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Joaquim II Heitor, Eleitor de Brandemburgo

Joaquim II Heitor (em língua alemã: Joachim II Hector ou Hektor; 13 de janeiro de 1505 – 3

6 min de leitura01/01/2024
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Joaquim II Heitor nasceu em 13 de janeiro de 1505, em Cölln, uma das cidades que formariam mais tarde a grande Berlim, filho mais velho de Joaquim I Nestor, Príncipe-Eleitor de Brandemburgo, e da princesa Isabel da Dinamarca. O mundo em que cresceu era sacudido por disputas religiosas de proporções jamais vistas: Martinho Lutero havia publicado suas teses em 1517, e os contornos do que chamamos de Reforma Protestante começavam a redesenhar o mapa espiritual e político da Europa central.

A herança que Joaquim II recebeu do pai não era apenas territorial — era também contratual. Joaquim I Nestor, determinado a preservar a ortodoxia católica em Brandemburgo, impôs ao filho a assinatura de um contrato hereditário pelo qual prometia manter a religião de Roma. A motivação, porém, era tanto financeira quanto religiosa: o irmão do pai, o arcebispo-eleitor Alberto de Mainz, havia contraído enormes dívidas com a poderosa família bancária Fugger para financiar sua ascensão simultânea às sés episcopais de Halberstadt, Magdeburgo e Mainz — uma acumulação canônica irregular que exigia compensações generosas.

O mecanismo escolhido para quitar esse financiamento era a venda de indulgências em territórios como Brandemburgo. Não por acaso, foi exatamente essa prática que desencadeou a reação de Lutero. No vizinho Eleitorado da Saxônia, o príncipe-eleitor João Frederico I havia proibido o comércio das indulgências, não necessariamente por convicção doutrinária, mas por ressentimento político em relação a Alberto de Mainz. Foi num de seus súditos, o monge agostiniano Martinho Lutero, que encontrou o argumento teológico que lhe faltava para legitimar a proibição. Essa cadeia de interesses cruzados — dívidas bancárias, disputas eclesiásticas e rivalidades dinásticas — contextualiza a Reforma de forma muito menos idealizada do que a tradição protestante costuma apresentar.

Joaquim II navegou nesse ambiente com pragmatismo. Seu primeiro casamento foi com a princesa Madalena da Saxônia, da linha Albertina da Casa de Wettin, que faleceu em 1534. No ano seguinte, já no exercício do poder como sexto representante da Casa de Hohenzollern no trono de Brandemburgo, casou-se com a princesa Edviges Jaguelão, filha do rei Sigismundo I da Polônia e da condessa húngara Bárbara Zápolya, irmã do rei João I da Hungria. A aliança dinástica trazia consigo uma exigência: a família Jaguelônica era católica, e Joaquim prometeu ao sogro que não forçaria Edviges a mudar de religião.

Esse compromisso com a sogra católica e o contrato assinado com o pai criavam uma moldura que limitava a liberdade de movimentos de Joaquim. Mas a Reforma avançava, e o eleitor de Brandemburgo não era insensível ao seu apelo. Em 1 de novembro de 1539, um gesto discreto mas eloquente marcou sua posição: Joaquim recebeu a comunhão em ambas as espécies — pão e vinho — na Igreja de São Nicolau em Spandau. Para o observador atento, era um sinal claro de simpatia luterana, pois a comunhão em ambas as espécies para os leigos era precisamente uma das reivindicações centrais da Reforma.

Antes desse gesto simbólico, Joaquim já havia promulgado uma ordenação religiosa que adotava a doutrina luterana em suas linhas essenciais, mas com uma série de concessões à tradição: preservava o episcopado, mantinha boa parte da missa celebrada em latim e conservava festas e costumes da Igreja que os reformadores mais radicais rejeitavam. Era uma reforma à meia-altura, típica de um príncipe que precisava equilibrar convicções nascentes com alianças políticas existentes.

Apenas em 1555, após a morte do imperador Carlos V, seu principal aliado e interlocutor no Sacro Império Romano-Germânico, Joaquim II declarou abertamente e sem reservas sua adesão ao luteranismo. A morte de Carlos — que havia sido o principal obstáculo a qualquer ruptura formal com Roma por parte dos príncipes alemães — abriu espaço para que Joaquim consolidasse o que vinha construindo discretamente por décadas. A Paz de Augsburgo, assinada naquele mesmo ano, reconhecia o direito dos príncipes a determinar a religião de seus territórios, e Joaquim não deixou passar a oportunidade.

Seu longo reinado, que se estendeu de 1535 a 1571, trinta e seis anos no total, deixou Brandemburgo como um eleitorado que aprendera a navegar com habilidade entre as forças que dividiam o Sacro Império. Joaquim II Heitor faleceu em 3 de janeiro de 1571, deixando um território consolidado e uma confissão religiosa definida. O pragmatismo que marcou sua trajetória — a capacidade de mudar de posição sem rupturas abruptas, de honrar compromissos contraditórios enquanto preparava transições graduais — seria uma marca da Casa de Hohenzollern nos séculos seguintes.

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