tragedias

Peste Negra

Devastadora pandemia de 1343-1353 na Eurásia e Norte da África

7 min de leitura01/01/2024
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Peste Negra (também conhecida como Grande Peste, Peste ou Praga) foi uma das pandemias mais devastadoras registadas na história humana, tendo resultado na morte de 25 a 75 milhões de pessoas na Eurásia, atingindo o pico na Europa entre os anos de 1347 e 1351. Acredita-se que a bactéria Yersinia pestis, que resulta em várias formas de peste (septicémica, pneumónica e, a mais comum, bubónica), tenha sido a causa. A Peste Negra foi o primeiro grande surto europeu de peste e a segunda pandemia da doença. A praga criou uma série de convulsões religiosas, sociais e económicas, com efeitos profundos no curso da história da Europa.

A Peste Negra provavelmente teve a sua origem na Ásia Central ou na Ásia Oriental, de onde viajou ao longo da Rota da Seda, atingindo a Crimeia em 1343. De lá, era provavelmente transportada por pulgas que viviam nos ratos que viajavam em navios mercantes genoveses, espalhando-se por toda a bacia do Mediterrâneo, atingindo o resto da Europa através da península italiana.

Estima-se que a Peste Negra tenha matado entre 30% a 60% da população da Europa. No total, censos dos últimos anos estimam que a peste pode ter reduzido a população mundial de 475 milhões para 350–375 milhões no século XIV. A população da Europa demorou cerca de 200 anos a recuperar o nível anterior e algumas regiões (como Florença) recuperaram apenas no século XIX. A peste retornou várias vezes como surtos até ao início do século XX.

Escritores europeus contemporâneos descreveram a doença da peste, em latim, como pestis ou pestilentia — equivalente a "pestilência"; epidemia — continuando com a mesma escrita na língua portuguesa; e mortalitas — equivalente a "mortalidade". Em inglês antes do século XVIII, o evento era chamado de "peste" ou "grande peste", "a praga" ou "grande morte". Posteriormente à pandemia, "o primeiro murrain" ou "primeira peste" foi aplicada, para distinguir o fenômeno de meados do século XIV de outras doenças infecciosas e epidemias de peste. A pandemia de 1347 não foi referida especificamente como "negra" nos séculos XIV e XV em nenhuma língua europeia, embora a expressão "morte negra" tenha sido ocasionalmente aplicada a doenças fatais de antemão.

A frase "morte negra" (mors nigra) foi usada em 1350 por Simon de Covino ou Couvin, um astrónomo belga, que escreveu o poema "Sobre o julgamento do sol em uma festa de Saturno" (De judicio Solis in convivio Saturni), que atribui a peste a uma conjunção de Júpiter e Saturno. Em 1908, Gasquet alegou que o uso do nome atra mors para a epidemia do século XIV apareceu pela primeira vez em um livro de 1631 sobre a história dinamarquesa de J. I. Pontanus: "Comummente e pelos seus efeitos, eles chamavam de morte negra" (Vulgo & ab effectu atram mortem vocitabant). O nome espalhou-se pela Escandinávia e depois pela Alemanha, tornando-se gradualmente associado à epidemia de meados do século XIV como um nome próprio.

Contudo, atra mors é um termo usado para se referir à febre pestilencial (febris pestilentialis) já no século XII, Sobre os sinais e sintomas de doenças (em latim: De signis et sinthomatibus egritudinum) pelo médico francês Gilles de Corbeil. Em inglês, o termo foi usado pela primeira vez em 1755.

