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Guerra do Golfo

Guerra entre o Iraque e as forças da coalizão liderada pelos americanos de 1990–1991

7 min de leitura01/01/2024
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A Guerra do Golfo (2 de agosto de 1990 até 28 de fevereiro de 1991) foi um conflito militar travado entre o Iraque e forças da Coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos e patrocinada pela Organização das Nações Unidas, com a aprovação de seu Conselho de Segurança, através da Resolução 678, autorizando o uso da força militar para alcançar a libertação do Kuwait, ocupado e anexado pelas forças armadas iraquianas sob as ordens de Saddam Hussein.

Em 2 de agosto de 1990, o exército iraquiano invadiu e conquistou o Kuwait. Esta ação trouxe imediata e veemente condenação internacional, com os países do Conselho de Segurança da ONU impondo sanções econômicas contra o Iraque. Com apoio militar da premier britânica, Margaret Thatcher, o presidente dos Estados Unidos, George H. W. Bush, enviou uma enorme quantidade de soldados das forças armadas estadunidenses para a Arábia Saudita e exortou nações amigas pelo mundo a fazer o mesmo. No final, mais de trinta países contribuíram com algum meio militar para a Coalizão, formando uma das maiores alianças militares que o mundo viu desde a Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, a maioria esmagadora dos soldados que lutaram na guerra eram americanos, com o Reino Unido, os sauditas, a França e o Egito também contribuindo com várias unidades de combate. O Kuwait e a Arábia Saudita auxiliaram ainda a Coalizão com cerca de US$ 32 bilhões, com o esforço de guerra, como um todo, consumindo mais de US$ 60 bilhões no total.

A Guerra do Golfo Pérsico foi uma das maiores campanhas militares da história moderna, com uma enorme mobilização de recursos humanos e materiais em um curto espaço de tempo, introduzindo no campo de batalha diversos novos meios bélicos e tecnologias sofisticadas de ponta, para a época. Novos vocábulos foram adicionados ao léxico global, como aviões stealth e bombas inteligentes. Este conflito também foi um dos primeiros a ser mostrado ao vivo das linhas de frente, com transmissão via satélite, catapultando à notoriedade a rede de televisão CNN e o formato de "jornalismo 24 horas".

A guerra em si viu cinco semanas de um intenso bombardeio aéreo por parte da Coalizão (de 17 de janeiro até 24 de fevereiro), seguido por menos de cem horas de campanha terrestre que resultou na rápida expulsão das forças iraquianas do Kuwait. No final, os aliados da Coalizão conseguiram uma avassaladora vitória, libertando o Kuwait, enquanto infligiam pesadas baixas nos iraquianos, embora suas próprias perdas tenham sido mínimas. Em 28 de fevereiro, a Coalizão internacional declarou que seus objetivos foram completados com a libertação do território kuwaitiano e a retirada das tropas de Saddam, firmando um cessar-fogo e encerrando as hostilidades. No decorrer da guerra, os combates se restringiram a apenas o Iraque, Kuwait e a regiões de fronteira saudita. O Iraque tentou atrair Israel para a guerra ao lançar mísseis Scud contra o seu território, tendo como objetivo tentar causar uma cisão entre as potências ocidentais e seus aliados árabes.

Tensões Iraque-Kuwait (fronteiras, petróleo e dívida)

A decisão de Saddam Hussein de invadir o Kuwait foi essencialmente uma tentativa de lidar com a contínua vulnerabilidade da sua economia e o seu consequente impacto nas finanças públicas. Ao fim da Guerra Irã-Iraque, em agosto de 1988, a economia iraquiana estava de fato a beira do colapso e também internamente havia tensões sectárias pelo país. Os maiores credores da dívida da nação eram a Arábia Saudita e o Kuwait. O governo do Iraque tentou fazer com que estes países perdoassem parte do débito, mas eles se recusaram.

Além da questão econômica, o conflito entre o Iraque e Kuwait também acontecia por disputas territoriais. O Kuwait era parte da província de Baçorá na época da dominação do Império Otomano, que passou a ser reivindicado como território iraquiano. A família real kuwaitiana havia concluído um acordo de protetorado com o Reino Unido em 1899, deixando assim a responsabilidade aos britânicos de cuidar da política externa do país. A fronteira entre as duas nações foi desenhada então pelos ingleses em 1922. A criação de um Kuwait independente tirou a única saída para o mar que o Iraque tinha. Os kuwaitianos rejeitaram todas as tentativas dos iraquianos de tentar manter qualquer provisões no país. O governo de Saddam, logo após o conflito com o Irã, começou a acusar o Kuwait de extrapolar as cotas da OPEP de exportação de petróleo. O cartel na época queria manter o preço da commodity a US$ 18 dólares por barril e disciplina era necessária. Os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait estavam produzindo acima do esperado. O resultado do excesso de produção foi uma redução no preço do barril para apenas US$ 10, o que representava uma perda de US$ 7 bilhões anuais ao Iraque, que era quase o exato valor do pagamento para balancear o déficit em 1989. Os gastos públicos e os planos para reconstruir a infraestrutura interna do país acabaram se saindo debilitados, o que fez com que a economia iraquiana entrasse em forte recessão. A Jordânia e o Iraque tentavam manter a disciplina nos preços, mas com pouco sucesso. O governo iraquiano acusou os kuwaitianos de fazer 'guerra econômica'. O Kuwait também foi acusado de fazer perfurações subterrâneas próximas a fronteira com o Iraque, em territórios sob disputa.

Enquanto a crise econômica interna se agravava, Saddam queria apertar a parceria com as nações árabes que o apoiaram durante a guerra contra o Irã. Essa movimentação recebeu apoio dos Estados Unidos, que acreditava que a aproximação dos iraquianos com Estados pró-ocidente do Golfo ajudaria a manter o Iraque dentro da esfera de influência americana. Em 1989, o principal parceiro regional dos iraquianos, a Arábia Saudita, estava interessada em manter o nível de amizade entre as nações. Os países rapidamente assinaram acordos de não interferência e não agressão, seguido por um tratado que dizia que o Iraque deveria fornecer ao Kuwait água potável para bebidas e para irrigação. Projetos de desenvolvimento no Iraque acabaram não sendo muito promissores devido ao crescente déficit público, mesmo após a desmobilização de mais de 200 mil soldados. O governo de Saddam também investiu no desenvolvimento de uma indústria armamentista nacional, mas os pagamentos da dívida roubavam recursos dos investimentos. A queda no preço do petróleo diminuiu a principal fonte de renda do Iraque, causando ainda mais ressentimento com a OPEP e com os países vizinhos.

A repressão de minorias étnicas no Iraque acabou por deteriorar o relacionamento do país com seus vizinhos. O deterioramento da relação entre as nações da região não ganhou destaque fora do Oriente Médio, devido aos acontecimentos na Europa (como o declínio da União Soviética). Os Estados Unidos, contudo, começaram a mudar sua postura com o Iraque, condenando a situação dos direitos humanos naquele país, que já era conhecido pelos massacres e torturas. O governo britânico havia também condenado a execução do jornalista Farzad Bazoft, que era correspondente do jornal inglês The Observer. Após as declarações de Saddam de que ele não hesitaria em usar armas químicas contra Israel se este atacasse seu território, Washington cortou vários fundos ao país. A ideia de uma missão da ONU para investigar revoltas acontecidas nos territórios palestinos ocupados, que resultou em diversas mortes, foi vetada pelos americanos, fazendo com que o governo iraquiano ficasse cético com relação a política externa dos Estados Unidos para a região.

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