Fulgencio Batista Zaldívar nasceu em 16 de janeiro de 1901, na cidade de Banes, no leste de Cuba, filho de uma família de origem modesta. Sua ascensão até os mais altos postos de poder cubano foi uma trajetória marcada por ambição pessoal desmedida, habilidade política cirúrgica e uma disposição para atravessar qualquer linha moral quando os interesses assim o exigissem. Batista seria presidente eleito e ditador, reformador e tirano, aliado dos Estados Unidos e, no fim, fugitivo diante de uma revolução que ele mesmo ajudou a forjar com seus excessos.
O primeiro passo dessa escalada ocorreu em 1933, quando Cuba vivia sob a ditadura do presidente Gerardo Machado, um regime sufocante que acumulava inimigos em todos os espectros políticos. Batista, então sargento do exército, liderou a chamada "Revolta dos Sargentos", uma insurreição que derrubou Machado e deixou o poder numa situação de vácuo instável. Em vez de assumir formalmente a presidência, Batista nomeou a si mesmo chefe das forças armadas com a patente de coronel e passou a controlar uma série de presidentes civis que ocupavam o cargo sem exercer poder real, o que ficou conhecido como "La Pentarquía". Por quase sete anos, o homem de farda foi o verdadeiro árbitro da política cubana sem precisar sentar na cadeira presidencial.
Em 1940, Batista concorreu diretamente à presidência por uma coligação ampla que reunia partidos de tendências diversas, incluindo o Partido Liberal, a União Revolucionária Comunista e outras organizações. Venceu as eleições e instalou a Constituição de 1940, considerada progressista para a época, que previa direitos trabalhistas e garantias civis. Durante esse mandato, Cuba alinhou-se aos Aliados na Segunda Guerra Mundial e declarou guerra ao Japão, à Alemanha e à Itália após o ataque a Pearl Harbor. Foram promulgadas leis trabalhistas que beneficiaram os sindicatos, e reformas sociais deram ao período uma aparência de modernização. Entretanto, nos meses finais de governo, Batista sabotou deliberadamente as finanças públicas para entregar ao sucessor eleito, Ramón Grau, um tesouro esvaziado. O embaixador americano Spruille Braden denunciou formalmente o que chamou de "roubo sistemático dos fundos do Tesouro".
Após o mandato, Batista se exilou voluntariamente na Flórida. Mas a vida longe do poder não lhe satisfazia. Em 1952, retornou a Cuba para disputar a eleição presidencial e, diante da perspectiva de uma derrota humilhante nas urnas, optou pelo caminho mais curto: em março daquele ano, liderou um golpe militar que derrubou o presidente Carlos Prío Socarrás sem disparar um tiro. Apenas dezesseis dias depois, os Estados Unidos reconheceram oficialmente o novo regime, convictos de que Batista era um parceiro confiável para proteger os interesses americanos na ilha.
O segundo período de Batista no poder foi uma ditadura sem disfarces. A Constituição de 1940 foi suspensa, os direitos políticos foram suprimidos, a greve foi proibida e a pena de morte foi restabelecida. Batista concedeu a si mesmo um salário anual de 144 mil dólares, superior ao que recebia o presidente dos Estados Unidos na época, Harry Truman, que ganhava 100 mil. A economia cubana cresceu para alguns, mas o fosso entre ricos e pobres se alargou. Os latifundiários das plantações de açúcar prosperaram enquanto o trabalhador rural permanecia na miséria.
O regime foi se tornando progressivamente mais violento e corrupto. Batista estabeleceu relações lucrativas com a máfia americana, permitindo que Havana se transformasse em capital do jogo, da prostituição e do tráfico de drogas organizado. Seu Bureau de Repressão de Atividades Comunistas tornou-se um instrumento de terror, responsável por prisões arbitrárias, torturas e execuções sumárias. Estimativas apontam que entre mil e dois mil pessoas foram mortas pelo aparato repressivo de Batista ao longo de seu segundo governo. O jornalista americano Jules Dubois descreveu noites em que dezenas de corpos de presos políticos eram espalhados pelas ruas de bairros de Havana, crivados de balas, como represália a atentados da oposição.
A resistência ao regime ganhou corpo quando Fidel Castro, após um malogrado ataque ao quartel Moncada em 1953 e um período de prisão e exílio, voltou a Cuba em dezembro de 1956 com um punhado de guerrilheiros. A partir das montanhas da Sierra Maestra, Castro, Che Guevara, Raúl Castro e outros comandantes foram construindo um exército irregular que acumulou vitórias e conquistou corações e mentes pelo país. Em março de 1958, os próprios Estados Unidos, alarmados com a ferocidade crescente da repressão, suspenderam a venda de armas ao regime, minando sua sustentação militar.
Na madrugada de 31 de dezembro de 1958 para 1º de janeiro de 1959, com as forças rebeldes avançando imparavelmente em direção a Havana, Batista reuniu a família e um grupo próximo, embarcou em aviões e fugiu de Cuba com o equivalente a 40 milhões de dólares. O dia seguinte marcou a entrada triunfal das forças revolucionárias na capital. Batista se exilou na República Dominicana e depois migrou pela Europa, chegando a Lisboa em agosto de 1959, passando por Fátima e chegando ao Funchal, na ilha da Madeira, antes de se instalar no Estoril em 1962. Viveu o resto de seus dias em relativo conforto e morreu em Marbella, na Espanha, em 6 de agosto de 1973, vítima de um infarto, longe da ilha que governara com tão pesada mão. Está sepultado no Cemitério de San Isidro.