A doença da peste, causada por Yersinia pestis, é geralmente presente em populações de pulgas transportadas por roedores terrestres, incluindo marmotas em várias áreas, incluindo Uganda, oeste da Arábia, Curdistão, Norte da Índia, Deserto de Gobi, no Norte da China, e Ásia Central. Devido às mudanças climáticas na Ásia, os roedores começaram a fugir dos prados secos para áreas mais populosas, espalhando a doença. Em outubro de 2010, médicos geneticistas sugeriram que todas as três grandes ondas da peste tiveram a sua origem na China. Pesquisas em 2017 sobre sepulturas nestorianas datadas de 1338 a 1339, perto de Issyk-Kul, no Quirguistão, com inscrições referentes a peste, levaram muitos epidemiologistas a pensar que marcam o surto da epidemia; de onde poderia facilmente se espalhar para a China e para a Índia.

Pesquisas em 2018 encontraram evidências de Yersinia pestis num antigo túmulo sueco, que pode ter sido a causa do que foi descrito como o declínio neolítico por volta de 3000 a.C., em que as populações europeias diminuíram significativamente. Em 2013, os pesquisadores confirmaram especulações anteriores de que a causa da Praga de Justiniano (541–542 d.C., com recorrências até 750) foi Yersinia pestis.

A conquista mongol da China no século XIII causou um declínio na agricultura e no comércio. A recuperação económica foi observada no início do século XIV. Na década de 1330, muitos desastres e pragas naturais levaram à fome generalizada, começando em 1331, com uma praga mortal aparecendo logo depois. Epidemias, que podem ter incluído a peste, mataram cerca de 25 milhões na Ásia durante quinze anos antes de chegar a Constantinopla em 1347.

A doença pode ter viajado ao longo da Rota da Seda com exércitos e comerciantes mongóis, ou poderia até ter chegado de navio. No final de 1346, relatos de pestes chegaram aos portos da Europa: "a Índia foi despovoada, e a Tartária, a Mesopotâmia, a Síria e a Arménia estavam cobertas de cadáveres".

Segundo diversos relatos, a peste foi introduzida pela primeira vez na Europa por comerciantes genoveses da cidade portuária de Kaffa, na Crimeia, em 1347. Durante um prolongado cerco à cidade pelo exército mongol sob Jani Beg, cujo exército sofria da doença, o exército catapultou cadáveres infectados sobre as muralhas da cidade de Kaffa para infectar os habitantes dentro da cidade. Os comerciantes genoveses fugiram, levando a peste de navio para a Sicília e depois para a península italiana, de onde se espalhou para o norte. Seja essa hipótese precisa ou não, é claro que várias condições existentes, como guerras, fome, clima e desigualdade social, contribuíram para a gravidade da Peste Negra. Entre muitos outros culpados de contágio por peste, a desnutrição, mesmo que distante, também contribuiu para uma perda imensa na população europeia, pois enfraquecia o sistema imunológico.

Parece ter havido várias introduções na Europa. A peste atingiu a Sicília em outubro de 1347, transportada por doze galés genovesas e rapidamente se espalhou por toda a ilha. As galés de Kaffa chegaram a Génova e Veneza em janeiro de 1348, mas foi o surto em Pisa, algumas semanas depois, que marcou o ponto de entrada para o norte da Itália. No final de janeiro, uma das galés expulsas da Itália chegou a Marselha.

Da Itália, a doença espalhou-se para o noroeste por toda a Europa, atingindo a França, a Espanha que foi atingida pelo calor — a epidemia ocorreu nas primeiras semanas de julho, Portugal e Inglaterra em junho de 1348, continuando também a espalhar-se para o leste e norte através de Alemanha, Escócia e Escandinávia de 1348 a 1350. Foi introduzida na Noruega em 1349, quando um navio desembarcou em Askøy, espalhando-se depois para Bjørgvin (moderna Bergen) e Islândia.

Por fim, continuou a propagar-se para o noroeste da Rússia em 1351. A peste foi menos comum em partes da Europa com comércio menos desenvolvido com os seus vizinhos e através de quarentenas, incluindo a maioria do País Basco, partes isoladas da Bélgica, da Holanda, Polônia e aldeias alpinas isoladas de todo o continente.

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