Guerra Civil Americana (12 de abril de 1861 à 26 de maio de 1865; também conhecida por outros nomes) foi uma guerra civil nos Estados Unidos entre a União ("o Norte") e a Confederação ("o Sul"), que foi formada em 1861 por estados que se separaram da União para preservar a escravidão de afro-americanos, que eles consideravam ameaçada devido à eleição de Abraham Lincoln e ao crescente movimento abolicionista no Norte.
Décadas de controvérsia sobre a escravidão culminaram quando Abraham Lincoln, que se opunha à expansão da escravidão, venceu as eleições presidenciais de 1860. Sete estados escravistas do Sul reagiram à vitória de Lincoln se separando dos Estados Unidos e formando a Confederação. A Confederação tomou fortes e outros bens federais dos Estados Unidos dentro de suas fronteiras. A guerra começou em 12 de abril de 1861, quando a Confederação bombardeou o Forte Sumter, na Carolina do Sul. Uma onda de entusiasmo pela guerra varreu o Norte e o Sul, e o recrutamento militar disparou. Mais quatro estados do Sul se separaram após o início da guerra e, liderada por seu presidente, Jefferson Davis, a Confederação passou a controlar um terço da população dos Estados Unidos em onze estados. Quatro anos de intensos combates, principalmente no Sul, se seguiram.
Durante os anos de 1861−1862, no teatro de operações ocidental, a União obteve vitórias decisivas, embora no teatro oriental o conflito tenha permanecido inconclusivo. A abolição da escravidão tornou-se um objetivo de guerra da União em 1 de janeiro de 1863, quando Lincoln emitiu a Proclamação de Emancipação, que declarava livres todos os escravos nos estados rebeldes, abrangendo mais de 3.5 milhões dos 4 milhões de pessoas escravizadas no país. No oeste, a União primeiro destruiu a marinha fluvial da Confederação no verão de 1862, depois grande parte de seus exércitos ocidentais e conquistou Nova Orleães. O bem-sucedido Cerco de Vicksburg pela União em 1863 dividiu a Confederação em duas partes no rio Mississippi, enquanto a incursão do general confederado Robert E. Lee ao norte fracassou na Batalha de Gettysburg. Os sucessos do general Ulysses S. Grant no oeste levaram Lincoln a lhe conceder o comando de todos os exércitos da União em 1864.
Impondo um bloqueio naval cada vez mais rigoroso aos portos confederados, a União mobilizou recursos e mão de obra para atacar a Confederação por todos os lados. Isso levou à queda de Atlanta em 1864, conquistada pelo general da União William Tecumseh Sherman, seguida por sua Marcha para o Mar, que culminou na tomada de Savannah. As últimas batalhas significativas ocorreram em torno do cerco de dez meses a Petersburg, porta de entrada para a capital confederada de Richmond. Os confederados abandonaram Richmond e, em 9 de abril de 1865, Lee rendeu-se a Grant após a Batalha de Appomattox Court House, dando início ao fim da guerra. Lincoln viveu para testemunhar essa vitória, mas foi baleado por um assassino em 14 de abril, morrendo no dia seguinte.
Ao final da guerra, grande parte da infraestrutura do Sul havia sido destruída. A Confederação entrou em colapso, a escravidão foi abolida e quatro milhões de pessoas negras escravizadas foram libertadas. A nação, devastada pela guerra, então entrou na Era da Reconstrução, em uma tentativa de reconstruir o país, reintegrar os antigos estados confederados aos Estados Unidos e conceder direitos civis aos escravos libertos. A guerra é um dos episódios mais estudados e documentados da história dos Estados Unidos. Continua sendo objeto de debate cultural e historiográfico. Um tema de interesse constante é o mito da Causa Perdida da Confederação. A guerra foi uma das primeiras a utilizar a guerra industrial. Ferrovias, o telégrafo elétrico, navios a vapor, Ironclad (navios de guerra blindados) e armas produzidas em massa foram amplamente utilizados. A guerra deixou um número estimado de 700.000 soldados mortos, além de um número indeterminado de vítimas civis, tornando-a a mais mortal da história americana. A tecnologia e a brutalidade da Guerra Civil Americana prenunciaram as guerras mundiais que viriam.
As origens da guerra estavam enraizadas no desejo dos estados do Sul de preservar a instituição da escravidão. Os historiadores do século XXI concordam amplamente sobre a centralidade da escravidão no conflito, pelo menos para os estados do Sul. Eles discordam, no entanto, sobre os motivos do Norte para se recusar a permitir a secessão dos estados do Sul. A ideologia pseudohistórica da Causa Perdida nega que a escravidão tenha sido a principal causa da secessão, uma visão desmentida por evidências históricas, notadamente pelos próprios documentos de secessão de alguns dos estados secessionistas. Depois de deixar a União, o Mississippi emitiu uma declaração afirmando: "Nossa posição está completamente identificada com a instituição da escravidão, o maior interesse material do mundo."<
A principal batalha política que levou à secessão dos estados do Sul girava em torno da questão da expansão da escravidão para os territórios ocidentais destinados a se tornarem estados. Inicialmente, o Congresso admitia novos estados na União em pares, um escravista e um livre. Isso mantinha um equilíbrio regional no Senado, mas não na Câmara dos Representantes, já que os estados livres superavam os estados escravistas em número de eleitores. Assim, em meados do século XIX, o status de livre ou escravista dos novos territórios era uma questão crucial, tanto para o Norte, onde o sentimento antiescravista havia crescido, quanto para o Sul, onde o medo da abolição da escravidão havia aumentado. Outro fator que levou à secessão e à formação da Confederação foi o desenvolvimento do nacionalismo branco sulista nas décadas anteriores. O principal motivo para o Norte rejeitar a secessão era preservar a União, uma causa baseada no nacionalismo americano.
Os fatores subjacentes que antecederam a Guerra Civil incluíam a política partidária, abolicionismo, nulificação versus a secessão, nacionalismo do Sul e do Norte, expansionismo, economia e a modernização no período antebellum. Como um painel de historiadores enfatizou em 2011, "embora a escravidão e seus diversos e multifacetados descontentamentos tenham sido a principal causa da desunião, foi a própria desunião que desencadeou a guerra".
Abraham Lincoln venceu as eleições presidenciais de 1860. Os líderes sulistas temiam que Lincoln impedisse a expansão da escravidão e a encaminhasse para a extinção. Sua vitória desencadeou declarações de secessão por sete estados escravistas do Sul profundo, cujas economias ribeirinhas ou costeiras eram baseadas no cultivo de algodão por mão de obra escrava.
Lincoln só tomou posse em 4 de março de 1861, quatro meses após sua eleição em 1860, o que deu ao Sul tempo para se preparar para a guerra. Nacionalistas no Norte e "unionistas" no Sul recusaram-se a aceitar as declarações de secessão, e nenhum governo estrangeiro jamais reconheceu a Confederação. O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de James Buchanan, recusou-se a entregar os fortes da nação, que a Confederação alegava estarem localizados em seu território.

