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Guerra de Troia

Conto mitológico grego

7 min de leitura01/01/2024
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A Guerra de Troia foi, de acordo com a mitologia grega, um grande conflito bélico entre os aqueus das cidades-estado da Grécia e Troia, possivelmente ocorrendo entre 1 300 a.C. e 1 200 a.C. (fim da Idade do Bronze no Mediterrâneo).

Segundo a lenda, a guerra teria se originado a partir de uma disputa entre as deusas Hera, Atena e Afrodite, após Éris, a deusa da discórdia, dar a elas o pomo de ouro, também conhecido como "pomo da discórdia", marcado para "a mais bela". Zeus mandou as deusas para Páris, que julgou Afrodite como a mais bela. Em troca, Afrodite fez Helena, a mais bonita de todas as mulheres e esposa do rei grego Menelau, se apaixonar por Páris, que então a levou para Troia. Agamenão, rei de Micenas e irmão de Menelau, reuniu os aqueus (gregos), liderou uma expedição contra Troia e cercou a cidade por dez anos, como uma represália pelo insulto de Páris.

Após a morte de muitos heróis, incluindo Aquiles e Ájax (entre os gregos) e Heitor e Páris (entre os troianos), a cidade caiu após a introdução do "Cavalo de Troia". Os aqueus massacraram os troianos (exceto as mulheres e crianças, tomados como escravos) e dessacraram seus templos, invocando assim a fúria dos deuses. Poucos dos aqueus conseguiram retornar para casa e muitos tiveram que achar novos lares, fundando novas colônias. Os romanos afirmavam traçar suas origens a Eneias, um troiano filho de Afrodite, que teria levado os sobreviventes de Troia até à península Itálica.

Os gregos antigos acreditavam que Troia se localizava próxima do Helesponto (Dardanelos) e que a guerra troiana era um evento histórico datado dentre os séculos XIII e XII a.C., mas até meados do século XIX d.C. a cidade e os acontecimentos do conflito eram considerados "não históricos". Em 1868, contudo, o arqueólogo britânico Frank Calvert convenceu o arqueólogo alemão Heinrich Schliemann de que Troia era uma cidade real que estava localizada em Hisarlik, na atual Turquia. Baseado nas escavações de Schliemann e outros estudiosos, os acadêmicos agora acreditam na veracidade histórica de uma cidade-estado grega chamada Troia, mas ainda levantam dúvidas sobre a guerra em si.

Se os eventos narrados por Homero e a lenda envolta a respeito da "Guerra de Troia" têm algum fundamento histórico, ainda é motivo de debates entre acadêmicos. Muitos estudiosos e historiadores acreditam que há uma base histórica para a guerra, com os contos Homéricos sendo, na verdade, uma coletânea de cercos e expedições militares feitas pelos gregos micênicos durante a Idade do Bronze. Historiadores indicam que a guerra, se ocorreu, teria acontecido entre os séculos XII e XI a.C., fazendo referência às datas dadas por Eratóstenes, 1194–1184 a.C., que corresponde às evidências arqueológicas encontradas nas ruínas de Troia VII.

Tradicionalmente, a Guerra de Troia surgiu de uma sequência de eventos que começou com uma disputa entre as deusas Hera, Atena e Afrodite. Éris, a deusa da discórdia, não foi convidada para o casamento de Peleu e Tétis, e então chegou trazendo um presente: uma maçã dourada, com uma escritura gravada nela que diz "para a mais bela". Cada uma das deusas reivindicou ser a "mais bela" e a dona legítima da maçã. Elas submeteram o julgamento a um pastor que encontraram cuidando de seu rebanho. Cada deusa prometeu ao jovem uma recompensa em troca de seu favor: poder, sabedoria ou amor. O jovem — na verdade, Páris, um príncipe troiano que havia sido criado no campo — escolheu o amor e deu a maçã a Afrodite. Como recompensa, Afrodite fez com que Helena, a rainha de Esparta e a mais bela de todas as mulheres, se apaixonasse por Páris. O julgamento de Páris lhe rendeu a ira tanto de Hera quanto de Atena. Helena, uma das filhas de Zeus, havia sido sequestrada por Teseu na sua juventude. Uma competição entre os pretendentes por sua mão em casamento acabou com ela sendo entregue a Menelau, o rei espartano. Todos os outros pretendentes foram obrigados a fazer um juramento (conhecido como "Juramento de Tíndaro") prometendo fornecer assistência militar ao pretendente vencedor, se Helena fosse roubada dele. Assim, quando Helena partiu (raptada ou por boa vontade) com Páris de Troia (filho do rei Príamo), Menelau convocou todos os reis e príncipes da Grécia para que honrassem seu juramento e declarassem guerra aos troinanos.

