A República Romana construiu sua grandeza sobre um princípio que parecia paradoxal: o poder deveria ser sempre dividido. Dois cônsules eleitos anualmente governavam juntos, cada um com poder de veto sobre o outro; magistraturas eram colegiais; mandatos, breves. Os romanos haviam observado de perto as tiranias gregas e conheciam de memória os perigos de concentrar autoridade absoluta nas mãos de um único homem. E, no entanto, criaram exatamente isso: o cargo de ditador, um magistrado extraordinário com poderes que suplantavam todos os outros, explicitamente desenhado para situações em que a divisão normal do poder seria fatal para o Estado.
O ditador — em latim, "Dictator" — era também chamado pelo título arcaico de "Praetor Maximus", o pretor máximo, ou "Magister Populi", o mestre do povo. Sua nomeação seguia um ritual preciso: em circunstâncias de perigo extraordinário, seja de inimigos externos ou de sedição interna, um cônsul em exercício designava formalmente o ditador, que assumia o comando supremo com autoridade sobre todos os demais magistrados. A duração normal do mandato era de seis meses, ou o tempo necessário para resolver a emergência, o que fosse mais curto. O ditador operava acompanhado de um "magister equitum", o mestre da cavalaria, que funcionava como seu segundo em comando.
As funções atribuídas ao ditador eram variadas e revelam o quanto a instituição era versátil nos primeiros séculos da República. Além do principal uso militar, o cargo podia ser convocado para afixar o clavus annalis — o prego anual — no templo de Júpiter em tempos de peste ou discórdia civil, ato ritual de significado apotropaico; para presidir eleições quando não havia cônsules disponíveis; para declarar feriados religiosos quando prodígios exigiam atenção; para conduzir julgamentos; ou para preencher vagas no Senado — neste último caso, curiosamente, havia dois ditadores nomeados simultaneamente, um para assuntos externos e outro para internos, sendo este último dispensado do mestre da cavalaria.
As Guerras Púnicas com Cartago forneceram os exemplos mais dramáticos do cargo em sua função militar original. Quando Aníbal Barca cruzou os Alpes com seu exército e infligiu uma série de derrotas devastadoras aos romanos — incluindo a catástrofe do lago Trasimeno em 217 antes de Cristo, onde dezenas de milhares de soldados romanos foram mortos numa emboscada — ficou evidente que a divisão política entre facções e a rotatividade anual dos cônsules eram luxos que Roma não podia se dar. A nomeação de Fábio Máximo como ditador deu à República um comando unificado que adotou a estratégia de evitar batalhas abertas e desgastar o invasor por privação e escaramuças — tática que lhe rendeu o apelido de "Cunctator", o temporegador, inicialmente pejorativo mas depois celebrado.
Paradoxalmente, foi o próprio sucesso final nas Guerras Púnicas que levou à abolição do cargo. Com Cartago derrotada e Roma indiscutivelmente hegemônica no Mediterrâneo, a perspectiva de que um general vitorioso pudesse usar a ditadura como trampolim para o poder permanente tornou-se intolerável para a aristocracia senatorial. O cargo foi abolido, e em seu lugar o Senado criou o "senatus consultum ultimum", decreto de emergência que conferia aos cônsules em exercício — sempre dois, com poder recíproco de controle — poderes equivalentes aos do ditador para enfrentar crises. A diferença crucial: os cônsules não recebiam imunidade legal pela nomeação e não atuavam com autoridade verdadeiramente unipessoal.
O cargo foi reintroduzido em 81 antes de Cristo em circunstâncias excepcionais. Lúcio Cornélio Sula, após vencer a guerra civil contra a facção de Caio Mário e marchar sobre Roma com seu exército, foi nomeado ditador com a designação formal de "rei publicae constituendae causa" — para reorganizar o Estado —, com a novidade de que não havia limite de tempo para o mandato. Sula usou a posição para reformar profundamente as instituições republicanas, fortalecendo o Senado e limitando os poderes dos tribunos da plebe. Dois anos depois, porém, Sula surpreendeu a todos ao renunciar voluntariamente e retirar-se para a vida privada, comportamento tão incomum que os romanos jamais souberam bem como interpretá-lo.
A nomeação mais famosa da história do cargo veio em 46 antes de Cristo: Júlio César, após vencer a guerra civil contra os optimates liderados por Pompeu, foi designado ditador. Cauteloso com as aparências, César preferiu inicialmente ser nomeado nos termos do precedente das Guerras Púnicas, com mandato de um ano ampliado em vez dos seis meses originais. No ano seguinte, o Senado o reconduzeu por mais nove mandatos consecutivos de um ano. Em 44 antes de Cristo, César foi nomeado "dictator perpetuus" — ditador perpétuo —, título que eliminava formalmente qualquer pretexto de limitação temporal e tornava seu poder indistinguível de uma monarquia. A reação veio rapidamente: nos Idos de Março do mesmo ano, um grupo de senadores encabeçado por Brutus e Cássio assassinou César no próprio Senado, encerrando tanto a vida do ditador quanto, de fato, a República.
Após a morte de César, o tribuno Marco Antônio conduziu uma iniciativa legislativa que aboliu definitivamente o cargo de ditador da lei romana. O Senado chegou a oferecer a posição ao imperador Augusto décadas depois, mas este a recusou com elegância — tinha poder absoluto de sobra sem precisar do título que havia se tornado sinônimo de tirania. A história da ditadura romana é, em última análise, a história da tensão irresolvível entre a necessidade prática de comando unificado e o medo republicano de que qualquer homem com poder suficiente cederá, inevitavelmente, à tentação de não devolvê-lo.

