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Pedro II do Brasil

Heroi Nacional, Pai dos Brasileiros e Salvador do Pais, Fundador da Nação e Libertador dos Escravos. 2.º e último imperador do Brasil (r. 1831–89)

8 min de leitura01/01/2024
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Pedro II (nome completo: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga; Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 1825 – Paris, 5 de dezembro de 1891), cognominado "o Magnânimo", foi o segundo e último monarca do Império do Brasil, reinando por 58 anos (1831–1889). Filho mais novo do imperador Pedro I do Brasil e da imperatriz consorte Maria Leopoldina da Áustria, integrou o ramo brasileiro da Casa de Bragança. Nascido no Palácio Imperial de São Cristóvão, tornou-se imperador ainda criança, após a abdicação de seu pai e a partida deste para Portugal, em 1831.

Em meio às instabilidades do período regencial, teve a maioridade decretada para assumir o governo e preservar a unidade do Império. Durante seu reinado, o Brasil consolidou um regime de monarquia constitucional com práticas parlamentaristas, notabilizando-se, no contexto regional, por maior estabilidade institucional e continuidade administrativa. Sob sua autoridade, o país participou de três grandes conflitos internacionais — a Guerra do Prata, a Guerra do Uruguai e a Guerra do Paraguai — além de enfrentar tensões internas e disputas diplomáticas, preservando sua integridade territorial.

Reconhecido como erudito e incentivador das artes, da cultura e das ciências, Pedro II cultivou ampla rede de contatos intelectuais e recebeu o respeito de estudiosos e escritores de seu tempo, sendo citado como admirado por figuras como Graham Bell, Charles Darwin, Victor Hugo e Friedrich Nietzsche, além de manter relações com nomes como Richard Wagner, Louis Pasteur e Henry Wadsworth Longfellow. Deposto com a Proclamação da República em 1889, recusou-se a apoiar medidas de força para reverter sua remoção e não endossou tentativas de restauração monárquica por meio de guerra. Viveu os últimos anos em exílio na Europa, falecendo em Paris.

Após sua morte, sua imagem pública foi gradualmente reavaliada, e seus restos mortais foram trasladados para o Brasil décadas depois, em cerimônias de grande repercussão. Sua influência também é associada ao estímulo institucional à pesquisa e à divulgação científica, com ênfase em seu interesse pela astronomia. Em razão disso, desde a lei n.º 13.556/2017, o dia 2 de dezembro — data de seu nascimento — é celebrado como o Dia Nacional da Astronomia no Brasil.

Pedro nasceu às 02h30 da manhã do dia 2 de dezembro de 1825 no Palácio de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Batizado em homenagem a São Pedro de Alcântara, seu nome completo era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.

Seu pai, o imperador Pedro I, foi o fundador do ramo brasileiro da Casa de Bragança e seu nome era precedido pelo honorífico "Dom" ("Senhor" ou "Lorde") desde o nascimento. Era neto do rei português João VI e sobrinho de Miguel I. Sua mãe era a arquiduquesa Maria Leopoldina da Áustria, filha de Francisco II, último Imperador do Sacro Império Romano-Germânico e primeiro imperador do Império Austríaco. Por sua mãe, Pedro era sobrinho de Napoleão Bonaparte e primo dos imperadores Francisco José I da Áustria e Maximiliano do México.

Único filho legítimo do sexo masculino de Pedro I a sobreviver à infância, foi oficialmente reconhecido como herdeiro do trono brasileiro com o título de Príncipe Imperial a 6 de agosto de 1826. A imperatriz consorte Leopoldina morreu a 11 de dezembro de 1826, poucos dias após dar à luz um menino natimorto, quando Pedro tinha um ano de idade. Pedro não guardou recordações de sua mãe, a não ser pelo que depois lhe foi contado. A influência e lembrança de seu pai também apagou-se com o tempo, e não guardou fortes imagens de Pedro I, mas apenas poucas e vagas lembranças.