O irmão de Menelau, Agamenão, rei de Micenas, liderou uma expedição de tropas aqueias (os gregos) a Troia e sitiou a cidade por dez anos por causa do insulto de Páris. Após as mortes de muitos heróis, incluindo os aqueus Aquiles e Ajax, e os troianos Heitor e Páris, a cidade caiu na armadilha do Cavalo de Troia. Os aqueus massacraram os troianos, exceto algumas das mulheres e crianças que eles mantiveram ou venderam como escravos e profanaram os templos, ganhando assim a ira dos deuses. Poucos aqueus retornaram em segurança para suas casas e muitos fundaram colônias em praias distantes. Os romanos mais tarde traçaram sua origem até Eneias, filho de Afrodite e um dos troianos, que teria liderado os troianos sobreviventes para a Itália.

A maioria dos gregos antigos dizia que a Guerra de Troia era um evento histórico, embora muitos entendessem que os poemas homéricos continham vários exageros. Por exemplo, o historiador Tucídides, conhecido por seu espírito crítico, considerava-a um evento real, mas duvidava que os gregos houvessem mobilizado a quantidade de navios (mais de mil) mencionada por Homero para atacar os troianos.

Por volta de 1870, na Europa, os estudiosos da Antiguidade eram concordes em considerar as narrativas homéricas absolutamente lendárias. Segundo eles, a guerra jamais ocorrera. Quando o arqueólogo alemão Heinrich Schliemann, um apaixonado pelas obras de Homero, descobriu as ruínas de Troia um grande entusiasmo cercou a descoberta e levou muitos autores a rever a historicidade da guerra.

Ao longo do século XX, tentou-se tirar conclusões baseadas em textos hititas e egípcios, que datam da provável época da guerra. Arquivos hititas, como as Cartas de Tauagalaua, mencionam o reino de Aiaua (Acaia, a moderna Grécia), que se localizava "além do mar" (Egeu) e controlava a cidade de Miliuanda, identificada como Mileto. Igualmente é mencionada, nesses e em outros documentos, a Confederação de Assua, uma liga composta por 22 cidades, uma das quais, Uilussa (Ílio), podendo ter sido Troia. Em um tratado datado de 1 280 a.C., o rei de Uilussa é chamado de Alexandre ou Alaquesandu, que é o outro nome pelo qual Páris é referido na Ilíada.

As descobertas de Schliemann continuam, porém, cercadas de dúvidas. No mundo antigo existia uma cidade chamada Troia que é historicamente registrada na região de Dardanelos desde o período de Homero até a época da romana. Essa cidade, que foi visitada por personagens históricos importantes como Alexandre, o Grande e Júlio César, teve o nome grego de Ilion e o nome romano de Nova Troia e segundo a tradição ficava no lugar em que estariam localizadas as ruínas da Troia/Ilion descrita por Homero. Essa cidade, completamente real e histórica, entrou em ruínas e foi abandonada no início da Idade Média de modo que sua localização exata se perdeu. O que Schliemann conseguiu ao escavar Hisarlik foi localizar a antiga cidade grega/ romana, disso não resta dúvida, mas o que nunca foi realmente provado e se as ruínas mais antigas sob as cidades gregas e romanas chamadas em tempos históricos de Troia são realmente da cidade descrita por Homero. Até hoje não há nenhuma prova conclusiva a esse respeito.

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