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Guerra Civil do Mali

Conflito armado que começou em janeiro de 2012

6 min de leitura01/01/2024
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Guerra Civil do Mali ou Guerra do Mali é um conflito armado que começou em janeiro de 2012 e prossegue até os dias atuais. O conflito teve início na sequência de uma rebelião separatista contra o governo do Mali por elementos dos povos tuaregues e grupos islâmicos fundamentalistas na região de Azauade, no deserto do Sara. Conduzida inicialmente pelo Movimento Nacional de Libertação do Azauade (MNLA), a mais recente encarnação de uma série de revoltas das populações nômades tuaregues que remonta pelo menos até 1916, contra a exploração desse solo por multinacionais europeias e estadunidenses. O MNLA foi formado por antigos revoltosos e um número significante de combatentes tuaregues fortemente armados que lutaram pelo Conselho Nacional de Transição ou pelo Exército Líbio durante a Guerra Civil Líbia.

No dia 22 de março, o presidente constitucionalmente eleito Amadou Toumani Touré foi deposto por um golpe de Estado promovido por militares contrários à conduta do governo na resolução da crise, apenas um mês antes que ocorressem as eleições para a presidência. Os militares rebelados, sob a bandeira do Comitê Nacional para a Restauração da Democracia e do Estado (CNRDE) suspenderam a constituição do Mali, embora essa ação tenha sido revertida no dia primeiro de abril. Como uma consequência da instabilidade política que se seguiu ao golpe, as três maiores cidades do norte do Mali - Quidal, Gao e Tombuctu - foram tomadas por rebeldes tuaregues. Em 5 de abril, depois da captura de Douentza, o MNLA afirmou que havia atingido seus objetivos e cancelou sua ofensiva. No dia seguinte, foi proclamada a independência de Azauade do Mali.

O MNLA inicialmente apoiado pelo grupo islâmico Ansar Dine. Depois que os militares do Mali foram expulsos de Azauade, o Ansar Dine começou a impor a xaria. O MNLA e os islâmicos se esforçaram para conciliar suas visões conflitantes para o novo Estado pretendido. Posteriormente, o MNLA começou a lutar contra o Ansar Dine e outros grupos islâmicos, incluindo Movimento para a Unidade e Jihad na África Ocidental (MUJOA), um grupo dissidente do Al Qaida no Magrebe Islâmico. Até 17 de julho de 2012, o MNLA perdeu o controle da maioria das cidades do norte do Mali para os islamitas.

Em 11 de janeiro de 2013, o presidente da França, François Hollande, afirmou que havia concordado com um pedido do governo de Mali para ajuda externa e que "as forças francesas prestariam apoio ao Mali".

Em 18 de junho, após quase um ano e meio desde o começo da crise, o governo do Mali e os rebeldes tuaregues assinaram um acordo de paz. Contudo, em 26 de setembro de 2013, os rebeldes anunciaram que não mais aceitariam o acordo de paz e afirmaram que o governo não havia respeitado os entendimentos que haviam sido firmados no ano anterior. Enquanto a luta continuava, as forças francesas afirmaram que pretendiam se retirar do país. Em 20 de fevereiro de 2015 entrou em vigor um novo cessar-fogo, embora combates esporádicos ainda acontecessem pela região.

No início de 1990, os tuaregues e árabes nômades formaram o Mouvement Populaire de l’Azaouad / Movimento Popular de Azauade (MPA) e declararam uma guerra pela independência de Azauade. Apesar dos acordos de paz com o governo do Mali em 1991 e 1995, uma insatisfação crescente entre os antigos combatentes tuaregues, que haviam sido integrados as forças armadas do Mali, conduziu a novos combates em 2007. Apesar de historicamente ter dificuldade para manter alianças entre as facções seculares e islamistas, o Movimento Nacional para a Libertação de Azauade, aliou-se com os grupos islâmicos Ansar Dine e o Al Qaida no Magrebe Islâmico e iniciou um conflito no norte do Mali em 2012.

O MNLA foi um desdobramento de um movimento político conhecido como o Movimento Nacional para Azauade (MNA) antes da revolta. Após o fim da Guerra Civil Líbia, um influxo de armas levou ao armamento dos tuaregues em sua demanda pela independência do Azauade. A força desta revolta e o uso de armas pesadas, que não estavam presentes nos conflitos anteriores, foi dito ter "surpreendido" os oficiais malianos e observadores.

Embora dominado por tuaregues, o MNLA declarou que o movimento representava também outros grupos étnicos, e foram supostamente ligados por alguns líderes árabes. O líder do MNLA, Bilal Ag Acherif, disse que a responsabilidade estava no Mali em querer dar aos povos saarianos a sua auto-determinação ou fariam isso eles mesmos.

Outro grupo dominado por tuaregues, o islamita Ansar Dine (Defensores da Fé), inicialmente lutou ao lado do MNLA contra o governo. Ao contrário do MNLA, não buscava a independência, mas sim a imposição da lei islâmica (xaria) no Mali. O líder do movimento, Iyad Ag Ghaly, fez parte da rebelião no início de 1990 e tem sido relatado estar ligado a um ramo do Al Qaida no Magrebe Islâmico (AQMI), que é liderado por seu primo Hamada Ag Hama, bem como o Département du Renseignement et de la Sécurité (DRS) da Argélia.

O Mali passava por diversas crises ao mesmo tempo que favoreceram o surgimento do conflito:

Crise do Estado: o estabelecimento de um Estado tuaregue tem sido um objetivo de longo prazo do MNLA, desde que começou uma rebelião em 1962. Depois disso, o Mali tem estado em uma luta constante para manter seu território.

Crise alimentar: a economia do Mali tem uma extrema dependência de ajuda externa, o que levou a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS) a aplicar um bloqueio para subjugar a junta militar

Crise política: um motim levou à queda do presidente.

Rebelião Tuaregue (janeiro-abril de 2012)

Os primeiros ataques da revolta ocorreram em Menaka, uma pequena cidade no extremo leste do Mali, em 16 e 17 de janeiro de 2012. Em 17 de janeiro, ataques em Aguelhok e Tessalit foram relatados. O governo do Mali afirmou ter recuperado o controle de todas as três cidades no dia seguinte. Em 24 de janeiro, os rebeldes retomaram Aguelhok depois que o Exército do Mali ficou sem munição. No dia seguinte, o governo do Mali, mais uma vez recapturou cidade. O Mali lançou contra operações aéreas e terrestres para retomar os territórios apreendidos, em meio a protestos em Bamako e Kati. O presidente maliense Amadou Toumani Touré, em seguida, reorganizou seus comandantes para a luta contra os rebeldes.

Em 1 de fevereiro de 2012, o MNLA tomou o controle da cidade de Menaka, quando o exército maliano operou o que foi denominado de um recuo tático. A violência dos combates no norte levou a protestos na capital Bamako. Dezenas de soldados malianos também foram mortos em combates em Aguelhok. Em 6 de fevereiro, as forças rebeldes atacaram Quidal, a capital regional.

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