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Albert Einstein

Físico teórico alemão (1879–1955)

7 min de leitura01/01/2024
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Numa manhã de primavera de 1905, em Berna, na Suíça, um jovem de vinte e seis anos sentado num escritório de patentes terminou de escrever um artigo científico que mudaria para sempre a compreensão humana do espaço, do tempo e da matéria. Albert Einstein não era professor universitário, não tinha laboratório, não tinha verba de pesquisa. Tinha apenas papel, lápis e uma capacidade única de imaginar o universo de perspectivas que ninguém antes havia tentado.

Einstein nasceu em 14 de março de 1879 em Ulm, no Reino de Württemberg, no Império Alemão. Seus pais, Hermann Einstein e Pauline Koch, eram judeus não praticantes de classe média. O pai era comerciante e engenheiro, e em 1880 a família mudou-se para Munique, onde Hermann e um irmão fundaram uma pequena empresa fabricante de equipamentos elétricos. Em 1881 nasceu a irmã de Albert, Maria — chamada Maja —, que seria sua companheira e confidente por toda a vida.

Os primeiros anos de escolaridade foram marcados por uma tensão que Einstein descreveria mais tarde com ironia. Na escola primária católica onde estudou dos cinco aos oito anos, e depois no Ginásio Luitpold em Munique, o jovem se chocava contra um método de ensino que valorizava a memorização e a repetição em detrimento do pensamento independente. Seu tio Jakob, engenheiro, e um jovem estudante de medicina chamado Max Talmey, que jantava semanalmente na casa da família entre 1889 e 1894, foram influências mais estimulantes: traziam livros de ciência e filosofia, inclusive a "Crítica da Razão Pura" de Kant, que o adolescente leu com avidez.

A família emigrou para a Itália em 1894 quando a empresa paterna faliu — a corrente contínua havia perdido a "Guerra das Correntes" para a corrente alternada de Tesla e Westinghouse. Albert ficou em Munique para terminar os estudos, mas em dezembro de 1894 viajou para se reunir com os pais em Pavia, convencendo a escola a dispensá-lo com um atestado médico. Tinha quinze anos e já estava formulando, num ensaio que escreveu naquele período, as primeiras questões sobre o que aconteceria se alguém viajasse ao lado de um raio de luz — as sementes do que se tornaria a teoria da relatividade.

Em 1895, aos dezesseis anos — dois anos antes do padrão —, tentou o exame de admissão para a Escola Politécnica Federal Suíça em Zurique. Reprovou nas disciplinas humanísticas mas obteve notas excepcionais em física e matemática. Seguindo a recomendação do diretor da instituição, estudou por um ano na Escola Cantonal de Aarau, onde encontrou finalmente um ambiente pedagógico que valorizava o pensamento visual e a compreensão sobre a memorização. Ali desenvolveu o que chamaria de "experimentos mentais" — a capacidade de imaginar situações físicas extremas e raciocinar sobre suas implicações, método que usaria pelo resto da vida.

Admitido na Politécnica em 1896, formou-se em 1900, mas enfrentou enormes dificuldades para encontrar emprego acadêmico — em parte por ter antagonizado alguns professores com sua independência intelectual. Após dois anos de tentativas frustradas, conseguiu um cargo de examinador técnico no Escritório Suíço de Patentes em Berna, em 1902. O trabalho era intelectualmente pouco exigente, o que lhe deixava energia mental para continuar seus estudos. Ali conheceu sua futura esposa, Mileva Maric, colega de Politécnica, com quem se casou em 1903. O casal teria dois filhos: Hans Albert e Eduard.

Em 1905 — o chamado "ano miraculoso" da física —, Einstein publicou quatro artigos que, individualmente, já seriam suficientes para fazer a reputação de qualquer cientista. O primeiro explicou o efeito fotoelétrico postulando que a luz é formada por quanta discretos de energia — os fótons —, lançando as fundações da física quântica. O segundo descreveu matematicamente o movimento browniano de partículas em suspensão, fornecendo evidência indireta convincente da existência dos átomos. O terceiro apresentou a teoria da relatividade especial, postulando que as leis da física são as mesmas para todos os observadores em movimento uniforme e que a velocidade da luz é constante e absoluta. O quarto derivou, como consequência daquela teoria, a equação E = mc², estabelecendo a equivalência entre massa e energia — possivelmente a relação mais famosa da história da ciência.

A teoria da relatividade especial derrubou conceitos que Newton havia estabelecido dois séculos antes como absolutos: o tempo e o espaço não eram estáticos e universais, mas relativos ao estado de movimento do observador. O tempo passa mais devagar para um relógio em movimento; o comprimento de um objeto se contrai na direção do movimento; a massa aumenta com a velocidade. Essas conclusões pareciam absurdas ao senso comum, mas a matemática era impecável, e cada previsão da teoria seria confirmada por experimentos ao longo das décadas seguintes.

Entre 1905 e 1915, Einstein trabalhou no problema que a relatividade especial havia deixado incompleto: como incluir a gravidade no novo quadro. O resultado foi a teoria da relatividade geral, publicada em novembro de 1915, que redefinia a gravidade não como uma força que age à distância, mas como uma curvatura do espaço-tempo causada pela presença de massa e energia. O Sol não "atrai" a Terra — ele curva o espaço ao seu redor, e a Terra simplesmente segue a curvatura. A teoria fez previsões que iam além de Newton: a luz deveria se curvar ao passar perto de corpos massivos, o espaço-tempo poderia ter ondulações, e o universo como um todo deveria estar em expansão ou contração.

A confirmação espetacular chegou em 1919: uma expedição britânica observando o eclipse solar total mediu o desvio da luz de estrelas passando perto do Sol, exatamente como Einstein havia previsto. O físico desconhecido tornou-se celebridade mundial da noite para o dia. Em 1921, recebeu o Prêmio Nobel de Física — não pela relatividade, considerada ainda controversa demais pelo comitê, mas pela descoberta do efeito fotoelétrico descrita no primeiro artigo de 1905.

Com a ascensão do nazismo na Alemanha, Einstein, em visita aos Estados Unidos em 1933, decidiu não retornar. Seu escritório em Berlim foi saqueado, suas propriedades confiscadas, e o governo nazista colocou preço em sua cabeça. Estabeleceu-se no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, Nova Jersey, onde trabalhou até sua morte. Em 1939, assinou juntamente com outros cientistas uma carta ao presidente Roosevelt alertando para a possibilidade de que a Alemanha estivesse desenvolvendo uma bomba atômica baseada na fissão nuclear — carta que contribuiu para a criação do Projeto Manhattan. Einstein, contudo, era pacifista convicto e não participou do projeto, e reagiu com horror à notícia dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki.

Passou as últimas décadas de sua vida tentando formular uma teoria unificada dos campos eletromagnético e gravitacional — o que hoje chamamos de teoria do tudo —, sem jamais alcançá-la. Morreu em 18 de abril de 1955, em Princeton, de ruptura de um aneurisma aórtico, recusando uma cirurgia com as palavras: "Quero ir quando quero. É gosto artificial prolongar a vida." Tinha setenta e seis anos. Em 1999, cem físicos renomados elegeram-no o físico mais significativo de todos os tempos, e a revista TIME o escolheu como a personalidade do século XX — um homem que, trabalhando sozinho num escritório de patentes, havia reescrito as leis fundamentais do universo.

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