biografias

Joe Pass

Joe Pass, nascido Joseph Anthony Passalaqua, (New Brunswick, 13 de janeiro de 1929 — Los A

4 min de leitura01/01/2024
Anúncio

Joseph Anthony Passalaqua nasceu em 13 de janeiro de 1929 em New Brunswick, Nova Jersey, filho de uma família pobre de imigrantes italianos radicados na costa leste dos Estados Unidos. Desde os nove anos, quando tocou uma guitarra pela primeira vez, ficou claro que havia algo diferente naquela criança: uma aptidão musical que ia além do dom e sugeria uma vocação profunda. Não tardou para que o instrumento se tornasse o centro absoluto de sua vida.

Aos 14 anos, ainda estudante no colégio, Joe já tocava em conjuntos profissionais, incluindo apresentações ao lado da banda de Tony Pastor. Aos 16, tomou uma decisão que definiria toda a sua trajetória: largou a escola e a família e foi para Nova York tentar a vida como músico. Conseguiu emprego em bons grupos que se apresentavam em clubes noturnos da cidade, um ambiente exigente que forjou suas habilidades técnicas e seu ouvido harmônico. Em 1947, tocou com Charlie Barnet, e logo depois foi prestar o serviço militar, que interrompeu temporariamente a carreira.

O retorno à vida civil trouxe consigo uma batalha que quase destruiu tudo. Ao longo dos anos 1950, Joe Pass travou um combate devastador contra o vício em drogas, período durante o qual teve sérios problemas legais, médicos e pessoais, chegando a cumprir pena de prisão. Eram anos perdidos para a música, anos em que um dos maiores talentos do jazz americano permanecia praticamente desconhecido. O mundo da música mal sabia o que estava esperando.

A redenção começou em 1962, quando Pass ingressou em um programa de reabilitação na Synanon Foundation, em Santa Mônica, Califórnia. O tratamento foi bem-sucedido e, livre das drogas após mais de uma década de dependência, ele retornou com renovado vigor ao universo da música. Nos primeiros anos, seu nome ainda era quase desconhecido do grande público. Ele trabalhava como músico de estúdio, participando de gravações de dezenas de artistas sem que seu nome figurasse nos créditos principais. Era virtuoso e invisível.

A virada decisiva chegou através do produtor Norman Granz, o grande arquiteto do jazz contemporâneo, que o contratou para sua gravadora Pablo. Granz colocou Pass em contato com os maiores nomes do jazz mundial: Ella Fitzgerald, Oscar Peterson, Count Basie, Duke Ellington, Dizzy Gillespie, George Shearing e Sarah Vaughan. De repente, o guitarrista que passara os anos 1950 nas sombras estava gravando ao lado dos monstros sagrados do gênero, e o mundo começava a perceber o que havia sido ignorado por tanto tempo.

Em 1973, Pass iniciou a série solo Virtuoso, álbuns nos quais a guitarra sozinha sustentava harmonias, melodias e ritmo simultaneamente — uma façanha que revelava a extensão plena de sua genialidade técnica. Tocava com os dedos, sem palheta, uma escolha estética deliberada: preferiu sacrificar a velocidade para poder construir camadas sonoras mais ricas. A imaginação harmônica que ele exibia nas baladas românticas era particularmente impressionante, capaz de transformar standards conhecidos em obras de reflexão quase meditativa.

Com Oscar Peterson e Niels-Henning Ørsted Pedersen, gravou The Trio, álbum que venceu o Grammy em 1974. Com Ella Fitzgerald, produziu uma série de duetos que estão entre os registros mais elegantes da história do jazz: Take Love Easy, de 1973, Fitzgerald and Pass... Again, de 1976, e outros que se seguiram. Em 1980, ele e Ella gravaram juntos o songbook de Antonio Carlos Jobim, mostrando que Pass tinha apreço genuíno pela música brasileira, embora não a houvesse feito seu território principal como fizera seu contemporâneo Charles Byrd. Outros discos marcantes incluem Portraits of Duke Ellington, de 1974, e Summer Nights, de 1989.

Apesar de todo o sucesso discográfico, Joe Pass nunca perdeu o amor pelas apresentações ao vivo em clubes noturnos, onde havia começado a carreira ainda adolescente. Havia para ele uma honestidade no contato direto com o público que nenhuma gravação conseguia reproduzir completamente. Faleceu em 23 de maio de 1994 em Los Angeles, vítima de câncer no fígado. Deixou a esposa Ellen e dois filhos, Nina e Joe Jr. Seu legado é o de um músico que redimiu uma juventude perdida e transformou o sofrimento em beleza, tornando-se, na maturidade, um dos guitarristas mais completos que o jazz jamais produziu.

Anúncio
Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium

Histórias Relacionadas