Dois anos e meio após a morte de Leopoldina, o imperador casou-se com Amélia de Leuchtenberg. O príncipe Pedro passou pouco tempo com sua madrasta; no entanto, criaram um relacionamento afetuoso e mantiveram contato até a morte dela em 1873. O imperador Pedro I abdicou em 7 de abril de 1831, após um longo conflito com a facção liberal (que por sua vez iria mais tarde dividir-se nos dois partidos dominantes na monarquia, o Partido Conservador e o Partido Liberal) dominante no parlamento. Ele e D.Amélia partiram imediatamente para a Europa, onde o agora novamente príncipe Pedro iria lutar para restaurar sua filha Maria II, cujo trono em Portugal fora usurpado por seu irmão Miguel I. Deixado para trás, o príncipe imperial Pedro tornou-se, pelas leis sucessórias, imediatamente "Dom Pedro II. Por graça de Deus e unânime aclamação dos povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil", seguindo assim a velha tradição portuguesa de "Rei morto, Rei posto."

Ao deixar o país, o imperador Pedro I selecionou três pessoas para cuidarem de seu filho e das filhas remanescentes. A primeira foi José Bonifácio de Andrada, seu amigo e líder influente da independência brasileira, nomeado tutor. A segunda foi Mariana Carlota de Verna Magalhães Coutinho (depois Condessa de Belmonte), que detinha o cargo de aia desde o nascimento de Pedro II. Quando bebê, Pedro II a chamava de "dadama", pois não pronunciava corretamente a palavra "dama". Considerava-a sua mãe de criação, e continuaria a chamá-la, por afeto, de "dadama" mesmo já adulto. A terceira pessoa escolhida foi Rafael, um veterano negro da Guerra da Cisplatina. Rafael era um empregado do paço em quem Pedro I tinha profunda confiança e a quem pediu que olhasse por seu filho — pedido que Rafael levaria a termo pelo resto de sua vida.

José Bonifácio foi destituído de sua posição em dezembro de 1833 e substituído por outro tutor. Pedro II passava os dias estudando, com apenas duas horas livres para recreação. Acordava às 06h30 da manhã e começava seus estudos às sete, continuando até as dez da noite, quando ia para cama. Tomou-se grande cuidado em sua educação para formar valores e personalidade diferentes da impulsividade e irresponsabilidade demonstradas por seu pai. Sua paixão pela leitura lhe permitia assimilar qualquer informação. Pedro II não era um gênio, mas inteligente e com grande capacidade para acumular conhecimento facilmente.

O imperador teve uma infância solitária e infeliz. A perda súbita de seus pais o assombraria por toda a vida; ele teve poucos amigos de sua idade e o contato com suas irmãs era limitado. O ambiente em que foi criado o tornou tímido e carente, enxergando nos livros refúgio e fuga do mundo real.

A elevação de Pedro II ao trono imperial em 1831 levou a um período de crises, o mais conturbado da história do Brasil. Uma regência foi criada para governar em seu lugar até que atingisse a maioridade. Disputas entre facções políticas resultaram em diversas rebeliões e levaram a uma situação instável, quase anárquica, sob os regentes.

A possibilidade de diminuir a idade em que o jovem imperador seria considerado maior de idade, ao invés de esperar até que completasse 18 anos de idade em 2 de dezembro de 1843, era levada em consideração desde 1835. A ideia era apoiada, de certa forma, pelos dois principais partidos políticos. Acreditava-se que aqueles que o auxiliassem a tomar as rédeas do poder estariam em posição para manipular o jovem inexperiente. Aqueles políticos que haviam surgido na década de 1830 haviam se tornado familiares aos perigos de governar. De acordo com o historiador Roderick J. Barman, "eles haviam perdido toda a fé em sua habilidade para governar o país por si só. Eles aceitaram Pedro II como uma figura de autoridade cuja presença era indispensável à sobrevivência do país". O povo brasileiro também apoiava a diminuição da maioridade, e considerava Pedro II "o símbolo vivo da união da pátria"; esta posição "deu a ele, aos olhos do público, uma autoridade maior do que a de qualquer regente".

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