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Exército Imperial Japonês

O Exército Imperial Japonês (大日本帝国陸軍, Dai-Nippon Teikoku Rikugun) (EIJ) foi a força terres

8 min de leitura01/01/2024
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A criação de uma força armada nacional unificada no Japão foi um processo lento, turbulento e marcado por contradições profundas entre tradição feudal e modernidade. O Exército Imperial Japonês, oficialmente denominado em japonês como Dai-Nippon Teikoku Rikugun, nasceu dessas tensões e cresceu até se tornar uma das forças militares mais temidas e controversas do século XX, atuando de 1867 até sua dissolução em 1945.

No século XIX, o Japão estava longe de ter um exército nacional coeso. O país era dividido em domínios feudais chamados han, governados por senhores locais sob a supervisão nominal do xogunato Tokugawa, que mantinha o controle geral do arquipélago desde 1603. O exército bakufu, nome dado às forças do xogunato, era apenas um entre muitos exércitos regionais. O poder real dependia da cooperação dos vassalos feudais, e a abertura forçada do Japão ao comércio com o Ocidente após dois séculos de isolamento acelerou uma crise política que resultaria na Restauração Meiji e na Guerra Boshin de 1868.

O conflito decisivo para a formação do exército imperial ocorreu nos cruzamentos de Toba e Fushimi, ao sul de Quioto, em 27 de janeiro de 1868. As forças do xogunato, lideradas por Tokugawa Yoshinobu com um contingente de 15 mil homens, alguns deles treinados por conselheiros militares franceses, enfrentaram uma coalizão imperial de 5 mil soldados provenientes dos domínios de Satsuma, Chōshū e Tosa. No segundo dia de batalha, uma bandeira imperial foi entregue às tropas defensoras e o príncipe Ninnaji foi designado como comandante nominal, transformando oficialmente as forças pró-império em um exército imperial. As forças do xogunato recuaram para Osaka e, em seguida, para Edo.

O recém-criado Estado Meiji enfrentou desde o início o desafio de transformar uma coalização frouxa de exércitos de domínio em um comando militar centralizado. Em 1868, o governo criou quatro divisões militares, nomeadas segundo as grandes rodovias da época: Tōkaidō, Tōsandō, San'indō e Hokurikudō. Supervisionando essas divisões estava um novo alto comando expedicionário, cujo chefe nominal era o príncipe Arisugawa-no-miya. A estrutura cumpria ao mesmo tempo funções militares e políticas: legitimar a causa imperial, identificar os inimigos do governo como traidores da corte e angariar apoio popular.

Consolidar um exército verdadeiramente centralizado se revelou uma tarefa árdua. Em março de 1869, o governo imperial criou escritórios administrativos militares e organizou uma guarda imperial de 500 homens, composta por tropas de Satsuma e Chōshū reforçadas por veteranos de Toba-Fushimi. Os domínios foram instruídos a limitar seus exércitos locais e a contribuir para o financiamento de uma escola de formação de oficiais em Quioto. Pouco depois, o governo dissolveu tanto o ramo militar quanto a guarda imperial, considerados ineficazes ou sem armamento moderno adequado.

Para substituir essas estruturas, foi criada uma diretoria de assuntos militares dividida em departamentos do exército e da marinha. Um sistema de cotas foi estabelecido, obrigando cada domínio a enviar tropas proporcionais à sua produção anual de arroz, medida em koku. Esse sistema integrou samurais e plebeus em um exército conscrito, mas gerou competição direta entre o governo imperial e os domínios locais pelo recrutamento. A política foi proibida em abril de 1868 e abolida no ano seguinte, nunca tendo funcionado plenamente como planejado.

Durante a Guerra Boshin, os problemas operacionais foram numerosos. O quartel-general em Quioto frequentemente propunha planos incompatíveis com as condições locais, gerando atritos com oficiais de campo que muitas vezes ignoravam as ordens centrais para agir de forma unilateral. A ausência de uma doutrina tática unificada deixava as unidades dependentes da competência individual de seus comandantes, sem um código comum de condutas e procedimentos.

Ao longo das décadas seguintes, o Exército Imperial Japonês foi sistematicamente modernizado e expandido, incorporando influências da doutrina militar alemã e desenvolvendo uma estrutura burocrática e hierárquica extremamente rígida. Essa rigidez, combinada com um ethos de obediência absoluta ao imperador e ao código guerreiro, criou as condições para os crimes de guerra que mancharam para sempre a reputação do exército. O Massacre de Nanquim, ocorrido durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, e a Marcha da Morte de Bataan, durante a Guerra do Pacífico, tornaram-se símbolos internacionais das atrocidades cometidas sob a bandeira do Sol Nascente.

O Exército Imperial Japonês foi formalmente dissolvido em 1945, após a rendição do Japão ao final da Segunda Guerra Mundial. Seu legado é profundamente ambíguo: ao mesmo tempo que representa a modernização acelerada de um Estado feudal e a capacidade japonesa de construir uma potência militar em poucas décadas, carrega o peso indelével de violências em massa contra populações civis em toda a Ásia.

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