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Roland Petit

Roland Petit (Villemomble, 13 de janeiro de 1924 - Genebra, 10 de julho de 2011) foi um co

4 min de leitura01/01/2024
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Roland Petit nasceu em Villemomble, nos arredores de Paris, em 13 de janeiro de 1924, filho de pai francês e de mãe italiana chamada Rose Repetto. O sobrenome materno se tornaria, anos mais tarde, sinônimo de elegância no mundo da dança — mas isso é uma história para contar em seu momento. O que importa no início da trajetória de Roland Petit é que ele cresceu num ambiente permeado pela arte e pela beleza, que encontraria seu destino tão cedo que pareceria predestinação.

Aos onze anos, Petit entrou na Escola de Ballet da Ópera de Paris, onde estudou sob a orientação de figuras como Gustave Ricaux e o lendário Serge Lifar, que moldou a dança clássica francesa por décadas. Em 1940, com apenas dezesseis anos, começou a dançar no corps de ballet da Ópera de Paris. O mundo estava em guerra, Paris havia sido ocupada, e ainda assim o jovem bailarino encontrava no movimento uma linguagem que transcendia o caos ao seu redor.

A independência artística de Petit manifestou-se cedo. Em 1945, sem esperar pelo reconhecimento das instituições estabelecidas, fundou o Ballet des Champs-Élysées, sua primeira companhia. O gesto revelava um temperamento que marcaria toda sua carreira: Petit não esperava permissões, ele criava espaços onde a dança pudesse ser o que ele imaginava que ela deveria ser. Em 1948, fundou a companhia Ballet de Paris, no Teatro Marigny, com Zizi Jeanmaire como estrela. A parceria com Jeanmaire era mais do que artística — em 1954, ele se casaria com a bailarina, e juntos teriam uma filha, Valentine Petit, que também seguiria carreira nas artes.

Os anos 1940 e 1950 foram os de sua afirmação como coreógrafo de personalidade singular. Em 1946, criou Le Jeune Homme et la Mort, um balé de impacto visceral que explorava os temas do amor e da morte com uma modernidade que desconcertou e fascinou o público parisiense. Em 1949, Carmen tornou-se outra de suas obras-primas: a adaptação da ópera de Bizet para a linguagem da dança era ao mesmo tempo fiel ao espírito da personagem e radicalmente nova em sua execução cênica. Essas duas criações permanecem como marcos da dança do século XX.

Petit nunca se contentou com os limites do que a dança havia sido. Colaborou com artistas de campos os mais variados: com o compositor Serge Gainsbourg, com o estilista Yves Saint-Laurent, com o escultor César Baldaccini. Trabalhou com os nouveaux réalistes Martial Raysse, Niki de Saint Phalle e Jean Tinguely, numa abertura ao mundo das artes visuais que enriquecia sua linguagem coreográfica com texturas inesperadas. Participou também de filmes franceses e americanos, demonstrando que sua visão artística não cabia nos confins de um único suporte.

Em 1968, seu balé Turangalîla provocou agitação na Ópera de Paris, confirmando que Petit continuava sendo uma força perturbadora mesmo quando já era um nome consagrado. Quatro anos depois, em 1972, fundou o Ballet National de Marseille, que dirigiria pelos 26 anos seguintes. Com o Pink Floyd Ballet, estreou naquele mesmo ano, numa aposta irreverente de fundir a energia do rock progressivo britânico com a precisão do balé clássico. Os cenários contavam com a participação de artistas como Jean Carzou e Max Ernst, tornando cada espetáculo uma obra total.

Ao longo de sua carreira, Petit coreografou 176 balés — um número que não tem paralelo em sua geração. De Guernica, de 1945, até Les Chemins de la Création, de 2004, cada obra revelava um artista em permanente transformação, capaz de abordar Proust com a mesma maestria com que lidava com o repertório clássico. Notre-Dame de Paris, de 1965, Le Fantôme de l'Opéra, de 1980, e La Symphonie Fantastique, de 1975, estão entre as criações que mostraram a amplitude de seu universo estético.

Em 1993, Petit publicou suas memórias no livro J'ai dansé sur les flots — "Dancei sobre as ondas" — título que capturava com precisão a leveza e o risco que sempre marcaram sua arte. No ano seguinte, em 1994, recebeu o Prix Benois de la Danse, o mais importante reconhecimento internacional da coreografia.

Vale lembrar ainda um detalhe afetivo e histórico: em 1947, a pedido de Roland, sua mãe Rose Repetto fundou a companhia Repetto, que se tornaria uma das mais celebradas marcas de sapatos e acessórios para bailarinos do mundo. O nome materno, assim, atravessou gerações e continua vivo nos pés de dançarinos em todo o planeta.

Roland Petit morreu em Genebra, na Suíça, em 10 de julho de 2011, aos 87 anos, vítima de leucemia. Deixou para trás uma obra monumental, uma companhia forjada em décadas de disciplina e ousadia, e a memória de um homem que nunca deixou de se reinventar diante do palco.

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