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Lampião

Objeto usado para contribuir na iluminação

4 min de leitura01/01/2024
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Existe um tipo de objeto que a humanidade jamais abandonou desde que aprendeu a controlar o fogo. A lanterna, o lampião, a luminária são palavras que designam essencialmente a mesma ideia: uma fonte de luz protegida do vento e da chuva, transportável, capaz de iluminar o caminho de quem precisa andar na escuridão. Antes que as lâmpadas elétricas mudassem definitivamente os ritmos da vida humana, o lampião era um companheiro indispensável do cotidiano, presente nas ruas das cidades, nos corredores das casas, nas carruagens que atravessavam a noite.

O lampião é um tipo específico de lanterna, geralmente constituído por uma armação metálica — embora também existam versões em cerâmica e outros materiais — com um anteparo transparente, quase sempre de vidro, que protege a chama do combustível. Essa chama pode ser alimentada por uma vela, por querosene, por gás ou, numa tradição curiosa da antiga China, até mesmo por vagalumes capturados e colocados no interior do anteparo. As lanternas possuem alças ou pegas para facilitar o transporte, e foi exatamente essa portabilidade que as tornou tão úteis por tantos séculos.

A história do lampião a gás representa um marco na evolução da iluminação urbana e industrial. Inventado em 1792, o lampião a gás foi uma das circunstâncias tecnológicas que possibilitaram o aumento das jornadas de trabalho nas fábricas europeias, especialmente na Inglaterra durante a Revolução Industrial. Ao iluminar os ambientes internos com muito mais eficiência e estabilidade do que as velas, permitia que as fábricas funcionassem além das horas de luz natural. Essa extensão da jornada teve consequências profundas para os trabalhadores e para a organização do trabalho industrial no século XIX.

Nas cidades, o lampião a gás transformou as ruas. Antes de sua adoção em larga escala, a vida urbana noturna era limitada e perigosa. Com a iluminação pública a gás, as ruas tornaram-se transitáveis à noite, o comércio pôde funcionar em horários mais amplos, e a vida social se expandiu para além do pôr do sol. A iluminação a gás foi substituída progressivamente pelas lâmpadas elétricas ao longo do final do século XIX e início do XX, mas durante décadas as duas tecnologias coexistiram nas cidades ao redor do mundo.

Além de querosene e gás, os lampióes utilizaram ao longo da história uma variedade de combustíveis inflamáveis: gasolina, diesel, biodiesel e gases como propano, butano e nafta. Cada combustível tinha suas vantagens e riscos. O querosene, por exemplo, era relativamente barato e seguro comparado à gasolina, mas todos os combustíveis apresentavam o risco de intoxicação por monóxido de carbono em ambientes fechados com pouca ventilação, além do perigo óbvio de incêndio em caso de acidente.

Para além da iluminação doméstica e urbana, as lanternas tiveram papéis específicos e importantes em contextos técnicos. Algumas lanternas a querosene foram usadas durante décadas como equipamentos de sinalização náutica e ferroviária, comunicando informações visuais a navios e trens antes que os sistemas elétricos e eletrônicos automatizados tornassem essa função obsoleta. Nos metrôs, os sinaleiros manuais com lanternas de diferentes cores eram personagens fundamentais da operação ferroviária urbana até meados do século XX.

Um dos usos mais curiosos das lanternas na história cultural diz respeito ao surgimento de um personagem icônico dos quadrinhos americanos. As lanternas de sinalização manual do metrô de Nova Iorque inspiraram o desenhista Martin Nodell a criar, em 1940, junto com o roteirista Bill Finger, o personagem Lanterna Verde — o primeiro, chamado Alan Scott. A imagem da lanterna como fonte de poder sobrenatural, de luz que vence a escuridão, ressoou com o público e o personagem tornou-se um dos heróis mais duradouros da editora DC Comics.

Hoje, os lampióes e lanternas continuam em uso, não como tecnologia principal de iluminação, mas em contextos específicos onde a eletricidade não está disponível ou onde se busca uma experiência deliberadamente diferente. Em residências durante quedas de energia, em acampamentos, em trabalhos de mineração, em expedições ao ar livre, a lanterna portátil ainda cumpre seu papel milenar de carregar a luz onde ela é necessária. E em muitas culturas ao redor do mundo, as lanternas continuam sendo usadas como objetos de decoração e símbolo de festas e celebrações noturnas, mantendo viva a ligação ancestral entre a humanidade e a chama que ilumina a escuridão.

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