Antony Charles Robert Armstrong-Jones nasceu em 7 de março de 1930 em Londres, numa família marcada por uma notável tradição artística que remontava a gerações anteriores. Seu bisavô era o caricaturista Linley Sambourne, e seu tio materno Oliver Messel foi um dos mais celebrados designers do século vinte. O tio-avô paterno Alfred Messel era um arquiteto renomado em Berlim. Com essa herança cultural, não surpreende que Antony tenha trilhado um caminho voltado para a imagem, a estética e a arte — ainda que sua trajetória o levasse a cruzar, de modo definitivo, com a família real britânica.
Educado no Eton College, em Windsor, e depois na Universidade de Cambridge, onde estudou arquitetura, Armstrong-Jones optou por reinventar-se como fotógrafo. Nos campos da moda, do design e do teatro, construiu rapidamente uma reputação que o colocou entre os profissionais mais disputados do Reino Unido. Sua ascensão foi acelerada por uma encomenda especialmente significativa: o retrato oficial da Rainha Elizabeth II e do Príncipe Philip durante uma viagem ao Canadá em 1957 — uma das fotografias mais formais e simbólicas que poderia existir no universo da realeza britânica. A partir de então, sua carreira ganhou dimensões institucionais sem perder a criatividade.
No início dos anos 1960, tornou-se editor de imagens da revista do Sunday Times. Ao longo das décadas seguintes, seus trabalhos foram publicados em veículos como Vogue, Vanity Fair e Daily Telegraph. Entre seus retratados estão figuras tão diversas quanto Barbara Cartland, Laurence Olivier, J. R. R. Tolkien, Freddie Mercury e a Princesa Diana — um catálogo que abrange ícones da literatura, da música, da cultura pop e da realeza. Em 2001, o National Portrait Gallery de Londres exibiu uma retrospectiva de sua obra, consagração merecida para um fotógrafo que havia documentado o século vinte britânico com uma sensibilidade única.
Mas foi sua vida pessoal que o transformou em personagem de dimensão histórica. Em 26 de fevereiro de 1960, foi anunciado o noivado de Antony Armstrong-Jones com a Princesa Margarida, irmã da Rainha Elizabeth II. O casamento foi celebrado em 6 de maio daquele ano na Abadia de Westminster, numa cerimônia televisionada que reuniu multidões. A princesa revelaria mais tarde que, no mesmo dia em que concordou em se casar com Antony, recebeu uma carta de Peter Townsend — o amor da sua vida, um oficial da RAF com quem havia se relacionado anos antes — anunciando que ele estava comprometido com outra mulher.
Ao se casar com uma princesa, Antony recebeu títulos nobiliárquicos que, segundo se dizia, ele aceitou com relutância. Tornou-se o Conde de Snowdon — condado que pertencera aos príncipes galeses da antiga Casa de Gwynedd até 1282 — e o Visconde Linley, título de cortesia criado em homenagem ao seu antepassado Linley Sambourne. O casal teve dois filhos: David, nascido em 1961, e Sarah, nascida em 1964. Em novembro de 1999, Lorde Snowdon recebeu ainda um pariato vitalício como Barão Armstrong-Jones, para manter sua cadeira na Câmara dos Lordes após a reforma que reduziu o poder dos pares hereditários.
O casamento com a Princesa Margarida, porém, foi tumultuado desde cedo. A personalidade festiva da princesa e a obsessão profissional de Antony criaram um abismo crescente entre eles. Episódios pitorescos e constrangedores circularam anos depois, alimentando a imagem de um casal que raramente encontrava paz dentro de casa. O divórcio foi consumado em 1978, encerrando dezoito anos de uma união que havia começado com toda a pompa da realeza e terminou em silêncio judicial.
Em dezembro de 1978, Antony casou-se com Lucy Lindsay-Hogg, com quem teve uma filha, Lady Frances Armstrong-Jones, nascida em julho de 1979. Esse segundo casamento também chegou ao fim, em 1999, quando se revelou publicamente que Antony era pai de Jasper Cable-Alexander, filho de Melanie Cable-Alexander, editora de revista — um escândalo que marcou os seus últimos anos de vida pública. Apesar das polêmicas pessoais, seu trabalho fotográfico permaneceu reconhecido e respeitado.
Lorde Snowdon morreu em 13 de janeiro de 2017, em sua casa em Kensington, em Londres, aos 86 anos, de modo tranquilo. Seu funeral foi realizado na Igreja de Santo Baglan, em Llanfaglan, perto de Caernarfon, no País de Gales, e foi sepultado nos terrenos da família. Sua vida foi a de um artista que o acaso colocou no centro de uma das famílias mais observadas do mundo, mas que soube construir uma identidade própria através da lente de sua câmera — documentando o século com um olhar que não precisava do glamour real para ser admirado.



