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Isaac Newton

Matemático e físico inglês (1642–1727)

7 min de leitura01/01/2024
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Existe um antes e um depois de Isaac Newton na história da ciência. Antes dele, o céu e a Terra obedeciam a leis distintas e separadas: o movimento dos planetas era explicado por mecanismos celestiais que nada tinham a ver com a queda de uma maçã num pomar de Lincolnshire. Depois dele, o universo inteiro obedecia a um único conjunto de equações matemáticas. Essa foi a revolução que um homem solitário, nascido prematuramente numa fazenda inglesa em 1642, inaugurou e, em grande medida, completou por conta própria.

Isaac Newton nasceu na véspera de Natal de 1642 — de acordo com o calendário juliano então em uso na Inglaterra — em Woolsthorpe Manor, em Woolsthorpe-by-Colsterworth, no condado de Lincolnshire. Seu pai, também chamado Isaac Newton, havia morrido três meses antes do nascimento do filho. O bebê chegou ao mundo prematuro e tão pequenininho que sua mãe Hannah Ayscough diria mais tarde que ele caberia dentro de uma caneca de cerveja. Poucos imaginariam que sobreviveria ao primeiro inverno.

Quando Newton tinha três anos, sua mãe casou-se novamente com um pastor chamado Barnabas Smith e foi morar com o novo marido, deixando o filho aos cuidados da avó materna. O abandono — que é a palavra mais honesta para o que ocorreu — marcou Newton profundamente. Numa lista de pecados que compilou na adolescência, ele incluiu a confissão de ter ameaçado queimar a casa sobre a cabeça da mãe e do padrasto. O isolamento da infância moldou um adulto desconfiante, arredio às relações humanas e capaz de concentração intelectual de uma intensidade quase patológica.

Dos doze aos dezessete anos, Newton frequentou a Escola The King's in Grantham, hospedando-se na casa de um boticário. Lá descobriu os livros de química do hospedeiro e começou a construir modelos mecânicos elaborados: moinhos de vento em miniatura, relógios de sol, papagaios de papel que carregavam lanternas — objetos que surpreendiam os vizinhos e revelavam uma mente que não conseguia simplesmente aceitar como as coisas funcionavam sem entender os princípios por trás delas. Sua mãe, viúva pela segunda vez, o retirou da escola em 1659 para que assumisse a administração da fazenda. Newton se revelou um fazendeiro desastroso: ficava horas contemplando os problemas matemáticos que trazia na cabeça enquanto as ovelhas fugiam para os campos dos vizinhos.

O tio materno e o mestre da escola insistiram junto à mãe que seria um desperdício enterrar aquele talento na lavoura. Em 1661, Newton foi admitido no Trinity College de Cambridge, onde passou a receber uma bolsa em troca de serviços domésticos prestados a estudantes mais ricos. Os ensinamentos oficiais da universidade eram ainda predominantemente aristotélicos, mas Newton os complementou com leituras vorazes e independentes de Descartes, Galileu, Kepler e outros pilares da Revolução Científica que fervilhava ao seu redor. Em seus cadernos privados, formulou uma série de "Questões" sobre a natureza da matéria, da luz e do movimento que revelam uma mente já operando bem além dos currículos da época.

Em agosto de 1665, quando Newton tinha vinte e dois anos e acabara de se formar, a universidade fechou por causa da Grande Praga que varria a Inglaterra. Ele voltou para Woolsthorpe, onde passou cerca de dezoito meses que ficariam conhecidos como seus "anos miraculosos". Sem a distração das aulas, sem colegas, sem obrigações, Newton mergulhou em suas próprias especulações com uma concentração que os historiadores da ciência ainda admiram. Foi nesse período que desenvolveu o que chamava de "método das fluxões" — o que a posteridade conheceria como cálculo diferencial e integral. Descobriu o teorema binomial generalizado. Começou a decompor a luz branca com um prisma e a teorizar sobre a natureza das cores. E, ao observar objetos caindo — possivelmente incluindo a famosa maçã, embora a história seja provavelmente lendária na forma como costuma ser contada —, começou a formular os princípios da gravitação universal.

De volta a Cambridge em 1667, Newton foi eleito membro do Trinity College e, em 1669, com apenas vinte e seis anos, assumiu a cátedra lucasiana de matemática, uma das mais prestigiosas posições acadêmicas da Inglaterra. Construiu com suas próprias mãos o primeiro telescópio refletor prático, usando um espelho côncavo em lugar de lentes para eliminar as aberrações cromáticas que tornavam os telescópios anteriores imprecisos. Enviou o instrumento para a Royal Society em Londres, onde causou sensação. Foi eleito membro da sociedade em 1672.

Mas era em suas especulações sobre a natureza da gravidade que residia o trabalho mais revolucionário. Em 1684, o astrônomo Edmond Halley visitou Newton em Cambridge e perguntou que forma teria a órbita de um planeta se a força entre ele e o Sol diminuísse com o quadrado da distância. Newton respondeu imediatamente: uma elipse. Quando Halley pediu a demonstração, Newton disse tê-la calculado anos antes, mas havia perdido o papel. Nas semanas seguintes, refez os cálculos e deu início ao que se tornaria o "Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica" — os Princípios Matemáticos da Filosofia Natural.

Publicado em 1687, com custeio do próprio Halley, o "Principia" é unanimemente considerado o maior livro científico jamais escrito. Em suas páginas, Newton formulou as três leis do movimento — inércia, força proporcional à aceleração, ação e reação iguais e opostas — e a lei da gravitação universal: qualquer dois corpos no universo se atraem com uma força proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre eles. Com esse conjunto de equações simples, Newton derivou as leis de Kepler para o movimento planetário, explicou as marés, calculou as trajetórias dos cometas, e demonstrou que o achatamento da Terra nos polos era uma consequência de sua rotação. O universo era uma máquina perfeita governada por leis matemáticas que podiam ser descobertas pela razão humana.

Newton passou as últimas três décadas de sua vida não em Cambridge, mas em Londres, onde serviu como diretor e depois mestre da Casa da Moeda Real, reorganizando o sistema monetário britânico e combatendo implacavelmente os falsificadores. Foi cavaleiro da rainha Ana em 1705 — tornando-se Sir Isaac Newton — e presidiu a Royal Society de 1703 até sua morte. Dedicou enormes quantidades de tempo ao estudo da alquimia e à interpretação cronológica da Bíblia, campos que os séculos seguintes descartariam como pseudociência, mas que para Newton faziam parte de uma investigação unificada sobre a ordem divina do universo.

Morreu em 20 de março de 1727, em Kensington, Londres, tendo vivido oitenta e quatro anos. Nunca se casou, não teve filhos conhecidos, e suas relações pessoais foram quase sempre problemáticas. Mas a estrutura que construiu para descrever o universo físico durou como verdade absoluta por mais de dois séculos, até que Einstein demonstrou que se tratava de uma aproximação — extraordinariamente precisa para velocidades baixas e campos gravitacionais moderados, mas insuficiente nos extremos. Newton, interrogado sobre como havia feito tanto, respondeu com uma frase que ainda ressoa: "Se enxerguei mais longe, foi por estar de pé sobre os ombros de gigantes." O paradoxo é que, para as gerações seguintes de cientistas, era em seus próprios ombros que todos estavam de pé.

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