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Guerra do Golfo

Guerra entre o Iraque e as forças da coalizão liderada pelos americanos de 1990–1991

7 min de leitura01/01/2024
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Na madrugada de 2 de agosto de 1990, tanques do exército iraquiano cruzaram a fronteira com o Kuwait, conquistando o pequeno emirado em questão de horas. A invasão ordenada pelo presidente Saddam Hussein provocou uma das respostas militares mais rápidas e coordenadas da história moderna, levando à formação de uma coalizão internacional com mais de trinta países e ao maior conflito convencional ocorrido após a Segunda Guerra Mundial. A Guerra do Golfo, travada entre agosto de 1990 e fevereiro de 1991, transformou para sempre a percepção do papel dos Estados Unidos no Oriente Médio e inaugurou uma nova era na arte da guerra moderna.

As raízes do conflito eram econômicas e territoriais. Ao fim da longa e desgastante Guerra Irã-Iraque, encerrada em 1988, a economia iraquiana estava à beira do colapso. O Iraque havia acumulado dívidas colossais, tendo como seus maiores credores a Arábia Saudita e o Kuwait. Saddam tentou negociar o perdão de parte dessas dívidas, mas os credores se recusaram. Simultaneamente, o governo iraquiano acusava o Kuwait de ultrapassar suas cotas de produção de petróleo estipuladas pela OPEP, o que deprimia o preço do barril e provocava perdas de bilhões de dólares anuais ao Iraque. A queda do preço para apenas dez dólares por barril representava uma perda de sete bilhões de dólares anuais, valor quase idêntico ao necessário para equilibrar o déficit iraquiano de 1989.

Havia ainda a questão territorial. O Kuwait havia sido parte da província de Baçorá durante o Império Otomano, e o Iraque o reivindicava historicamente como território próprio. A fronteira entre os dois países havia sido desenhada pelos britânicos em 1922, e a independência do Kuwait havia privado o Iraque de seu único acesso direto ao mar Arábico. Para Saddam, a invasão resolvia de uma só vez problemas econômicos acumulados, rivalidades históricas e disputas sobre campos petrolíferos que acusava o Kuwait de explorar ilegalmente próximo à fronteira iraquiana.

A reação internacional foi imediata e contundente. O Conselho de Segurança da ONU impôs sanções econômicas ao Iraque e, através da Resolução 678, autorizou o uso da força militar para libertar o Kuwait. O presidente dos Estados Unidos, George H. W. Bush, mobilizou tropas para a Arábia Saudita com apoio explícito da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, e passou a construir uma coalizão que acabaria reunindo mais de trinta países. Kuwait e Arábia Saudita financiaram o esforço de guerra com cerca de 32 bilhões de dólares, enquanto o custo total da operação superou 60 bilhões de dólares.

A coalizão reuniu um elenco impressionante de nações com culturas e sistemas políticos radicalmente diferentes. Países árabes como Egito, Síria e os estados do Golfo Pérsico combateram lado a lado com potências ocidentais como Estados Unidos, Reino Unido e França. Foi uma das maiores alianças militares desde a Segunda Guerra Mundial. A maioria esmagadora dos soldados era americana, mas o simbolismo da participação árabe era crucial para a legitimidade política da operação no mundo islâmico.

A campanha começou com cinco semanas de bombardeio aéreo intenso, a partir de 17 de janeiro de 1991. A aviação da coalizão realizou dezenas de milhares de missões, destruindo sistematicamente as infraestruturas militares e de comunicação iraquianas. Novos arsenais e tecnologias foram apresentados ao mundo durante aqueles dias: aviões stealth, bomba inteligentes guiadas por laser, mísseis de cruzeiro disparados de navios no Golfo Pérsico. A CNN transmitiu imagens dos bombardeios ao vivo e em tempo real, catapultando o canal à notoriedade mundial e inaugurando o modelo do jornalismo de guerra vinte e quatro horas por dia.

Tentando dividir a coalizão, Saddam Hussein lançou mísseis Scud contra Israel, um país que não era parte do conflito. A estratégia visava provocar uma retaliação israelense que constrangeria os países árabes a se retirarem da coalizão por não poderem combater ao lado de Israel. Sob forte pressão americana, Israel conteve a resposta militar, e a coalizão se manteve unida. Os Estados Unidos instalaram baterias de mísseis Patriot em Israel para interceptar os Scuds, com resultados parciais.

A campanha terrestre durou menos de cem horas. Iniciada em 24 de fevereiro de 1991, a operação terrestre empurrou as forças iraquianas para fora do Kuwait em movimento envolvente que ficou para a história militar. Em 28 de fevereiro, a coalizão declarou que seus objetivos haviam sido alcançados e um cessar-fogo entrou em vigor. O Kuwait havia sido libertado; as tropas de Saddam haviam sofrido pesadas baixas; as perdas dos aliados foram mínimas em comparação. Saddam Hussein permaneceu no poder no Iraque, o que se tornaria fonte de controvérsia por mais de uma década, mas o objetivo imediato da guerra havia sido atingido.

A Guerra do Golfo deixou marcas duradouras. Ela demonstrou a superioridade tecnológica americana e consolidou os Estados Unidos como a única superpotência global após o colapso da União Soviética. Introduziu ao vocabulário cotidiano termos como "bombardeio cirúrgico", "danos colaterais" e "guerra em tempo real". Criou também um precedente de intervenção internacional com base em resolução da ONU que seria evocado, com graus variáveis de legitimidade, em conflitos posteriores. A decisão de não depor Saddam Hussein e a manutenção de sanções econômicas devastadoras contra o Iraque criaram um ciclo de tensões que culminaria na invasão americana de 2003, com consequências ainda mais profundas e duradouras para a região.

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