Harriet Tubman nasceu com o nome de Araminta "Minty" Ross, por volta de março de 1822, no Condado de Dorchester, no estado de Maryland, nos Estados Unidos. Seus pais, Harriet e Ben Ross, eram escravizados, assim como ela. Sua avó materna, Modesty, havia chegado à América num navio negreiro vindo da África. A família era dividida entre dois proprietários distintos: sua mãe pertencia à família Brodess e seu pai a Anthony Thompson, que depois se tornou o segundo marido de Mary Brodess. Como era comum entre escravizados nos Estados Unidos, nem a data exata nem o local preciso do nascimento de Harriet puderam ser determinados com certeza — historiadores divergem entre 1820, 1822 e 1825 como possíveis anos.
Desde a infância mais tenra, Harriet viveu sob o peso brutal da escravidão. Aos cinco ou seis anos, foi alugada como babá para uma mulher chamada "Miss Susan", com a obrigação de balançar o berço de um bebê enquanto ele dormia. Quando o bebê acordava e chorava, ela era chicoteada. Em um único dia, chegou a ser açoitada cinco vezes antes do café da manhã. As cicatrizes físicas e emocionais desses anos a acompanharam pela vida toda. Ainda jovem, ela sofreu uma lesão craniana grave quando um senhor de escravizados jogou um peso de metal pesado em direção a um cativo em fuga e acabou acertando Harriet na cabeça. Essa lesão causou tonturas, dores intensas e períodos de sono involuntário que nunca a abandonaram. A partir desse episódio, ela também começou a ter visões e sonhos vívidos, que interpretou como mensagens de Deus, aprofundando uma espiritualidade metodista que seria fundamental em sua trajetória.
O instinto de resistência de Harriet foi moldado também por sua mãe. Quando um comerciante da Geórgia tentou comprar Moses, o filho mais novo de Rit, a mãe de Harriet o escondeu por um mês inteiro. Quando os proprietários finalmente foram à senzala para tomar a criança à força, Rit declarou que partiria a cabeça de quem entrasse. A venda foi cancelada. Para Harriet, essa cena tornou-se uma das fundações de sua crença de que a resistência era possível e necessária.
Em 1849, Harriet Tubman escapou para a Filadélfia. Mas a liberdade individual não bastava. Ela retornou repetidas vezes ao Maryland, conduzindo familiares, amigos e desconhecidos para fora do alcance de seus senhores. Ao longo de 19 missões documentadas, ajudou cerca de 300 pessoas a escapar da escravidão por meio de uma rede clandestina de ativistas e abrigos conhecida como Underground Railroad. Viajando sempre à noite, com extremo sigilo e sob constante risco de captura, ela nunca perdeu um único "passageiro", como eram chamadas as pessoas que guiava. Ficou conhecida entre os escravizados como "Moisés", a libertadora. Após a aprovação do Fugitive Slave Act em 1850, que obrigava autoridades do Norte a devolver escravizados fugitivos, ela passou a conduzir os refugiados ainda mais ao norte, até o Canadá, para além da jurisdição das leis americanas.
Harriet Tubman conheceu John Brown em 1858 e contribuiu com o planejamento e o recrutamento de apoiadores para o ataque a Harpers Ferry, em 1859. Quando a Guerra Civil Americana eclodiu, ela ofereceu seus talentos ao Exército da União, primeiro atuando como cozinheira e enfermeira, depois como batedora armada e espiã. Em junho de 1863, liderou o ataque no rio Combahee, em Carolina do Sul, tornando-se a primeira mulher a comandar uma expedição armada nos Estados Unidos. A operação libertou mais de 700 pessoas escravizadas em uma única noite.
Após o fim da guerra, Harriet se instalou em Auburn, no estado de Nova Iorque, numa propriedade que havia adquirido em 1859. Ali cuidou de seus pais idosos e continuou a trabalhar por causas sociais. Ela se engajou ativamente no movimento pelo sufrágio feminino, defendendo publicamente o direito das mulheres ao voto, até que a saúde lhe impossibilitou de continuar. Nos últimos anos de vida, foi internada em um asilo para afro-americanos idosos que ela própria havia ajudado a fundar anos antes. Morreu em 10 de março de 1913, em Auburn, aos noventa anos.
O legado de Harriet Tubman transcende qualquer fronteira histórica. Nascida nas correntes da escravidão, ela não apenas se libertou como se dedicou a libertar centenas de outras pessoas, arriscando a própria vida repetidas vezes. Sua coragem, estratégia e devoção inabalável tornaram-na um dos maiores símbolos de resistência e humanidade da história norte-americana, uma figura que continua a inspirar gerações pelo mundo inteiro.

