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Roberto Marcelo Levingston

Roberto Marcelo Levingston Laborda (San Luis, 10 de janeiro de 1920 — 17 de junho de 2015)

4 min de leitura01/01/2024
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Roberto Marcelo Levingston Laborda é uma das figuras mais peculiares da história política argentina do século XX. Nascido em San Luis em 10 de janeiro de 1920 e falecido em 17 de junho de 2015, ele foi um militar que chegou à presidência da Argentina sem ter sequer sido considerado um nome de destaque no cenário nacional, ocupando o cargo por menos de um ano antes de ser deposto pelos mesmos militares que o haviam escolhido.

A Argentina do final da década de 1960 vivia sob o regime autoritário conhecido como Revolução Argentina, instaurado pelo golpe de Estado de 1966 que derrubou o governo constitucional e colocou o general Juan Carlos Onganía no poder. O regime se autoproclamava revolucionário e pretendia modernizar o país através de reformas econômicas liberais conduzidas com pulso militar. No entanto, ao longo de quatro anos de governo, Onganía foi acumulando crises e perdendo o apoio dos próprios militares que o haviam levado ao poder.

O episódio que ficou conhecido como o Cordobazo, uma grande revolta popular ocorrida em 1969 na cidade de Córdoba, expôs as fragilidades do regime e acelerou o desgaste de Onganía. Operários e estudantes tomaram as ruas numa rebelião que foi sufocada com violência, mas que revelou a profundidade da insatisfação social com o governo militar. A Junta de Comandantes em Chefe das três forças armadas — Exército, Marinha e Aeronáutica — começou a se movimentar para substituir Onganía.

Em junho de 1970, a Junta decidiu pela deposição de Onganía e se viu diante do desafio de encontrar um substituto que não gerasse atrito entre as diferentes correntes militares. A solução encontrada foi surpreendente: escolheu-se um militar que na época estava em Washington como adido militar na Embaixada Argentina, praticamente desconhecido do grande público e sem uma base política consolidada dentro das forças armadas. Esse homem era Roberto Marcelo Levingston.

A escolha de um nome sem grandes pretensões políticas próprias parecia, do ponto de vista da Junta, uma solução de equilíbrio. Levingston chegaria ao poder como um presidente de compromisso, sem a força política autônoma que havia tornado Onganía um problema para seus próprios apoiadores. No entanto, ao assumir a presidência, Levingston demonstrou uma disposição inesperada de agir com mais independência do que a Junta esperava.

Durante seu breve governo, Levingston buscou construir uma base política própria, articulando alianças com setores nacionalistas e tentando desenhar uma saída do regime que não fosse simplesmente uma transferência de poder para o general Alejandro Agustín Lanusse, que era o comandante em chefe do Exército e o homem mais poderoso da estrutura militar. Essa tentativa de autonomia irritou profundamente os que o haviam colocado no cargo.

O governo de Levingston durou menos de um ano. Em março de 1971, após uma série de conflitos internos e diante de uma nova onda de protestos populares — entre eles o Viborazo, em Córdoba — Lanusse depôs Levingston e assumiu pessoalmente o governo. A queda foi tão rápida quanto a ascensão havia sido inesperada. Levingston saiu do poder da mesma forma discreta com que havia entrado, sem deixar marcas políticas duradouras no processo histórico argentino.

O legado de Roberto Marcelo Levingston na história argentina é, portanto, limitado em termos de realizações concretas, mas interessante como episódio de como os regimes militares gerenciam suas próprias contradições internas. Ele foi uma solução de conveniência que se tornou um problema para quem o escolheu. Sua gestão brevíssima não deixou obras ou políticas de grande impacto, mas serve como ilustração das dinâmicas de poder que marcaram a Argentina durante as décadas de autoritarismo militar.

Levingston tem o curioso título de ter sido, até sua morte, o ex-presidente mais longevo da história argentina, tendo vivido 95 anos, 5 meses e 7 dias. Essa longevidade, somada ao quase total esquecimento público de seu período no poder, transforma sua figura numa espécie de fantasma da história política argentina, um homem que tocou brevemente o ponto mais alto do poder num dos países mais importantes da América do Sul e depois viveu por décadas na sombra discreta de quem já foi e não deixou marcas profundas.

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