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Ron Tauranac

Ronald Sidney Tauranac, AO, mais conhecido como Ron Tauranac (Gillingham, 13 de janeiro de

4 min de leitura01/01/2024
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Ronald Sidney Tauranac nasceu em Gillingham, na Inglaterra, em 13 de janeiro de 1925, mas seria na Austrália e nas pistas de corrida europeias que sua história se tornaria lenda. Engenheiro de formação e vocação, Tauranac tinha uma visão mecânica que ia além dos desenhos no papel: ele entendia a física das pistas, os caprichos dos motores e os limites dos materiais como poucos de sua geração. Quando a Fórmula 1 ainda dava seus passos iniciais como espetáculo global, Tauranac foi um dos artesãos silenciosos que ajudaram a moldar o que a categoria se tornaria.

A grande virada em sua carreira veio quando ele se associou ao piloto Jack Brabham, compatriota australiano que havia conquistado títulos mundiais pela Cooper e aspirava construir seus próprios carros. Em 1962, os dois fundaram a Motor Racing Developments, a MRD, que o mundo logo conheceria simplesmente como Brabham. A empresa nascia com uma proposta ousada: competir na cúpula do automobilismo com máquinas projetadas e construídas por eles mesmos, algo que poucos haviam tentado com sucesso até então.

Os resultados não demoraram. A parceria Brabham-Tauranac revelou-se formidável. O auge veio em 1966, quando Jack Brabham conquistou o campeonato mundial de pilotos ao volante do Repco Brabham BT19, tornando-se o primeiro — e até hoje único — piloto a vencer um título de Fórmula 1 num carro que trazia seu próprio nome. A equipe também levou o campeonato de construtores naquele ano. Em 1967, o domínio se confirmou: Denny Hulme sagrou-se campeão dos pilotos, com Brabham em segundo, e o título de construtores voltou para a equipe. Quatro títulos mundiais em dois anos, todos sob a égide técnica de Tauranac.

O sucesso na Fórmula 2 era ainda mais impressionante pela consistência. Entre 1964 e 1966, na categoria de um litro, carros da Brabham venceram 28 das 47 principais corridas disputadas. Numa temporada, a parceria Brabham-Honda resultou em 12 vitórias em 15 corridas, com outra parceria especial com a Cosworth somando mais dois triunfos. Na Fórmula 2 de 1600 cc, entre 1967 e 1971, a Brabham venceu 33 das 107 principais corridas da categoria. Esses números revelavam não apenas a qualidade de Tauranac como projetista, mas também sua capacidade de construir carros confiáveis em escala industrial — do primeiro modelo, o BT1, até o BT39, desenvolvido em 1972, Tauranac foi responsável pela construção de nada menos que 592 automóveis de corrida.

Com a aposentadoria de Brabham ao fim da temporada de 1970, Tauranac assumiu o comando total da equipe. Em 1972, vendeu o time para Bernie Ecclestone — o mesmo Ecclestone que, décadas mais tarde, se tornaria o todo-poderoso gestor da Fórmula 1. A venda encerrava um capítulo, mas Tauranac não parou. Ainda em 1973, trabalhou como consultor no desenvolvimento de um novo chassi para a Frank Williams Racing Cars, equipe precursora da atual Williams F1, além de colaborar com a Trojan em um carro de Fórmula 1. Em 1978, teve um breve retorno como responsável pelo desenvolvimento do carro da Theodore Racing.

Em 1974, Tauranac fundou a Ralt no Reino Unido, retomando um nome que havia usado nos anos 1950 na Austrália — inclusive vencendo o New South Wales Hillclimb Championship em 1954 com um carro chamado Ralt 500. A nova empresa se revelou outro sucesso retumbante. O primeiro chassi, o Ralt RT1, sagrou-se campeão da estreante Fórmula 3 Europeia em 1975, nas mãos de Larry Perkins. O mesmo título voltaria à Ralt em 1978, com Jan Lammers. Para 1979, Tauranac desenvolveu dois novos projetos: o RT2 para a Fórmula 2 e o RT3 para a Fórmula 3. O RT3 traria o terceiro título europeu de Fórmula 3 e, em 1983, nova glória com Pierluigi Martini. Na versão britânica da competição, a Ralt foi ainda mais dominante, vencendo oito títulos em nove anos.

Em outubro de 1988, Tauranac vendeu a Ralt para a March Engineering por 1,25 milhão de libras esterlinas. Entre 1974 e 1993, a empresa havia desenvolvido 1083 carros, dos quais Tauranac foi responsável direta ou indiretamente por 1047. Os números falam por si: poucos engenheiros na história do automobilismo projetaram tanta quantidade mantendo tão alto nível. Antes de encerrar definitivamente sua relação com a Fórmula 1, ainda passou pela equipe Arrows num breve período.

Ron Tauranac morreu em 17 de julho de 2020, na Sunshine Coast, Austrália, aos 95 anos. Deixava para trás uma herança de precisão, inovação e uma humildade peculiar de quem sempre preferiu fazer os carros falarem por ele. No mundo onde os pilotos colhem os aplausos, Tauranac foi o gênio discreto nos bastidores, sem cujas mãos nenhum troféu teria sido erguido.

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