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Platão

Filósofo grego mundialmente famoso por fundar o platonismo

7 min de leitura01/01/2024
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Quando Platão nasceu em Atenas, provavelmente em 428 ou 427 a.C., a cidade ainda carregava as marcas de uma grandeza política que começava a se fragmentar. A Guerra do Peloponeso dilacerava o mundo grego, e a instabilidade que marcou sua juventude — incluindo o golpe da Oligarquia dos Quatrocentos e, mais tarde, o brutal regime dos Trinta Tiranos — moldaria profundamente sua desconfiança em relação à democracia e sua obsessão com a justiça e a ordem política.

Batizado, segundo a tradição, com o nome de Arístocles em homenagem ao avô paterno, o jovem filósofo teria recebido de seu treinador de luta o apelido de Platon — "o largo" ou "o de testa ampla" —, que prevaleceu ao longo dos séculos. Sua família era de linhagem aristocrática excepcional: sua mãe Perictíone era sobrinha do político Crítias e irmã de Cármides, ambos figuras proeminentes na tirania oligárquica que Atenas conheceu entre 404 e 403 a.C. O padrasto de Platão, Perilampes, era amigo próximo de Péricles e havia servido como embaixador persa. Crescer nesse ambiente significava conviver com o poder e com as contradições que ele gera.

A educação que recebeu foi a mais completa possível para um jovem ateniense de sua classe: gramática, música, ginástica e poesia. Dicearco registrou que Platão chegou a competir nos Jogos Ístmicos, e as fontes antigas concordam em elogiar sua rapidez mental, sua modéstia e seu amor pelo estudo desde muito cedo. Antes de encontrar Sócrates, havia frequentado os ensinamentos de Crátilo, discípulo de Heráclito, e absorvido a doutrina do fluxo perpétuo das coisas.

O encontro com Sócrates, por volta dos vinte anos de Platão, foi transformador. Há uma tradição que diz que, na véspera do encontro, Sócrates sonhou com um filhote de cisne que dormia em seu colo e voou em seguida — o cisne, ave sagrada de Apolo, simbolizava a música e o canto filosófico que Platão traria. O jovem aristocrata abandonou suas ambições políticas iniciais e se dedicou inteiramente ao mestre. Permaneceu ao lado de Sócrates por quase uma década, até a execução do filósofo em 399 a.C.

A morte de Sócrates foi um trauma que reconfigurou toda a trajetória intelectual de Platão. Tendo visto a democracia ateniense condenar o homem mais justo que conhecia, partiu para uma série de viagens que o levaram a Mégara, ao Egito e eventualmente ao sul da Itália e à Sicília, onde entrou em contato com as comunidades pitagóricas. Essas experiências o expuseram à matemática como instrumento de investigação filosófica e ao ideal de um governante filósofo, tema que se tornaria central em sua obra mais famosa.

Na Sicília, Platão travou amizade com Díon, cunhado do tirano Dionísio I de Siracusa. A relação com essa ilha seria uma das mais frustrantes de sua vida: voltou por mais duas vezes tentando transformar o jovem Dionísio II num filósofo-rei, e ambas as tentativas fracassaram de forma humilhante — numa delas, segundo as fontes, teria sido vendido como escravo, sendo resgatado graças à intervenção de amigos.

De volta a Atenas, por volta de 387 a.C., Platão fundou a Academia, considerada a primeira instituição de ensino superior do mundo ocidental. Instalada nos jardins a noroeste da cidade, dedicados ao herói Academo, a escola reuniu pensadores das mais diversas áreas — matemática, astronomia, política, filosofia natural. Ali estudou, por vinte anos, o jovem Aristóteles de Estagira, que seria ao mesmo tempo o mais brilhante e o mais crítico dos discípulos de Platão.

O corpus platônico, composto por dezenas de diálogos e por uma série de cartas cuja autenticidade é debatida até hoje, é uma das raras obras da Antiguidade a ter sobrevivido quase integralmente ao longo de mais de dois mil e quatrocentos anos. Obras como A República, o Fédon, o Banquete, o Mênon e o Timeu exploram temas que vão da imortalidade da alma à natureza do belo, da teoria política ao fundamento do conhecimento. Nelas, a figura de Sócrates é o protagonista recorrente — mas há muito debate sobre até que ponto o Sócrates dos diálogos reflete o homem histórico ou é já uma construção do próprio Platão.

A contribuição mais original e duradoura de Platão para a filosofia é a chamada Teoria das Formas ou das Ideias. Para ele, o mundo sensível que percebemos pelos sentidos é apenas uma sombra imperfeita de uma realidade mais elevada composta de formas eternas, imutáveis e inteligíveis apenas pela razão. Uma cadeira particular e concreta é o que é porque participa da Forma da Cadeira, que existe independentemente de qualquer objeto físico. Essa distinção entre o mundo sensível e o mundo inteligível tornou-se um dos eixos de toda a filosofia ocidental subsequente.

Platão morreu em Atenas em 348 ou 347 a.C., com cerca de oitenta anos, provavelmente durante a celebração de um banquete de casamento. A direção da Academia passou a seu sobrinho Espeusipo. O impacto de seu pensamento atravessou os séculos de forma tão abrangente que o filósofo Alfred North Whitehead, já no século XX, descreveu toda a tradição filosófica europeia como uma série de notas de rodapé a Platão. O neoplatonismo influenciou o pensamento árabe, o judaísmo medieval e, através de Santo Agostinho, o próprio núcleo da teologia cristã. Mais de dois milênios após sua morte, o nome de Platão permanece sinônimo de uma das perguntas mais persistentes que a humanidade já formulou: o que há de real por trás das aparências?

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