de ameaças internas. Uma cópia em prata estava no arquivo hitita; uma versão em hieróglifos permanece esculpida nas paredes de Carnaque.
Para além da guerra, o reinado de Ramessés foi marcado por uma febre construtiva sem paralelo na história egípcia. Mandou erguer templos, obeliscos, estátuas e cidades em escala monumental. O templo de Abu Simbel, escavado na rocha num penhasco à beira do Nilo na Núbia, exibe quatro estátuas colossais do faraó sentado, cada uma com vinte metros de altura, guardando a entrada. A escolha do local não foi aleatória: dois vezes ao ano, em 22 de fevereiro e em 22 de outubro — datas associadas ao nascimento e à coroação do faraó —, os raios do sol penetravam o eixo do templo e iluminavam as estátuas de Ramessés e dos deuses no santuário interno. Nenhuma escultura além da do deus dos mortos ficava na sombra.
A família de Ramessés era tão vasta quanto o seu ego. Estimam-se mais de cem filhos de dezenas de esposas e concubinas. Sua grande esposa real, Nefertari, recebeu um túmulo no Vale das Rainhas que os arqueólogos consideram o mais belo de todos os sepulcros reais egípcios, com afrescos de uma vitalidade que os milênios quase não apagaram. Após a morte de Nefertari, por volta do vigésimo quarto ano de reinado, Ramessés casou-se com filhas de aliados estrangeiros, incluindo pelo menos duas princesas hititas, consolidando diplomaticamente a paz com os hititas.
Ramessés viveu até aproximadamente noventa anos, sobrevivendo a muitos de seus filhos. O sucessor foi seu décimo terceiro filho, Merneptá, que assumiu um reino já em declínio relativo. A múmia de Ramessés, preservada no Museu Egípcio do Cairo, mostra um homem idoso de rosto longo e estreito, com nariz proeminente e maxilar poderoso, com cabelos que os testes revelam terem sido ruivos em vida. Em 1976, a múmia foi enviada a Paris para tratamento de uma infecção fúngica — e recebeu na França um passaporte egípcio, com a profissão indicada como "rei". Poucos soberanos da história deixaram uma marca tão indelével na memória coletiva da humanidade.