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Charles Darwin

Biólogo e naturalista inglês (1809–1882)

7 min de leitura01/01/2024
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Em fevereiro de 1809, numa propriedade chamada The Mount, na cidade de Shrewsbury, no condado de Shropshire, nasceu Charles Robert Darwin. Quinto filho de seis irmãos, descendia de uma linhagem de pensadores notáveis: seu avô paterno era Erasmus Darwin, médico e poeta que havia especulado sobre transformações nas espécies, e seu avô materno era Josiah Wedgwood, fundador da célebre manufatura de porcelanas e abolicionista convicto. Esse ambiente intelectualmente rico moldou desde cedo um jovem que, ao brincar pelos campos e coletar insetos na infância, já dava sinais da curiosidade que transformaria a biologia para sempre.

A trajetória acadêmica de Darwin foi, nos anos iniciais, marcada por hesitações. Aos dezesseis anos foi enviado pelo pai à Universidade de Edimburgo para estudar medicina. A experiência foi frustrante: as cirurgias sem anestesia o horrorizavam, e ele se dedicava muito mais a coletar animais marinhos no estuário do rio Forth e a participar de sociedades científicas do que a frequentar as aulas regulares. Seu pai, irritado com a falta de foco, resolveu então enviá-lo a Cambridge para cursar um bacharelado em Artes, primeiro passo para uma carreira clerical anglicana.

Em Cambridge, Darwin descobriu com entusiasmo as ciências naturais. Tornou-se íntimo do botânico John Stevens Henslow, que se tornaria seu mentor e amigo duradouro. Por sugestão de Henslow, Darwin foi convidado a participar como naturalista de uma expedição científica a bordo do HMS Beagle, navio da Marinha britânica que faria um levantamento hidrográfico das costas da América do Sul. A viagem durou cinco anos, de 1831 a 1836, e transformou um jovem de vinte e dois anos num cientista de reputação internacional.

A bordo do Beagle, Darwin percorreu o litoral sul-americano, desembarcou nas ilhas Galápagos, visitou a Austrália e fez escalas em dezenas de outros pontos do globo. Coletou fósseis que revelavam animais extintos surpreendentemente semelhantes a espécies ainda vivas. Nas Galápagos, observou que cada ilha abrigava variedades distintas de tentilhões, pombos e tartarugas, ligeiramente adaptadas às condições locais. Essas observações o intrigaram profundamente, mas foi apenas depois de retornar à Inglaterra que começou a construir uma teoria capaz de explicá-las.

Em 1838, dois anos após o fim da viagem, Darwin leu um ensaio do economista Thomas Malthus sobre população e recursos. A ideia de que organismos produzem mais descendentes do que o ambiente pode sustentar, levando inevitavelmente a uma luta pela sobrevivência, forneceu o elo que faltava ao seu raciocínio. Ele concebeu então o mecanismo da seleção natural: os indivíduos com características mais adequadas ao ambiente tendem a sobreviver e a transmitir essas características aos descendentes, enquanto os menos adaptados perecem. Ao longo de gerações, esse processo acumula mudanças capazes de transformar uma espécie em outra.

Durante vinte anos, Darwin refinou sua teoria com meticulosidade, acumulando evidências de botânica, geologia, anatomia comparada, distribuição geográfica de espécies e registros fósseis. Hesitava em publicar, consciente do abalo que suas conclusões causariam numa sociedade vitoriana profundamente religiosa. O gatilho para a publicação chegou em 1858, quando o naturalista Alfred Russel Wallace enviou-lhe um manuscrito descrevendo independentemente a mesma teoria. Decidiu-se então por uma apresentação conjunta das ideias ao mundo científico.

Em 1859, Darwin publicou A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural. O livro esgotou-se no mesmo dia em que chegou às livrarias. A reação foi intensa e dividida: alguns cientistas o aclamaram imediatamente, enquanto outros, como o paleontólogo Richard Owen, o atacaram com vigor. A Igreja se sentiu ameaçada pela ideia de que o ser humano descendia de ancestrais comuns a outros animais. O debate público mais famoso ocorreu em 1860, em Oxford, quando o bispo Samuel Wilberforce confrontou o biólogo Thomas Henry Huxley, feroz defensor das ideias darwinianas.

Darwin continuou a publicar durante as décadas seguintes, aprofundando e expandindo suas ideias. Em 1871 veio A Descendência do Homem, onde ele aplicou a teoria da evolução explicitamente à espécie humana e desenvolveu o conceito de seleção sexual. Em 1872 publicou A Expressão das Emoções em Homens e Animais. Seu último livro, publicado em 1881, tratava da ação dos vermes na formação do solo, tema que pode parecer humilde mas que revelava sua convicção de que grandes transformações na natureza resultam do trabalho paciente e acumulado de forças aparentemente insignificantes.

Darwin morreu em 19 de abril de 1882, em sua propriedade Down House, em Downe, no condado de Kent, onde viveu por mais de quarenta anos em relativa reclusão, trabalhando metodicamente em seu jardim e em seu estudo. Apesar de seus esforços para evitar conflitos religiosos, sua vida privada mostrou um homem profundamente perturbado pela possibilidade de que a teoria que ele próprio elaborara contradizesse qualquer forma de propósito divino no universo.

Em reconhecimento à magnitude de seu trabalho, Darwin foi enterrado na Abadia de Westminster, ao lado de Isaac Newton e perto de outros gigantes do pensamento britânico. Foi uma das apenas cinco pessoas sem vínculo com a família real a receber um funeral de Estado no século XIX. Mais de um século depois, a teoria da evolução por seleção natural continua sendo o alicerce unificador da biologia moderna, capaz de explicar desde a resistência de bactérias a antibióticos até o registro fóssil de seres extintos há milhões de anos.

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