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El Salvador

País na América Central

7 min de leitura01/01/2024
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Encravado na América Central, El Salvador é o menor país do subcontinente continental, com apenas 21.041 quilômetros quadrados de extensão, mas com uma densidade populacional que não encontra equivalente em nenhuma nação da região. Com cerca de 6,28 milhões de habitantes segundo dados de 2014, o país convive há séculos com a pressão demográfica sobre um território estreito, o que moldou profundamente sua história política, econômica e social. Sua capital, San Salvador, concentra grande parte das atividades políticas e econômicas de uma nação que limita com a Guatemala a oeste, Honduras ao norte e leste, e tem o Oceano Pacífico como fronteira sul. A região oriental do país possui ainda costa no Golfo de Fonseca, cujas águas banha também a Nicarágua.

Antes da chegada dos colonizadores europeus, o território que hoje compõe El Salvador era habitado por diversas populações indígenas. A parte ocidental era dominada pelos Maias, enquanto a região central abrigava o Senhorio de Cuzcatlán, cujo nome significa "Lugar de joias ou colares" na língua nahuatl. A conquista espanhola foi conduzida por Pedro de Alvarado y Contreras e se revelou uma das empreitadas mais difíceis do processo colonial na América Central. O chefe indígena Atlacatl liderou a resistência durante quinze anos, tornando-se figura lendária na memória histórica salvadorenha.

Durante o período colonial, El Salvador integrava o vice-reino da Nova Espanha, submetida à jurisdição da Capitania-Geral da Guatemala. Os primeiros movimentos de independência em relação à Espanha surgiram em San Salvador em 1811, mas a conquista definitiva da autonomia só se consolidou em 1821. O território passou brevemente para o domínio mexicano antes de se tornar, em 1823, um dos estados membros da Federação das Províncias Unidas da América Central, juntamente com Guatemala, Honduras, Nicarágua e Costa Rica. Com a dissolução da federação em 1838, El Salvador emergiu como república independente.

O nome oficial do país tem uma história peculiar. A primeira Constituição salvadorenha, promulgada em 12 de junho de 1824, adotou a denominação que ainda perdura, mas durante décadas documentos oficiais internacionais omitiam o artigo "El", usando simplesmente "República del Salvador". Apenas em 1915, um Decreto Legislativo estabeleceu definitivamente "El Salvador" como nome oficial. Em 1958, nova legislação proibiu expressamente a supressão do artigo "El" quando associado às palavras "República" ou "Estado", encerrando a controvérsia nomenclatural.

O século XIX foi marcado por conflitos internos entre liberais e conservadores e por escaramuças nas fronteiras com os países vizinhos. A economia, baseada inicialmente na produção de índigo durante o período colonial, migrou para o café no início do século XX, quando esse produto chegou a representar 90% das receitas de exportação do país. Essa dependência de uma única commoditie tornava a economia salvadorenha extremamente vulnerável às flutuações dos preços internacionais. Ao longo do século XX, El Salvador buscou diversificar sua base econômica, expandindo o setor manufatureiro e fortalecendo laços comerciais com outros países. O colón, moeda oficial desde 1892, foi substituído pelo dólar americano em 2001, numa decisão que atrelou definitivamente a política monetária do país às decisões do Federal Reserve americano.

A política do século XX foi dominada por uma sucessão de governos militares que excluíam sistematicamente as classes mais pobres do poder. Entre 1931 e 1944, o general Maximiliano Hernández Martínez impôs uma ditadura que ficou marcada pela repressão brutal de camponeses e indígenas. A instabilidade política e a crise econômica empurraram ondas de emigração. Em 1969, uma breve guerra com Honduras, frequentemente chamada de Guerra do Futebol por ter eclodido durante partidas de eliminatórias da Copa do Mundo, acirrou tensões regionais, sendo apaziguada apenas pela intervenção da Organização dos Estados Americanos.

A influência da Revolução Cubana de 1959 e os movimentos guerrilheiros que brotaram em outros países da América Central empurraram o exército salvadorenho firmemente para a direita. A miséria no campo e a exclusão política estrutural criaram solo fértil para o surgimento de organizações guerrilheiras de esquerda. Uma guerra civil brutal se instalou e durou doze longos anos, custando a vida de aproximadamente 75 mil pessoas, além de um número de desaparecidos estimado entre 20 e 40 mil. Violações sistemáticas dos direitos humanos por parte do exército e dos esquadrões da morte foram documentadas por múltiplas organizações internacionais ao longo dos anos 1970 e 1980.

A guerra chegou ao fim em 1992, quando o governo de direita e a guerrilha do FMLN assinaram os Acordos de Paz de Chapultepec, que determinaram reformas militares e políticas profundas. O processo de paz salvadorenho tornou-se referência internacional, demonstrando ser possível encerrar conflitos armados prolongados por meio de negociação. Desde então, El Salvador tem sido uma democracia eleitoral, ainda que persistentemente fragilizada por altos índices de violência, desigualdade social e pobreza estrutural. Cerca de um sexto da população enfrenta insegurança alimentar severa.

El Salvador ocupa desde 2010 o 12º lugar entre os países da América Latina em Índice de Desenvolvimento Humano, o que o coloca como quarto na América Central, atrás de Panamá, Costa Rica e Belize. Uma das marcas mais duradouras da sua história recente é a forte emigração para os Estados Unidos, que gerou uma comunidade salvadorenha expressiva no exterior. As remessas enviadas por esses emigrantes tornaram-se ao longo das décadas uma das principais fontes de divisas do país, superando em vários momentos as receitas obtidas com exportações tradicionais. A diáspora salvadorenha é, portanto, parte inseparável da identidade contemporânea do país.

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