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Henry Halleck

Henry Wager Halleck (16 de Janeiro, 1815 - 9 de Janeiro, 1872) foi um militar profissional

4 min de leitura01/01/2024
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Henry Wager Halleck nasceu em 16 de janeiro de 1815, em Westernville, Nova Iorque, numa família simples, e construiu ao longo da vida uma carreira que o levou a ocupar o posto mais alto do exército norte-americano em tempo de guerra, embora sua atuação nessa posição tenha sido objeto de críticas constantes e por vezes contundentes. Militar, advogado, acadêmico e homem de negócios, Halleck foi uma das figuras mais complexas e debatidas da Guerra Civil Americana.

Sua formação militar começou na Academia de West Point, onde se destacou desde o início. Cursou a academia com distinção, chegando a atuar como professor assistente mesmo antes de se formar, e graduou-se em 1839 como terceiro colocado de sua turma. O talento intelectual foi imediatamente reconhecido pelas autoridades militares, que o designaram para trabalhar nas fortificações do porto de Nova Iorque. Em seguida, viajou à França para inspecionar estruturas defensivas europeias, acumulando experiências que alimentariam uma produção escrita notável para um oficial de sua geração.

O artigo que Halleck elaborou sobre meios de defesa nacional foi publicado pelo próprio Congresso, distinção rara para um oficial de baixa patente. Republicado como Elements of Military Art and Science, a obra teve ampla circulação nos meios militares norte-americanos durante décadas. Halleck traduziu ainda para o inglês a obra do renomado teórico militar francês Henri Jomini sobre a vida e as campanhas de Napoleão, consolidando-se como um dos maiores estudiosos militares de sua época nos Estados Unidos.

Transferido para a Califórnia, Halleck acumulou funções administrativas diversas e participou da Guerra Mexicano-Americana, sendo nomeado tenente-governador de Mazatlán. Estudou direito durante esse período e tornou-se um dos protagonistas na elaboração da constituição do estado da Califórnia após a anexação. Em 1854, pediu baixa do exército e iniciou uma carreira civil de grande sucesso como advogado e homem de negócios em São Francisco, acumulando fortuna considerável e cultivando uma reputação de homem organizado e capaz.

Quando a Guerra da Secessão explodiu em 1861, o presidente Abraham Lincoln, por indicação do general Winfield Scott, nomeou Halleck major-general do exército regular. A nomeação o colocava como a quarta pessoa na ordem de antiguidade do exército federal, posição de enorme responsabilidade. Halleck assumiu o comando do Departamento de Missouri, que posteriormente absorveu Ohio e Kansas para se tornar o Departamento de Mississippi. Em funções administrativas e de organização, mostrou-se eficiente: restaurou a disciplina, reorganizou o abastecimento e criou a estrutura burocrática necessária para que grandes forças operassem no oeste.

No entanto, as qualidades administrativas não se traduziram em brilhantismo operacional em campo. Em sua campanha mais importante como comandante de frente, Halleck teve diante de si uma oportunidade para destruir ou capturar o exército confederado comandado pelo general P.G.T. Beauregard, mas conduziu o avanço com tamanha lentidão e cautela que Beauregard simplesmente evacuou sua posição e se retirou sem dificuldade. O fracasso irritou os observadores militares e manchou sua imagem como general combatente.

Apesar do episódio, em julho de 1862 Lincoln o apontou como comandante em chefe de todos os exércitos dos Estados Unidos. A promoção gerou o comentário maldoso que correu pelos círculos militares e políticos: tendo fracassado em dirigir um exército, foi chamado para dirigir todos eles. A piada cruel refletia a frustração crescente com um oficial que parecia mais à vontade atrás de uma escrivaninha do que no campo de batalha.

Como comandante em chefe, Halleck nunca conseguiu satisfazer plenamente nem o presidente nem boa parte do alto escalão militar e político. Entre seus críticos mais proeminentes estavam o secretário da guerra Edwin Stanton, o comandante do Exército do Potomac George McClellan e o secretário da marinha Gideon Welles. O próprio Lincoln fez a avaliação mais devastadora, afirmando que via em Halleck não mais do que um burocrata de primeira categoria. A descrição pegou e o perseguiu pela posteridade.

Suas tendências eram claras: preferia concentrar-se em questões de logística e recrutamento, deixando as operações de combate em segundo plano. Tinha também a incômoda propensão de atribuir aos subordinados a responsabilidade por falhas que outros consideravam suas, o que lhe custou afeição e lealdade entre os oficiais que serviam sob seu comando.

Em março de 1864, Halleck foi rebaixado ao posto de chefe do estado-maior, substituído como comandante em chefe pelo general Ulysses Grant, cujas vitórias no teatro ocidental haviam chamado a atenção do país e do presidente. No novo cargo, Halleck continuou exercendo funções essencialmente semelhantes às anteriores, servindo como elo administrativo entre o governo em Washington e os comandantes no campo. A transição diminuiu seu prestígio mas não interrompeu sua utilidade burocrática.

No pós-guerra, Halleck comandou brevemente a Divisão Militar de James e depois assumiu o comando da área do Pacífico, retornando às regiões onde havia construído parte de sua carreira anterior à guerra. Morreu em Louisville, Kentucky, em 9 de janeiro de 1872, onde exercia o comando da Divisão Militar Sul. Tinha 56 anos. Sua figura permanece como a de um homem que dominou a teoria e a administração militar com maestria, mas que revelou os limites de sua liderança quando o teatro de operações exigiu algo mais do que organização e cautela.

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